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Uma geração que trabalha para poder viajar

Antes que venham os MIMIMIs, quero deixar claro que não estou falando contra quem gosta de viajar e quer conhecer novos países, sei que vou mexer em um axioma dessa geração e a chance de sair faísca nos comentários é grande.

fonte: Guiame, Marcos Botelho

Atualizado: Quinta-feira, 21 Julho de 2016 as 4:52

Confesso que essa obsessão em conhecer o mundo todo não é natural da minha geração, mas como sempre servi a próxima geração com meu trabalho, comecei a ouvir e observar mais os jovens e seus argumentos, sonhos e projetos de vida. (Foto: Yazigi Travel)
Confesso que essa obsessão em conhecer o mundo todo não é natural da minha geração, mas como sempre servi a próxima geração com meu trabalho, comecei a ouvir e observar mais os jovens e seus argumentos, sonhos e projetos de vida. (Foto: Yazigi Travel)

Ouço muito dessa geração, de 20 a 35 anos, a declaração de que trabalham na vida para poder viajar. Isso sempre me incomodou, não porque eu não goste de viajar, muito pelo contrário, gosto bastante, mas porque vejo um claro desvio de finalidade vocacional.

Antes que venham os MIMIMIs, quero deixar claro que não estou falando contra quem gosta de viajar e quer conhecer novos países, sei que vou mexer em um axioma dessa geração e a chance de sair faísca nos comentários é grande.

Confesso que essa obsessão em conhecer o mundo todo não é natural da minha geração, mas como sempre servi a próxima geração com meu trabalho, comecei a ouvir e observar mais os jovens e seus argumentos, sonhos e projetos de vida. O que me revelou essa obsessão?

Uma das coisas que reparei é o pragmatismo ufanista de conquista dessa geração. Não se viaja para conhecer um lugar com calma, desfrutando de sua cultura e peculiaridades. Correm de um ponto turístico a outro, com selfies e check-ins online como se cada lugar fosse um quadrado de cartela de bingo. Conversando com um jovem ele me disse que tinha conhecido 8 países nas suas últimas férias de 15 dias. Será mesmo que conheceu?

Uma segunda observação é que essa geração confunde desapego aos bens materiais e aos lugares com desapego aos relacionamentos sérios e um projeto familiar. No afinco de satisfazer o seu ego e seu sonho alexandrino de conquistar o mundo, adiaram, quando não desistiram, de se casar e ter filhos. Afinal de contas filhos atrapalham muito as viagens, além de custar mais caro (eu sei bem como é, pois vivo isso hoje).

Não estou defendendo a pessoa casar com 21 anos e ter 5 filhos como nossos avós, mas o foco hoje claramente é outro. Primeiro EU e se der tempo um dia eu penso em constituir família. Parece meio retrógado o que estou falando, mas confie em mim, constituir família ainda deveria ser nosso foco.

Por último, mas não menos importante, vejo como um desvio de finalidade vocacional. A Bíblia nos mostra que não podemos entender o nosso trabalho como maldição, um mal necessário para conseguirmos um dinheiro para vivermos o que sonhamos.

Temos que entender que Deus nos deu dons e talentos para servir aos outros e sinalizarmos o reino do Cristo. Devemos trabalhar para exercer nossa vocação, para mudarmos o mundo em que vivemos e não para conquistá-lo.

Paulo provavelmente foi o personagem bíblico que mais viajou e tinha planos de ir até o confins da terra, mas não era para simplesmente conhecer e aprender mais, mas para exercer sua vocação e missão.

Você que é novo, não pense que esse texto é para depreciar sua geração, pois sei que a minha teve muito mais erros e equívocos dos quais me envergonho, mas leia esse texto como conselhos de alguém que está vendo que esse novo foco de vida não vai levá-los para um lugar melhor que a minha geração.

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