China liberta pastor que se opôs à demolição de cruzes das igrejas

O pastor Gu Yuese e também um advogado cristão foram libertos da prisão antes que o presidente chinês viajasse para participar da Cúpula sobre Segurança Nuclear, realizada em Washington. Apesar de sair da prisão, o pastor continua sob vigilância.

fonte: Guiame, com informações do Christian Today

Atualizado: Quarta-feira, 6 Abril de 2016 as 10:38

Pastor Gu Yuese liderou a Igreja Chongyi - sancionada pelo Estado e uma das maiores da China - mas foi preso e posteriormente demitido, após protestar contra a remoção de cruzes das igrejas, ordenada pelo Partido Comunista. (Imagem: Facebook)
Pastor Gu Yuese liderou a Igreja Chongyi - sancionada pelo Estado e uma das maiores da China - mas foi preso e posteriormente demitido, após protestar contra a remoção de cruzes das igrejas, ordenada pelo Partido Comunista. (Imagem: Facebook)

Um pastor chinês que foi detido depois de se opor à remoção de cruzes das igrejas na província de Zhejiang foi liberto recentemente, porém ainda continua sob "vigilância residencial".

O Rev. Gu Yuese era o pastor sênior da Igreja Chongyi - sancionada pelo Estado e uma das maiores da China - na província de Zhejiang. Após ser preso por se opor ao programa de remoção de cruzes das igrejas, também foi "demitido pela igreja".
Pastor Gu foi detido pela primeira vez em janeiro e, em seguida, foi preso em fevereiro sob a acusação de desvio das finanças da igreja.

De acordo com a organização 'China Aid', tanto o Pastor Gu, quanto o advogado cristão, especializado em direitos humanos, Zhang Kai foram liberados antes da visita do presidente Xi aos Estados Unidos, para a Cúpula sobre Segurança Nuclear, em Washington DC, que se iniciou na última quinta-feira (31).

Também na China, a advogada cristã de direitos humanos, Ni Yulan foi impedida de viajar para os Estados Unidos, onde iria receber o "Prêmio Internacional Mulheres de Coragem".

Ni, que foi previamente presa e torturada, teve o seu pedido de novo passaporte recusado, aparentemente por causa de sua ligação com advogados detidos em uma "incursão policial" do dia 9 de Julho, na qual mais de 300 advogados, ativistas, familiares e associados foram interrogados, detidos, presos e alguns permanecem desaparecidos.

Ni e seu marido também foram forçados a deixar a sua casa após a pressão ter sido aplicada pela polícia sobre o seu agente da propriedade. Seu marido Dong Jiqin foi agredido fisicamente e ambos foram arrastados para fora de sua casa.

Mervyn Thomas, diretor executivo da organização cristã 'Solidarity Worldwide', disse: "Congratulamo-nos com notícia da libertação do Pastor Gu, mas ainda nos preocupamos que ele não esteja realmente livre, sendo que ainda está sob vigilância residencial. Nós também estamos profundamente preocupados com relatos de que a advogado Ni Yulan tem sido impedida de viajar para os EUA e foi despejada à força de sua casa".

"Parabenizamos a Sra. Ni que foi indicada a este prêmio, em reconhecimento dos seus esforços incansáveis ​​e corajosos para defender os direitos dos peticionários e outros cidadãos na China. A CSW apela às autoridades chinesas que concedam a Ni Yulan, um passaporte, que cessem toda a perseguição e intimidação contra ela e seu marido, e defendam o direito dos advogados na China de exercerem a sua profissão sem interferência".

"Nós também instamos a China a eliminar as restrições ao Pastor Gu e a garantir o direito à liberdade religiosa ou de crença para os cristãos e outras comunidades religiosas da China".

veja também