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Os bem-aventurados e os mal-aventurados

Mal-aventurados os religiosos. Eles, das verdades fazem dardos

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Segunda-feira, 17 Novembro de 2014 as 1:46

bem e mal

Bem-aventurados os contentes com a vida.
Neles qualquer migalha divina
será bênção dividida.
E toda alegria,
a negação da rotina.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de beleza.
Neles encarna o Filho do Poeta.
Seus versos entrarão na sala da realeza
E só eles perceberão, no inefável,
uma partitura completa.

Bem-aventurados os trapezistas.
Eles no alto circo balançam.
No perigo de viver,
destilam nos mortais, pistas
que só os riscos aguçam.

Bem-aventurados os maratonistas.
Eles correm sem o prêmio esperar,
buscam metas
pela alegria das conquistas
que os anos querem temperar.

Bem aventurados os impotentes.
Eles se sabem incapazes de amar,
se enxergam carentes,
e só esperam o espírito depurar.

Mal-aventurado o africano.
A humanidade o ensinou a pescar
no rio do desengano.
Desgraçado o que aprendeu a descansar
no colchão desumano,
onde o piolho pica até cansar.

Mal-aventurada a mãe que chora
no morro carioca.
Ela que, em toda hora,
contempla o rés do chão traiçoeiro,
nunca terá desforra.
Não há cavalheiro
para o lenço estender
ou a face suavizar na
lágrima que lhe acalora.

Mal-aventurados os velhos.
Eles jazem alucinados
na impura enfermaria.
A cadeia os alucina aprisionados,
por malignos escaravelhos
que pendem nos lustres empoeirados.

Mal-aventurados os generais.
Eles festejam faustos feitos.
Mas, deles é o cálice pleno de ais.
Infelizes nos coitos, eles
sabem que suas mulheres são iguais
às meretrizes menos geniais.

Mal-aventurados os religiosos.
Eles, das verdades fazem dardos.
Deles nascem males rancorosos
que condenam seus convertidos
à eternidade dos medrosos.

Soli Deo Gloria


- Ricardo Gondim

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