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A cultura do recalque

Penso que a cultura do recalque está no mundo, sim, mas não num mundo à parte do universo gospel, como algumas pessoas acreditam. Ela não é exclusividade das funkeiras e dos “impuros”, mas foi tratada e discutida por Jesus porque existe desde que o mundo é mundo, e abrange todos os seres humanos, evangélicos ou não

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Terça-feira, 29 Abril de 2014 as 2:19

beijinho no ombroJá passei do tempo de ignorância ingenuidade espiritual, quando eu acreditava que o mundo era tudo isso que não é gospel, evangélico e não foi “batizado” com o nome de Jesus. Foi-se o tempo!

Acabou-se (na minha vida), essa ilusão de que para ser santo, não devo “tocar” no que não está consagrado, purificado e registrado no cartório da religião. De que tudo aquilo que é produzido por ímpios é profano, e que para não ser contaminado devemos entrar na bolha esterilizada da nossa “evangeliquicidade”, e não respirar o ar viciado da vida mundana.

Não, eu não sou uma adepta do estilo neoliberal de vida cristã, onde tudo é permitido desde que seja feito “com amor” (não mesmo!), e embora eu já tenha cometido erros e esteja distante da perfeição que Jesus inspira e o padrão do evangelho exige, sei que há muitas coisas que não são boas e outras tantas que não convém, a despeito de não serem pecados.

Vamos lá, o que estamos falando é de ter uma nova vida com Cristo, e estamos falando de tê-la dentro deste mundo, onde vivemos. Estamos discutindo a ideia de viver no mundo triunfando sobre suas tendências nocivas, resplandecendo a luz da vida de Deus que está em nós, e que nos impulsiona a remar contra a maré do verdadeiro mundanismo que está na natureza humana (a carne), e não lá fora, nas bandas de rock e nas baladas.

Digo isso porque a Igreja de Cristo, por meio de seus representantes, tem deixado muitos ímpios parecendo retrógrados, ultrapassados. Porque muito antes de Anitta e Valesca Popozuda entoarem versos contra o recalque, já havia quem houvesse dado beijinho no ombro com sabor de mel, e muitos que houvessem cantado com tanta vontade quanto os que o fazem no baile funk.

Eu me pergunto onde está a diferença. O que difere uma coisa da outra, se a atitude é a mesma: jogar na cara dos(as) recalcados(as) que você se ama, Deus é contigo, e vão se arrepender os que não te ajudaram? Se uma acredita em Deus e faz ele de escudo, e outra crê que é Deus quem vai exaltá-la sobre o palco da vida, não estão ambas tendo a mesma fé? Ambas não estão querendo “sambar de salto fino” na cara dazinimigas?

Na minha humilde opinião, é a mesma coisa – igualquenem!

Penso que a cultura do recalque está no mundo, sim, mas não num mundo à parte do universo gospel, como algumas pessoas acreditam. Ela não é exclusividade das funkeiras e dos “impuros”, mas foi tratada e discutida por Jesus porque existe desde que o mundo é mundo, e abrange todos os seres humanos, evangélicos ou não.

Acho que alguns irmãos acreditam firmemente que estão num universo paralelo, alheios ao mundanismo, só porque nasceram de novo. O que eles ignoram, entretanto, é que enquanto a “cultura do recalque” está sendo exaltada na mídia como a novidade da vez, na nossa carne – no mundo que há em você e em mim – ela sempre existiu e existirá enquanto Jesus não voltar para arrebatar a Igreja e transformar o nosso corpo.

O que é mundano, finalmente, não é a música, mas a atitude. Desse modo, não importa quantas vezes você cite o nome de Jesus em uma frase recalcada, isso não vai purificar sua intenção perversa.

Acredito que chegou a hora da Igreja perceber que desejar aos inimigos vida longa para que eles vejam sua vitória a cada dia, não é amor. E que dizer isso numa ordem diferente ou com palavras distintas da funkeira, com o selo de qualidade “em nome de Jesus”, não torna sua atitude mais nobre que a dela.

Chegou a hora de entendermos que separar-se para Deus não está mais relacionado com isolar-se das pessoas e coisas que não têm Cristo, do que de abster-se das suas próprias tendências egoístas e mesquinhas. Que a santidade é algo que se faz de dentro pra fora, e tem mais a ver com quem somos em relação ao que nos rodeia, do que necessariamente com usos e costumes (Colossenses 2.20-23).

Só lembrando: quando Pedro viu Jesus na prova e não o ajudou, a atitude do Mestre, ao ver seu arrependimento, foi chamá-lo para o palco e colocá-lo no topo da bênção, não na plateia, afinal, Jesus não era adepto de beijinho no ombro e tinha franco prazer em compartilhar o mel da vitória.

“Porque tudo que há no mundo, a concupiscência DA CARNE, a concupiscência DOS OLHOS e a soberba DA VIDA, não vem do Pai, mas sim do mundo” (1 João 2.16)


- Luciana Honorata

 

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