150 mil policiais são designados para proteger igrejas durante o Natal, na Indonésia

Autoridades do país - que é de maioria muçulmana - se preocupam com o crescente apoio que o Estado Islâmico tem conseguido entre os extremistas muçulmanos da Indonésia.

fonte: Guiame, com informações da World Magazine

Atualizado: Quarta-feira, 23 Dezembro de 2015 as 11:06

Preocupadas com a ameaça do terrorismo islâmico, autoridades indonésias expediram 150.000 policiais para proteger as igrejas na província de Sumatra do Norte durante a época de Natal.

Autoridades do país - que é de maioria muçulmana - se preocupam com o crescente apoio que o Estado Islâmico tem conseguido entre os extremistas muçulmanos da Indonésia. De acordo com o 'Wall Street Journal', famílias inteiras já se juntaram ao grupo terrorista, na Síria e no Iraque.

O comissário da Polícia de Medan, capital de Sumatra do Norte, Hamam Wahyudi disse em 11 de dezembro, que a protecção de todas as igrejas já existentes está sendo planejada, devido ao maior risco de um ataque, de acordo com o site 'Today Online'.

"Também estamos contando com o apoio da Brigada Móvel [motim da polícia]", disse Wahudi.

Bombardeios e outros tipos de ataques terroristas já aconteceram em Natais anteriores. A rede terrorista islâmica, Jemaah Islamiyah é suspeita de uma série de atentados realizados na véspera do Natal no ano 2000, que mataram 18 pessoas. O Centro Nacional Anti-terrorismo diz que o grupo formado na década de 1990 tem o objetivo de criar um Estado islâmico, abrangendo vários países, da Tailândia às Filipinas.

Mesmo sem um ataque que segue os "padrões do Estado Islâmico", a perseguição muçulmana da minoria cristã acontece em muitas partes da Indonésia. Já em 2006, o governo também havia tornado mais difícil a construção de novas igrejas.

Os muçulmanos incendiaram igrejas e pressionaram o governo a demolir templos, uma vez que o Decreto Conjunto de 2006 sobre Casas de Adoração entrou em vigor. A lei foi lançada com o objetivo de promover a "harmonia religiosa", mas levou à perseguição. Isso requer que os não-muçulmanos obtenham 60 assinaturas de pessoas de outras religiões e obtenham permissão oficial do governo antes de construir qualquer igreja. Mais de 1.000 igrejas foram fechadas na Indonésia, desde que a lei aprovada, de acordo com a agência cristã 'Evangelical Focus'. Inúmeros outros templos ainda não foram construídos.

O governo pode derrubar qualquer igreja que não tenha licenças apropriadas, embora cristãos afirmem que as autoridades ignoram muitas mesquitas não registradas, de acordo com Raymond Ibrahim, um autor e palestrante sobre o Islamismo.

Na província de Aceh, que faz fronteira com o norte de Sumatra, muçulmanos radicais incendiaram uma igreja em outubro de 2015, depois que as autoridades exigiram o fechamento das igrejas não registradas.

Escrevendo para Instituto Pedral, Ibrahim informou a multidão de muçulmanos incendiou uma igreja, mesmo depois de as autoridades locais concordarem em derrubar em demolir os templos não registrados dentro de duas semanas. Além disso, a igreja que foi incendiada não estava na lista de templos a serem demolidos. Quando a multidão tentou atear fogo a uma segunda igreja, a violência eclodiu entre muçulmanos e cristãos e pelo menos uma pessoa morreu baleada. Milhares de cristãos fugiram da região.

Um líder islâmico em Aceh disse: "Nós não vamos parar de assombrar os cristãos e queimar as igrejas. Os cristãos são inimigos de Allah", disse Ibrahim.

Dias após a violência da multidão em Aceh, funcionários Sumatra do Norte decidiram fechar várias igrejas em sua província. De acordo com a CBN, Em Java Ocidental, o governo fechou todas as igrejas cristãs em uma cidade, mesmo aquelas registradas legalmente.

Apesar da perseguição, os pastores na Indonésia dizem que o cristianismo está crescendo. Depois de ser preso por pregar em um 'culto ilegal', o pastor Bernard Maukar disse à CBN ele pregou para cristãos e muçulmanos na prisão. Outro pastor, Kaleb Manurung também disse que a população de cristãos está crescendo.

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