A morte não pega no tranco

O problema é que quando a vida vira morte a morte não pega no tranco. É o fim, acabou.

fonte: Guiame, Edmilson Ferreira Mendes

Atualizado: Terça-feira, 25 Outubro de 2016 as 3:28

Homem tentando fazer seu carro "pegar no tranco". (Foto: SXC)
Homem tentando fazer seu carro "pegar no tranco". (Foto: SXC)

Não sei você, mas eu venho de família pobre, daquelas que ter um carro velho já seria um luxo. E quando digo carro velho, é velho mesmo. Daqueles com lataria ruim, bancos rasgados, pneus carecas e motor, lógico, falhando uma barbaridade!

Carros velhos como os que minha família tinha não ficavam devendo nada para os games, pois também emocionavam igualmente, tínhamos que saber usar bem os controles e, também como os games, nossos carros velhos tinham muitas vidas! Ainda bem, uma vez que morriam várias vezes ao dia. E uma vez morto, a gente fazia funcionar novamente no tranco. Pagávamos grandes micos com a família toda empurrando, era uma festa, mas no tranco, o carro velho que morria, quase sempre ressuscitava.

Charles Chaplin tinha razão quando afirmou: “Não sois máquinas, homens é que sois!” Para nós, humanos, quando a morte chega, chega de uma vez e coloca um ponto final seja qual for a pessoal história de vida de cada um, feia ou bonita. Não dá para fazer a vida “pegar” no tranco, ressuscitar no tranco. É por isso que nós, vivos, afirmamos que para tudo nessa vida se dá jeito, menos para a morte.

Parece, no entanto, que vivemos numa época tétrica, totalmente indiferente para com a vida. As últimas décadas vêm atolando as gerações em filosofias e conceitos insensibilizadores. Existe um preço alto e extremamente caro a se pagar quando se ataca a família orientada por Deus, quando se incentiva a liberdade colada com a promiscuidade, quando se libera drogas, quando tudo isso vai se tornando normal, o materialismo aparece como um fugaz sucesso que depende de poderes meramente seculares, o que acaba por produzir uma sociedade individualista, onde o homem é cultuado como ser supremo de si mesmo, se achando um pequeno e tirano deus, tudo gerando massas cada vez mais insensíveis.

Aí, o que assistimos? Adolescentes se suicidando. Monstros estuprando meninas e mulheres. Filhos matando pais. Cônjuges assassinando cônjuges. Facções barbarizando vidas. Grupos terroristas degolando inocentes. Traficantes fazendo da cabeça decepada de suas vítimas uma bola de futebol, chutando a mesma de um para o outro. Termos como enforcar, incendiar, explodir e empalar vão transitando normalmente pelos noticiários. Chega, náuseas na alma impedem a gente de continuar listando os intermináveis descasos com a vida...

O problema é que quando a vida vira morte a morte não pega no tranco. É o fim, acabou. Que mundo é esse no qual estamos vivendo? É aquele no qual Paulo alertou e bem profetizou afirmando que os últimos tempos seriam difíceis. E como! A vida, para o homem dominado pelo pecado, não tem qualquer valor, não tem reverência ou qualquer sacralidade.

Precisamos lutar para livrar tanto quantos pudermos da armadilha da insensibilidade, da indiferença e do descaso. Precisamos abastecer nossas lamparinas com o óleo que só o Espírito Santo é capaz de fornecer. Pois a bíblia também afirma que apesar da frieza e do desamor marcantes nestes últimos tempos, Jesus virá buscar sua igreja, portanto, na vinda dEle, haverá um restante, uma igreja que não se conformou com este mundo e nem se entregou derrotada.

Enfim, a morte não pega no tranco. Porém foi vencida definitivamente na cruz e extinta no túmulo vazio. Na volta de Cristo, não teremos Jesus e alguns anjos empurrando mortos para ver se pegam no tranco. Antes teremos a majestosa cena com milhares de anjos tocando trombetas enquanto a doce e poderosa voz de Jesus ordenará a vida. Que a gente se prepare, porque este dia tão aguardado está mais próximo do que possamos imaginar.

Paz!

 

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