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Como cristãos devem lidar com a homossexualidade?

Se você é cristão, espero que tenha entendido qual deve ser seu papel diante dos seus amigos homossexuais: amar e abençoar. Se você é homossexual, estou orando para que também entenda sua missão para conosco: respeitar

fonte: Guiame, Jean Francesco

Atualizado: Terça-feira, 30 Junho de 2015 as 4:18

HomossexualidadeDepois de ler vários posts, artigos, vídeos e timelines cheias de arco-íris devido à aprovação do casamento igualitário pela Suprema Corte americana, decidi dar a minha opinião. Deixo aqui bem claro que não faço isso como um jurista, filósofo ou especialista em direitos humanos, mas como um discípulo de Jesus e também um pastor evangélico da cidade de São Paulo. O povo da minha igreja sempre espera de mim um posicionamento claro sobre assuntos polêmicos, sinto-me no dever de atendê-los.

Dividirei esta reflexão em três partes. Em primeiro lugar, apresentarei qual é a real relação entre Bíblia e Homossexualidade. Segundo, deixarei claro como deve ser a relação entre cristãos e homossexuais. Terceiro, darei a minha opinião sobre a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo diante o Estado.

1. BÍBLIA X HOMOSSEXUALIDADE. Muitos “cristãos coloridos” tentam provar que na Bíblia a homossexualidade não é um pecado. Eles geralmente argumentam que o contexto cultural em que Bíblia foi registrada era extremamente machista, por isso as mulheres, homossexuais e tantos outros absurdos eram permitidos. No entanto, sendo a cultura alterada, práticas que antigamente eram proibidas naturalmente deixam de ser. Os textos supostamente machistas são

1. Gênesis 1.27: “Deus criou o homem e mulher”;

2. Gênesis 19.5-7: “Existência de homossexuais em Sodoma e Gomorra”;

3. Lev 18.22: “Proibição de um homem deitar-se com outro homem”;

4. Juízes 19.22-23: “Homens querendo abusar sexualmente de um viajante”;

5. Romanos 1.27: “Homens e mulheres mudaram o jeito natural das relações sexuais”;

6. 1Coríntios 6.9: “Homossexualidade passiva e ativa como um pecado”;

7. 1Timóteo 1.10: “Sodomia (homossexualidade ativa) é vista como um pecado”

Contrariando essa ideia, Robert A. J. Gagnon escreveu um livro de 500 páginas nomeado: ”A Bíblia e a prática homossexual: Textos e hermenêutica” no ano de 2001. No livro ele analisa todos os textos bíblicos em seu contexto cultural e teológico chegando a conclusão de que a homossexualidade é uma distorção da sexualidade criada por Deus, logo é inaceitável que a prática não seja um pecado sexual.

Por outro lado, existem muitos “cristãos cinzentos”, histéricos e sisudos esbravejando como se a homossexualidade fosse o pior pecado do mundo. Temos que banir tal hipocrisia de nosso meio. Para alguns religiosos de nosso tempo é bem provável que Jesus dissesse: "Fariseus hipócritas! Vocês elegem a homossexualidade como o pior pecado do mundo, mas ignoram os demais. Vocês lutam contra a homossexualidade, mas toleram os corruptos. Vocês condenam os homossexuais, mas aliviam a barra e avareza dos empresários injustos. Vocês boicotam os comerciais da Boticário, mas continuam se vestindo com roupas da Zara, M. Officer e Hering, que respondem processos de trabalho escravo”.

Na perspectiva bíblica a homossexualidade é vista como um pecado. Na verdade, a Bíblia é contra qualquer tipo de distorção da prática sexual heterossexual-monogâmica. Assim o adultério, a fornicação, a zoofilia, o incesto, a pedofilia, a prostituição e a homossexualidade são distorções da sexualidade projetada originalmente por Deus. Qualquer cristão, “colorido ou cinzento”, que ir além do que foi dito acima não entende muita coisa sobre sexualidade bíblica. Muito menos conhece Jesus — tão amado pela comunidade LGBT —, pois ele também pensava assim, veja o que ele disse:

“Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?” (Mateus 19.4-5).

Vamos falar com mais clareza. Não somos “coloridos”, tão pouco “cinzentos-sisudos”, somos seres humanos e, aos olhos dele, somos todos farinha do mesmo saco. A luta do homossexual não é diferente da minha, Jean Francesco, heterossexual casado. Eu também luto diariamente para ser fiel a minha esposa, ser verdadeiro e justo em minhas relações, não cair na avareza e egoísmo, trabalhar duro para ganhar meu dinheiro, e etc. Somos todos iguais e seremos salvos por Jesus pelo mesmo caminho: arrependimento e fé na cruz e ressurreição do Salvador.

