Não é legal ser chato

O tempo atual, no entanto, está bem chato. Vivemos o momento do “politicamente correto”. O cara rouba um óculos e a empresa não deve pedir que não roube, pois o ofenderia, é melhor implorar para que ele seja legal. Mais subjetivo, impossível

Fonte: guiame.com.brAtualizado: quinta-feira, 16 de outubro de 2014 12:56
cinema_comportamento
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cinema_comportamentoEnquanto esperava uma reunião num shopping aqui em Campinas, fiquei observando trailers de filmes num telão no hall de entrada da rede Cinemark. Entre um trailer e outro assisti um vídeo com orientações referentes ao comportamento adequado quando se está no cinema.

O vídeo é mais ou menos assim. No início surge uma animação simpática com os seguintes dizeres “Seja legal!”. Na sequência vão surgindo recomendações: “Não converse durante a sessão”, “Desligue o celular”, “Jogue o lixo no lixo”, “Devolva o óculos na saída”. É o que lembro do vídeo.

Fiquei pensando sobre o pedido inicial: “Seja legal!”. Vejamos se este seria o caso: “Não converse durante a sessão”, um “Seja educado” seria melhor. “Desligue o celular”, um “Se toca!” poderia ser mais claro. “Jogue lixo no lixo” pede um “Não seja porco”. E “Devolva o óculos na saída” se encaixa melhor com “Seja honesto, não roube o óculos”. Ou seja, o “Seja legal!” é bonitinho, simpático, mas passa longe da necessidade real da rede Cinemark quanto ao comportamento dos seus frequentadores. E, se o vídeo esta lá é porque tais coisas acontecem.

Não é legal ser chato. É óbvio que não é. Legal é legal e chato é chato. Simples e direto assim. O tempo atual, no entanto, está bem chato. Vivemos o momento do “politicamente correto”. O cara rouba um óculos e a empresa não deve pedir que não roube, pois o ofenderia, é melhor implorar para que ele seja legal. Mais subjetivo, impossível.

Isso mesmo, subjetivo. Conheço caras ótimos para um churrasco, um futebol, uma praia. Legais ao extremo, bom papo, boas piadas, garantias de ótimas gargalhadas. Mas são mal educados, meio porcos e demonstram um caráter bem vacilão. Até que são legais. Mas, e daí?

O videozinho do Cinemark revela, ainda que sem nenhuma pretensão de fazê-lo, o cinismo cheio de ironia da nossa sociedade e suas instituições, igrejas incluídas. Principalmente igrejas. Do mais simples irmão até as mais altas lideranças eclesiásticas, a preocupação tem sido em “ser legal”. Todos vão na onda? Claro que não. Mas que tem gente mais preocupada em “ser legal” do que em ser servo, tem.

Abraçar a filosofia Cinemark em tentar ser e pedir para “ser legal” é um desserviço para o Reino. Vejamos um triste exemplo. O pecado já não é tratado como pecado. O “seja legal” do Cinemark aparece assim nas igrejas: “Foi um desvio de conduta”, foi uma “improbidade administrativa”, foi um “pequeno desvio momentâneo”, e outras pérolas que apenas visam acariciar e domesticar o pecado.

Mas não dá “para ser legal” com a carne, ela é indomesticável. Ou você acha que é por acaso a clara recomendação bíblica em Romanos 8:13, aconselhando-nos a matar as obras da carne? Nada de domesticar e amansar, faça morrer, aniquile as obras da carne. Não dá para brincar de “ser legal” com quem visa unicamente nossa destruição.

Encarar o pecado de frente, denunciando-o e chamando-o pelo nome que o identifica é um dever. Adultério é adultério. Mentira é mentira. Roubo é roubo. Traição é traição. Seja legal com o que e quem merece, seja chato com o que e quem precisa que você seja. E seja você mesmo durante todo o tempo, pois é o melhor caminho para se viver em paz com a própria consciência.

Paz!


- Edmilson Mendes
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