"A Bíblia jamais colocaria a mulher em situação de perigo", diz pastora sobre violência doméstica

Organizado pela Diaconia, o seminário "Justiça de Gênero" abordou diversos subtemas relacionados à violência doméstica e destacou a importância de que a Igreja se posicione contra este mal.

fonte: Guiame, João Neto

Atualizado: Segunda-feira, 30 Março de 2015 as 4:36

A pastora Anete Roese (à esquerda) e Maria da Penha (à direita) foram as palestrantes convidadas para o Seminário "Justiça de Gênero", realizado pela Diaconia, em Fortaleza (CE).
A pastora Anete Roese (à esquerda) e Maria da Penha (à direita) foram as palestrantes convidadas para o Seminário "Justiça de Gênero", realizado pela Diaconia, em Fortaleza (CE).

Nos últimos dias 27 e 28 de março, aconteceu na Igreja Batista Alvorada, em Fortaleza (CE), o Seminário "Justiça de Gênero", realizado pela Diaconia, em parceria com o Instituto Maria da Penha. O evento tratou sobre temas alarmantes para a sociedade atual, como a violência doméstica (abusos contra crianças e mulheres).

Entre as palestrantes convidadas para abordar os diversos subtemas neste encontro, estiveram a pastora Anete Roese (Igreja Luterana de Belo Horizonte) e Maria da Penha (fundadora do instituto Maria da Penha), que se tornou um símbolo da batalha contra violência doméstica no Brasil.

Entre oficinas, exposições de painéis e palestras, panoramas sobre a violência contra a mulher foram traçados nos mais diversos setores, como social e até mesmo religioso.

Ao citar a importância de um posicionamento firme da Igreja com relação à violência contra a mulher, pastora Anete destacou que a Bíblia tem sido usada de maneira distorcida para justificar a opressão exercida por homens sobre suas esposas.

"Tentar justificar a violência [física ou psicológica] contra a mulher se baseando em passagens bíblicas que falam sobre a liderança masculina no lar é distorcer a Palavra. A Bíblia jamais colocaria a mulher em situação de perigo dentro do seu próprio lar. Se um líder espiritual prega sobre liderança masculina por este viés, isto tem que ser questionado", destacou.

Maria da Penha
Quem também teve a oportunidade de falar sobre o assunto, foi Maria da Penha, que aproveitou para compartilhar um pouco de sua história com os participantes do encontro.

A fundadora do Instituto que atualmente viaja por diversos estados brasileiros, buscando conscientizar os cidadãos sobre a gravidade da violência contra a mulher (seja no ambiente doméstico ou externo) também respondeu às perguntas do público e alertou que a violência doméstica é mais comum do que se imagina.

"Muitas vezes, a mulher é vítima de violência por parte de quem um dia prometeu ama-la e protege-la", destacou.

Ao comentar sobre a sua própria história, Maria da Penha confessou que temia pela sua vida, mas se preocupava também com a situação na qual seus filhos poderiam ficar, se fossem criados por um pai violento.

"Eu sempre pedi a Deus: não deixe que os meus filhos fiquem órfãos de mãe. Um dia compartilhei sobre esta minha prece e recebi uma mensagem de uma mulher que disse: 'Maria da Penha, você de fato está viva hoje, porque Deus atendeu ao seu pedido'. Esta mensagem foi muito forte para mim", relatou.

Preconceito
Como se não bastasse a brutalidade que sofreu nas mãos do homem com quem vivia, Maria relatou que ainda sofreu com o preconceito social sobre o seu caso.

"Eu temia pelos meus filhos, quando começassem a namorar / noivar. Talvez as famílias pensassem o que muitas pessoas já haviam sugerido, como 'Ela levou um tiro do ex-marido. Alguma coisa ela deve ter aprontado'. A minha história foi vista desta forma por um tempo", disse.

Atualmente o Insitituto Maria da Penha tem sua sede localizada em Fortaleza (CE) e também conta com representação em Recife (PE).

Para saber mais, acesse mariadapenha.org.br .

 

 

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