Absolutos relativos são a única certeza

Na falta de certezas, os absolutos são reduzidos a categoria de relativos. E essa é a única certeza que resta para os absolutos do passado: ser meramente relativos.

fonte: Guiame, Edmilson Ferreira Mendes

Atualizado: Terça-feira, 13 Setembro de 2016 as 12:36

Na falta de certezas os absolutos são reduzidos a categoria de relativos. (Foto: Reprodução)
Na falta de certezas os absolutos são reduzidos a categoria de relativos. (Foto: Reprodução)

O fim dos absolutos foi uma marca anunciada, avisada e fartamente explicada como um dos pilares da pós-modernidade. Hoje, a realidade está consolidada, já não temos absolutos. O amor é líquido. A verdade é servida em mesas de self-service com inúmeros pratos, de sabores diversos, mas todos afirmando que são a verdade, independente de quantas verdades estejam sendo servidas.

É praticamente impossível acompanhar a velocidade das mudanças atuais. Fatos, fotos, eventos, dramas, denúncias, tragédias, escândalos, leis, crimes, explorações, abusos, injustiças. Todos os dias e em volumes incontroláveis, vai se desenrolando uma confusa história, difícil de ser interpretada dada a complicação e a bagunça entre certo e errado, entre falso e verdadeiro.

Na falta de certezas os absolutos são reduzidos a categoria de relativos. E essa é a única certeza que resta para os absolutos do passado: ser meramente relativos. O resultado é tristemente percebido no reflexo de uma sociedade que caminha sem saber para onde exatamente está indo.

Todo caldo filosófico atual conseguiu lambusar antigas convicções que dirigiam a vida. Vejo velhos amigos brigando por política, defendendo políticos e propagando partidos como nunca os vi em ação com relação às coisas da fé. É surpreendente. Antes, um pacato frequentador de igreja, um ajudador discreto, quase invisível. Hoje, um agitador irreconhecível, carregando todas as conveniências da piedade mas, com atos e palavras totalmente antagônicos ao que é pregado pelo evangelho, negando a eficácia dela.

Vejo jovens sem propósito. Quebrando regras, leis, doutrinas. Impondo com sua peculiar rebeldia a agenda que julga a melhor. Questões como aborto, sexualidade, bestialidade e todas as experimentações que se imaginar são reduzidas a frases como “meu corpo, minhas regras”, “o corpo é meu, faço o que eu quero”. Ok, tudo isso é uma parte da verdade. A outra parte pouco a mídia divulga, pois não interessa. É a parte das consequências de cada escolha. Jovens estão morrendo de overdoses, com drogas sintéticas antes impensáveis, estão morrendo cheios de ilusões que só esvaziaram seus corações sem nada colocar no lugar a não ser mais ilusões, provocando ciclos e mais ciclos que terminam sempre em novas e profundas frustrações.

Vejo casais conformados com suas derrotas. Vivendo vidas mecânicas. Sem prazer no diálogo, no convívio, na cumplicidade, no amor, no carinho, no sexo. Famílias entregues as certezas dos absolutos relativos, “meus avós faziam assim, meus pais mudaram o jeito, nós estamos sem jeito e nossos filhos... terão jeito?”.

Vejo gente cega, surda, muda, imóvel. Gente que foi fulminada pela ganância, cobiça, orgulho e uma louca caçada por dinheiro. Conseguiram adoecer no caráter, espalharam destruição e dano em gente que nessa gente acreditou e, de repente, trapaça e traição foi só o que restou. Ética? Honestidade? Honra? Palavra? Esquece, são só absolutos relativos numa sociedade que deu as costas para antigos valores e antigas verdades, agora sofre as consequências das escolhas que fez.

Teve vacilo, dúvida, incerteza e angústia na Bíblia? Ou todas as narrativas bíblicas foram preenchidas por absolutos inquestionáveis? Certamente não, muitas dúvidas e questionamentos aparecem por toda a humanidade que povoa as páginas do livro sagrado. Um exemplo está em João 14, onde encontramos muita ansiedade por resposta e direcionamento. Os discípulos haviam chegado num ponto sem saber que rumo tomar. Então fizeram o que todos devemos sempre fazer, perguntaram a Jesus qual o caminho, qual o rumo, como andar sem errar. Jesus deu uma resposta enigmática: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por Mim.”

Os discípulos queriam um mapa, um GPS, uma rota, Jesus porém ofereceu uma pessoa, ofereceu Ele mesmo. Ou seja, não vem ao caso a geografia da vida. Se riqueza ou pobreza, se saúde ou doença, se tristeza ou alegria, a verdade absoluta é uma só: o caminho é Jesus. Relativizar este caminho é o mesmo que errar absolutamente o destino da viagem.
Paz!

 

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