Câmara dos EUA reconhece que Estado Islâmico pratica genocídio contra os cristãos

Os parlamentares foram unânimes em reconhecer que os crimes praticados pelo Estado Islâmico contra minorias religiosas / étnicas no Iraque e a na Síria configuram genocídio.

fonte: Guiame, com informações do Christian Today

Atualizado: Terça-feira, 15 Março de 2016 as 9:12

Militantes do Estado Islâmico executam prisioneiros cristãos para mais um registro sangrento de suas atrocidades. (Foto: Daily Mail)
Militantes do Estado Islâmico executam prisioneiros cristãos para mais um registro sangrento de suas atrocidades. (Foto: Daily Mail)

Legisladores dos Estados Unidos votaram por unanimidade na noite da última segunda-feira (14), para aprovar uma moção que declarou que o tratamento de cristãos e outras minorias religiosas pelo Estado Islâmico caracteriza "genocídio".

A Câmara dos Representantes votou por 393 a zero, apoiando a resolução que afirma que "as atrocidades perpetradas pelo Estado Islâmico contra os cristãos, iáziges e outras minorias religiosas e étnicas no Iraque e na Síria constituem crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio".

O parlamentar Jeff Fortenberry, que apresentou a proposta, disse: "Quando o Estado Islâmico marca como alvo, sistematicamente os cristãos, Yazidis e outras minorias étnicas e religiosas para o extermínio, esta não é apenas uma grave injustiça - é uma ameaça à própria civilização. [...] Devemos chamar esta violência pelo seu nome próprio: genocídio".

Ele foi apoiado pela liderança republicana na Câmara, depois que o presidente Paul Ryan e o líder da maioria Casa, Kevin McCarthy apoiaram o movimento.

Espera-se que o resultado dessa votação venha a colocar ainda mais pressão sobre o Governo Obama, para que faça o mesmo: também reconheça o genocídio. Se o secretário de Estado John Kerry tomasse a medida incomum de declarar um conflito em curso como genocídio, colocaria obrigações significativas sobre os EUA, para intensificar a sua intervenção noconflito do Oriente Médio.

Quando questionado sobre a demora do governo em usar o termo para definir a situação das minorias religiosas / étnicas no Oriente Médio, o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest disse que a palavra "gencodídio' envolve uma determinação legal muito específica, que neste momento, ainda não foi atingida".

No entanto antes da votação, o porta-voz do Departamento de Estado John Kirby disse que não esperava que qualquer resolução votada na Câmara se tornasse um fator na decisão.

Apesar de parte dos adversários do Estado Islâmico serem muçulmanos, o grupo terrorista é acusado de marcar especificamente como alvos, minorias religiosas, incluindo iáziges e cristãos.

O Parlamento Europeu já aprovou uma moção que qualifica as atrocidades como genocídio, mas o Parlamento do Reino Unido ainda tem de fazê-lo, apesar da pressão significativa de parlamentares e grupos de campanha.

Além da votação sobre genocídio, na segunda-feira a Casa também votou teve 392 votos contra 3 para aprovar uma resolução separada, que acusou o presidente sírio, Bashar al-Assad de crimes de guerra. O movimento declarou que a Casa "condena veementemente o uso continuado da violência ilegal e indiscriminada contra a população civil por parte do Governo da Síria, seus aliados, e outras partes envolvidas no conflito".

A votação dessa segunda-feira veio após o lançamento de um relatório detalhado, que documenta a perseguição enfrentada pelos cristãos na Síria e no Iraque sob controle do Estado Islâmico. O relatório de 278 páginas, elaborado pelas organizações 'Cavaleiros de Colombo' e 'Em Defesa dos Cristãos', após temores serem levantados de que Kerry poderia reconhecer como um genocídio, os crimes contra yazidis, mas não aqueles cometidos contra os cristãos.

O Departamento de Estado tem até a próxima quinta-feira para decidir formalmente se os crimes do Estado Islâmico equivalem a um genocídio, mas acredita-se que o prazo imposto pelo Congresso vai ser perdido. No entanto Steve Oshana, diretor do grupo de campanha 'Demanda por Ação', disse que ele acreditava que o governo Obama já tinha tomado uma decisão.

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