2. CRISTÃOS X HOMOSSEXUAIS. Vou tentar ser rápido e dizer como um cristão deve se relacionar com homossexuais. Os cristãos estão sendo acusados por pelo menos 3 coisas: 1. Ódio declarado; 2. Preconceito, intolerância e homofobia; 3. Interferir nos direitos humanos. Por outro lado, os ativistas LGBT igualmente são acusados pelos cristãos em 2 coisas: 1. Tentar criminalizar a opinião contrária da Igreja; 2. Promover ataques contra o cristianismo. Esse é o confronto real que a gente vê se repetindo diariamente.

Meu ponto é que nenhum dos dois grupos está totalmente certo ou errado. A discussão ficou muito polarizada e violenta. Existe pouco respeito e inteligência em ambos os lados. Por exemplo, existem “cristãos” que odeiam gays e gays que odeiam cristãos; existem cristãos que manifestam amor e vice-versa. Existe preconceito e homofobia por parte de alguns cristãos e também existe o pessoas do movimento LGBT atacando o cristianismo. Existem cristãos intolerantes e gays intolerantes, mas existem também cristãos tolerantes e gays respeitosos. O que não pode existir é a ilusão de que se vence intolerância com mais intolerância e o ódio com mais ódio. Precisamos urgentemente aprender a conversar como seres inteligentes e amorosos, sem essa dupla bem afinada, a briga não terminará jamais. E, ao que tudo indica, parece que a guerra não vai terminar.

Meus irmãos cristãos amados, vamos aprender uma coisa: cristãos de verdade não odeiam homossexuais; cristãos de verdade acolhem, amam, querem amizade e existem para servir o Evangelho aos homossexuais; cristãos de verdade oram e trabalham pela salvação de todos, inclusive homossexuais. Creia junto comigo que cristãos verdadeiros lutam para combater a injustiça e a violência contra os homossexuais. Creia comigo também que por causa do amor de Jesus, todo pecador, heterossexual ou homossexual, pode ser perdoado e receber a vida eterna. Esse é o amor que realmente vence no final.

3. ESTADO X HOMOSSEXUALIDADE. Por fim, vou dar a minha opinião sobre aquilo que a Suprema Corte americana decidiu a respeito do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Por 5 votos a 4, a Corte Suprema decidiu que tribunais estaduais não podem mais proibir o casamento de casais do mesmo sexo e derrubou as emendas constitucionais estaduais de Michigan, Kentucky, Ohio, Tennessee que definiam o casamento apenas entre um homem e uma mulher.

É importante dizer, antes de tudo, que ser contra a prática homossexual não significa automaticamente ser contra a união civil igualitária. Como cristão acho a homossexualidade uma distorção da sexualidade criada por Deus, mas sou a favor de que eles tenham o direito de morarem juntos, terem direito à herança, partilha de bens, e até a adoção — a última com critérios. Sou a favor da união civil de homossexuais, mas acho complicado que isso se chame “casamento”. Para promover igualdade não é necessário ressignificar a instituição milenar que fundamentou o convívio social da civilização atual. Acho a garantia dos direitos de união civil para os homossexuais muito boa, mas a forma arbitrária como foi feita, muito ruim.

Tenho certeza que alguns vão contra-argumentar: “mas vocês não são a favor do amor? Deixe as pessoas se amarem e serem felizes do jeito que quiserem!” Sim, nós somos a favor do amor, porém, não do sentimentalismo. Hoje, quando um homem diz: “Amo outro homem, tenho o direito de me casar com ele”, o Estado dá o direito de unir e chamar de casamento. Será que isso não abre o precedente para daqui a pouco um homem dizer: “Amo ter relações com a minha mãe, tenho o direito de casar-me com ela”? Ou: “Amo ter relações com um animal, tenho o direito de me casar com ele”? Ou ainda mais: “Amo um menino de 7 anos, tenho o direito de me casar com ele”? Se é o amor que determina tudo, qual é o problema de aceitarmos o incesto, zoofilia e a pedofilia? Nenhum.

Você pode usar todas as lógicas que puder para me contradizer, mas terá que concordar que o amor precisa de uma moral. O amor sem princípios éticos é um sentimento destrutivo e irracional, logo, não é amor. Já tiramos a moral judaico-cristã da maioria das esferas sociais, agora, infelizmente, é só uma questão de tempo para mais coisas começarem a acontecer.

Se você é cristão, espero que tenha entendido qual deve ser seu papel diante dos seus amigos homossexuais: amar e abençoar. Se você é homossexual, estou orando para que também entenda sua missão para conosco: respeitar. E que em todos nós possa permanecer o verdadeiro amor — não o sentimentalizado —, mas o daquele que deu a sua vida pelos que queriam a sua morte, Jesus. Compartilho com vocês a minha oração de hoje: “Jesus, quero aprender contigo a lavar sempre o meu coração e os pés de todos com a lógica da graça e não da retribuição. Amém.” ‪#‎Homossexualidade‬ ‪#‎LoveWins‬ ‪#‎Bíblia‬ ‪#‎Opinião‬

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