Descendentes de Davi entram na Justiça para se apropriar do Monte do Templo

O Monte do Templo, em Jerusalém, é um dos locais mais disputados do mundo. Segundo a tradição judaica, é neste local que será construído o terceiro e último templo nos tempos do retorno do Messias.

fonte: Guiame, com informações de Breaking Israel News

Atualizado: Segunda-feira, 1 Agosto de 2016 as 8:58

O Monte do Templo, em Jerusalém, é um dos locais mais disputados do mundo. (Foto: Reprodução/Wikipedia)
O Monte do Templo, em Jerusalém, é um dos locais mais disputados do mundo. (Foto: Reprodução/Wikipedia)

O Monte do Templo, em Jerusalém, é um lugar sagrado para judeus, cristãos e muçulmanos, sendo também um dos locais mais disputados do mundo. Segundo a Bíblia, este foi o local eleito pelo Rei Davi para construir um santuário que foi concluído por seu filho, Salomão: o Primeiro Templo.

Diante da história iniciada pelo primeiro rei de Israel, um grupo descendentes de Davi abriu um processo na justiça para iniciar uma reivindicação legal do Monte do Templo. Embora o pedido seja juridicamente sólido, existem significativos obstáculos políticos.

Segundo os professores Boruch Fishman e Israel Aurbach, o local foi originalmente comprado pelo rei Davi e ninguém mais comprou o espaço de forma legal. Diante disso, eles concluíram que o Monte do Templo deveria ser repassado como herança aos descendentes do rei.

Para estabelecer uma batalha jurídica, Fishman criou uma entidade legal para representar todos os descendentes do rei Davi, o Canfei Nesharim L'Maan Hakahal (“Asas de Águia para a Assembleia”, em tradução livre). Atualmente, a organização têm registros genealógicos que documentam a linhagem do rei Davi e seus descendentes do sexo masculino.

O advogado da entidade, Baruch Ben Yosef, explica que o Monte do Templo não foi registrado pela Autoridade da Terra de Israel, o que causa uma brecha jurídica. "O fato de hoje o Monte do Templo estar sob a autoridade do Waqf [islâmicos] ou da Jordânia não dá um direito legal à propriedade", disse ele ao site Breaking Israel News.

Ben Yosef afirma que menos de 10% da terra de Israel são propriedades privadas. Mais de 90% de Israel é propriedade do governo, tendo seus registros no Fundo Nacional Judaico e na Administração das Terras de Israel. Quando uma propriedade é comprada em Israel, ela deve ser registrada nessas autoridades. O Monte do Templo, no entanto, não está listado por essas entidades, podendo ser considerado uma propriedade privada.

"Uma vez sendo propriedade privada, as pessoas que são da linhagem do rei Davi tem uma reivindicação legal", conclui Ben Yosef. "Entretanto, a Autoridade da Terra de Israel não vai fazer nada sem uma ordem judicial do Supremo Tribunal".

Disputa religiosa e o fim dos tempos

O Monte do Templo, em Jerusalém, é um dos locais mais disputados do mundo. Foi neste monte, conhecido como Moriá, que Isaque foi levado ao sacrifício pelo patriarca Abraão. Por outro lado, os muçulmanos acreditam que lá teria ocorrido o sacrifício de Ismael, de quem os árabes são descendentes.

Segundo a Bíblia, este foi o local onde foi construído o Primeiro Templo, pelo rei Salomão.  Anos depois de ser profanado e destruído por Nabucodonosor II, em 587 a.C., o Segundo Templo foi reconstruído. O local voltou a ser destruído em 70 d.C. pelos romanos, com exceção do muro que hoje é conhecido como Muro das Lamentações.

Segundo a tradição judaica, é neste local que será construído o terceiro e último templo nos tempos do retorno do Messias.

Atualmente, no local se encontram a Mesquita de Al-Aqsa e a Cúpula da Rocha, uma das estruturas mais antigas do mundo muçulmano. Sob os termos do tratado de paz entre Israel e a Jordânia, o Monte permanece sob custódia da Jordânia. Os judeus israelenses podem entrar no complexo, mas não podem orar ou realizar cerimônias religiosas por lá.

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