Cresce o comércio eletrônico, inclusive para a paquera

Cresce o comércio eletrônico, inclusive para a paquera

Atualizado: Quinta-feira, 13 Março de 2014 as 12

internetCantada já foi uma arte. Adolescentes de vinte anos atrás, um pouco mais, um pouco menos, tinham que desenvolver argumentos minimamente criativos e inteligentes se quisessem algum sucesso nas tentativas de conquista.
 
Cantadas eram assuntos longos nas rodas jovens. Narrar as frases, os argumentos usados, os olhares, as diferentes abordagens, enfim, narrar o passo a passo de cada cantada era quase um evento, e sempre com audiência garantida.
 
Cantada dava trabalho. Era uma gigantesca barreira para a inibição. O medo de levar um fora. A dúvida se a isca verbal seria correspondida. Tudo conspirava para tornar as coisas bem mais complicadas e difíceis do que realmente eram.
 
Hoje ficou fácil, extremamente fácil. Diria mais, ficou ridículo, banal, sem noção. E ficou como ficou tanto para eles como para elas. Todos são caçadores e caças ao mesmo tempo. E vamos que vamos, pois a vida é curta e curtir de tudo, e muito, é quase uma exigência, uma imposição para quem carrega o rótulo de moderno.
 
Assim como nada é tão ruim que não possa piorar, nada é tão fácil que não possa ficar mais fácil ainda. Como no comércio eletrônico, que cresce dia a dia no Brasil, a paquera encontrou seu caminho facilitador. Que as pessoas se encontram pela internet já não é mais novidade, a novidade fica por conta do aplicativo nem tão novo que atende pelo nome de Tinder. Digo nem tão novo porque só em São Paulo já conta com mais de 3 milhões de usuários.
 
O aplicativo usa a geolocalização para atrair pessoas que buscam relacionamentos. É simples. O usuário checa perfis dos que estão próximos e separa os que interessam, caso seja correspondido, uma janela de bate-papo fica a disposição. Se um se interessar, uma janela. Se dez, dez janelas...
 
Cerca de 80% dos usuários se declaram solteiros entre 14 e 35 anos. O cadastro, para ser feito, não demora mais que 40 segundos. A maior parte dos que usam procuram relacionamentos de apenas uma noite. Eventualmente, lógico, alguns chegam a se casar. O fato é que para a moçada que só quer ficar, segundo o psicólogo Ailton Amélio da Silva, “o Tinder é revolucionário porque agora não precisa mais se arrumar, pegar o carro e ir pra balada”, em outras palavras é só selecionar pela foto, checar algumas poucas e rasas informações, marcar o encontro e satisfazer o desejo.
 
Ou seja, para inibidos ou não, a oferta disponível de pessoas doando seus corpos por alguns momentos é bastante farta. E cresce a cada dia. Ficou ou não ficou fácil? Você seleciona as fotos que gosta, espera pelo retorno, que é instantâneo, e pronto, ambos já sabem das intenções um do outro, é só correr pro abraço.
 
Será tão fácil assim? Cabe aqui o famoso “só-que-não” da moçada. Tenho notícias de jovens que jogaram fora o amor da sua vida por se aventurar com candidatos selecionados via Tinder. Também tenho notícias de casais que deletaram juntos os aplicativos de seus celulares, reconhecendo a evidente fonte de tentação e destruição bem a mão, tentação fácil, extremamente fácil de ser consumada.
 
Voltemos a pensar no comércio eletrônico, praticidade dez, pessoalidade zero. Você trata apenas com máquinas e, se der sorte, talvez veja o entregador daquilo que comprou no dia que a encomenda chegar. E só. Será que é um relacionamento assim que queremos? Será que foi para relacionamentos assim que fomos criados? Na base de senhas, ícones, códigos, fotos e dados cadastrais? Para comprar uma geladeira pode até funcionar, mas... pessoas?
 
Não nego que alguns se dão bem e outros podem se dar bem. Mas a chance de frustração para quem busca profundidade é muito grande. E este é o problema. Mesmo entre os chamados “domésticos da fé”, já têm muita gente se complicando, e por vezes gostando, de relacionamentos casuais. Já não são raros nos espaços cristãos moças e moços, velhos e velhas, totalmente pistoleiros, atirando para todo lado e pegando qualquer pessoa que acertar. Deplorável, perigoso e tristemente real.
 
Eclesiastes 11:9 não proíbe nada, orienta o jovem a curtir os caminhos que satisfazem seu coração, mas faz uma advertência que deveria fazer cada um de nós calcular bem os caminhos que escolhe: “Sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas”.
 
Esqueça, coloque de lado, delete tudo que atrapalhe o processo de santificação da sua vida. Conecte-se, interaja, conheça pessoas e lugares, mas estabeleça Jesus como o centro de sua vida, responda sempre se aquilo que hoje se faz glorifica Aquele que por nós tudo fez. Aquele que dispensa geolocalização, pois basta tão somente nEle crer, afinal, Ele está sempre perto em todo lugar, em todo tempo, a cada momento.
 
Paz!
 
 
por Edmilson Mendes
e-mail: [email protected]
blog: calicedevida.com.br
twitter: @Edmilson_Regina

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