Após ataques, cerca de 650 famílias cristãs sírias fogem de aldeia armênia

A cidade de Kessab foi tomada por combatentes ligados à Al Qaeda

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Quinta-feira, 3 Abril de 2014 as 3:46

KessabNo dia 21 de março, a cidade de Kessab, próxima à fronteira da Síria com a Turquia, e prodominantemente cristã, começou a ser palco de ataques.

Um pastor armênio sírio mandou uma carta à agência de notícias World Watch Monitor relatando que os combatentes da frente Al-Nusra e ISIS (Islamic State of Iraq - Estado Islâmico do Iraque e Sham – o maior na Síria) adentrou o noroeste da Síria a partir da Turquia e assumiu progressivamente o controle sobre a cidade no mesmo dia.

Segundo ele, um dia depois de os combatentes ligados à Al Qaeda tomarem conta da cidade, cerca de 650 famílias/três mil pessoas fugiram para as montanhas e se refugiaram a cidade costeira de Latakia, cerca de 50 km ao sul de Kessab. Desde então, não há notícias sobre os que ficaram para guardar propriedades familiares.

"Ao assumir o controle, os rebeldes profanaram igrejas, pilharam casas e destruíram edifícios do governo", escreveu o pastor. A mídia armênia diz que 80 armênios foram mortos no ataque.

Fontes que contataram a Comissão de Liberdade Religiosa da Aliança Evangélica Mundial (Religious Liberty Commission of the World Evangelical Alliance) declararam que o exército sírio lançou uma contra-ofensiva no sábado, 22 de março. Consta no relatório do RLC: "No domingo, 23 de março, chegaram reforços jihadistas. Os armênios restantes foram feitos reféns, casas foram saqueadas e igrejas profanadas. Naquela tarde, aviões de combate turcos derrubaram um jato Air Force MIG-23 sírio que estava dando suporte às forças terrestres da SAA para repelir os jihadistas".

De acordo com a Turquia, o MIG-23 adentrou 1,2 quilômetros do espaço aéreo turco, mas a Síria nega. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (Syrian Observatory for Human Rights) - um grupo ativista sediado no Reino Unido - afirmou que os relatórios iniciais da área sugeriam que o avião teria caído no lado sírio da fronteira.

A derrubada do avião Air Force sírio tem sido interpretada por armênios locais como conivência da Turquia no avanço dos rebeldes islâmicos, trazendo à tona memórias do genocídio armênio liderado pela Turquia há cem anos. De fato, o pastor escreveu: "Ele não apenas nos traz (esse evento) à memória, como é própria a continuação do último genocídio".


com informações da Portas Abertas

 

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