Embriagados

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Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:09

 

O conceito bíblico de espiritualidade passou por diversas transformações e incorporou novas formas, conteúdos e justificativas. Uns acham que evoluiu e outros, que regrediu.  
 
Os sinais indicadores desta nova espiritualidade passaram a ser tremer, sugar, babar, arrepios intercostais, contrações musculares, quedas e olhos virados.  
 
Estes sinais foram construídos pelos pentecostais e Neo, que lhes deram grande visibilidade pois constituem o maior e mais barulhento entre os evangélicos (Cerca de 85 %). 
 
O cultivo do Fruto do Espírito cedeu lugar para a busca de euforia espiritual não normatizada. Uma espécie de mística existencialista, de avaliação mais pessoal, portanto, inquestionável para os seus usuários. Suas revelações procuram o reconhecimento sobrepondo a elas frases e expressões como: Deus me mostrou, falou ou eu sonhei, vi, senti, etc.  
 
Tudo isto é medido pelas sensações e pela percepção individual de Deus que cada um tem. É claro que isto pode virar uma Babel doutrinaria com sensações e interpretações diferentes a respeito do que Deus disse. Geralmente estas questões são resolvidas dando preferência pela opinião de quem possui uma patente maior. Questionar o sentir da liderança pode ser visto como ofensa, incredulidade e rebeldia.  
 
O selo da aprovação divina pode vir carimbado por impressões diversas. Alguns precisam ver um fogo, fumaça, vento, barulho, silêncio, brilho ou nuvem. Outros esperam pingos de óleo, de chuva, sensação de calor ou de frio. Há também os mais gulosos, que esperam passar por tudo isto de uma só vez.
 
Embora conste na cartilha confessional do grupo, que a Bíblia é a única regra de fé e prática, no dia a dia isto não se confirma totalmente. Provavelmente esta frase foi copiada da confissão de fé de uma Igreja reformada e ali ficou, de propósito ou acidentalmente.
 
A Bíblia enfatiza sinais comportamentais, como verdade, justiça, amor, consideração, misericórdia, etc. A espiritualidade crista pede um culto racional, sem desprezar suas manifestações mais emotiva. Não poderia ser diferente, visto que fala a pessoas portadoras da capacidade de pensar e de sentir. 
 
Antes de usar estes ingredientes no culto, devemos reconhecer que a diferença entre o remédio e o veneno esta na dose. Podemos construir um ambiente festivo, mas também de reflexão, aprendizado e desafios comportamentais, profissionais e ministeriais.
 
 
por Ubirajara Crespo
 
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