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A força do amor

Amor fortalece resiliência. Todo o que ama é positivo – ele não vacila em abrir mão do que não lhe toca a alma

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Sexta-feira, 20 Junho de 2014 as 1:18

amorVivemos das nossas escolhas. Nossas decisões brotam dos apetites. Todo sim ou todo não vem do que fascina ou do que ojeriza. Afeto e antipatia criam laço ou desprezo. Paixões engatilham processos que atraem ou afastam. As alternativas que complicam o momento da escolha se reduzem quando amamos. Se a vida parece um mostruário, o amor facilita o instante de apontar e dizer: eu quero esse. As opções para quem quer bem serão sempre diminutas.

Amantes são arrojados. Pelo sorriso do filho, o pai arrisca o futuro. Pela felicidade da amada, o namorado não teme o ridículo. Com os olhos fitos, o afetuoso só busca o que lhe surge como grande desejo – as demais escolhas ficam borradas.

Todo o que ama é teimoso e obstinado. Quando o rapaz afirma, vou conquistar o coração da amada, fracassa advertência de pai, sacerdote, profeta e psicólogo. O coração encantado nunca titubeia.

Amor fortalece resiliência. Todo o que ama é positivo – ele não vacila em abrir mão do que não lhe toca a alma. O bem querer também é negativo – o apaixonado sabe dar de ombros ao que não desperta seus afetos. O que ama corre, abraça quem aprecia e, sem titubear, prefere o caminho excelente.

Ninguém converte ninguém. Qualquer argumento rechaçado pelo coração cai em ouvidos moucos. O fogo do inferno não assusta e o cenho franzido da divindade nunca amedrontam quem segue a voz do próprio coração. Quando alguém decide a respeito de alguma coisa, nada e ninguém, consegue demovê-lo. Na hora em que o rei ordena atacar o exército inimigo, o conselho do general morre, e sua palavra não passa de semente em terreno duro.

Sensibilidade para escutar nasce da simpatia. Disposição de ouvir vem com amizade. Ímpeto de mudar só acontece quando graça precede argumento, credibilidade antecipa explanação e ternura dissipa antagonismo. Delicadeza escancara receptividade.

Diante do sim ou do não elegemos apenas o que nossa alma abraça. Todo esforço de catequizar mingua se não existe empatia entre as pessoas. Todo processo pedagógico carece de amizade. Deus é amor e não adestrador. Daí a fala do profeta repercutir milênios depois: Seduziste-me, ó Senhor, e deixei-me seduzir… [Jeremias 20:7]. A única cruzada que merece adesão é a do amor. Ponto final.

Soli Deo Gloria


- Ricardo Gondim

 

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