Criança cristã relata horror de ataques islâmicos à sua casa: "O teto caiu sobre nós"

Uma garota de 11 anos de idade recordou a noite que extremistas islâmicos furiosos incendiaram a casa de sua família, por suspeitarem que os cristãos estavam tentando transformar uma casa em templo cristão.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Sexta-feira, 5 Agosto de 2016 as 12:05

Grupos internacionais de defesa dos Direitos Humanos, como o 'Christian Solidarity Worldwide' (CSW) pediu à Câmara dos Deputados do Egito para promulgar leis que protejam o direito à liberdade religiosa. (Foto: Reuters)
Grupos internacionais de defesa dos Direitos Humanos, como o 'Christian Solidarity Worldwide' (CSW) pediu à Câmara dos Deputados do Egito para promulgar leis que protejam o direito à liberdade religiosa. (Foto: Reuters)

Crianças cristãs coptas no Egito falaram sobre o terror que sofreram em ataques de muçulmanos radicais à comunidade cristã, enquanto um dos principais bispos do país pede ao Presidente Abdel Fattah al-Sisi que haja mais proteção do governo aos cristãos.

Uma garota de 11 anos de idade recordou a noite que extremistas islâmicos furiosos incendiaram a casa de sua família, na aldeia de Kom El Louf em Minya, por suspeitarem que os cristãos estavam tentando transformar uma casa no templo de uma igreja.

"Eu estava aterrorizada. Vi homens derramando gasolina em feixes de madeira e jogá-los sobre o nosso telhado. Quando o teto começou a cair sobre nós, meu pai nos puxou para fora", disse Susana Khalaf, em entrevista ao jornal 'Financial Times'.

Ibrahim Khalaf, o pai da menina, disse que os cristãos estão sendo pressionados por aldeões muçulmanos a retirarem suas queixas contra a polícia, mas ele disse que a justiça precisa ser feita, sendo que sua casa e outras residências de cristãos foram destruídas.

"Eles nos dizem: 'se vocês não concordarem [em retirar as queixas], haverá sangue. Você tem filhas que podem ser sequestradas. Os serviços de segurança não vão ficar na aldeia para sempre, protegendo-os", contou o pai de família.

Cristãos em diversas aldeias viram suas casas destruídas por multidões de extremistas muçulmanos, com acusações semelhantes. Grupos internacionais de defesa dos Direitos Humanos, como o 'Christian Solidarity Worldwide' (CSW) pediu à Câmara dos Deputados do Egito para promulgar leis que protejam o direito à liberdade religiosa, para que grupos - como os cristãos - tenham liberdade de culto.

O assessor de imprensa da CSW, Kiri Kankhwende disse em julho que as chamadas "reuniões de reconciliação" - que forçaram as vítimas cristãs a retirarem as acusações contra seus agressores muçulmanos - não podem ser um substituto para a devida justiça, porque "elas impõem condições inconstitucionais sobre as vítimas da violência sectária e perpetuam a impunidade dos autores dos ataques".

"O Estado de direito deve ser acolhido e deve incluir serviços de segurança em todo o país que sirvam cada comunidade, sem discriminação em razão da religião", acrescentou.

Houve inúmeros outros ataques contra os cristãos, bem como um no mês de maio, no qual uma senhora idosa foi arrastada para fora de sua casa, despida e espancada nas ruas por causa de um boato de que seu filho estava tendo um caso com uma mulher muçulmana.

O bispo Makarios de Minya disse que o presidente do Egito deve fazer reforçar suas promessas com ações concretas.

"Há uma diferença entre o que o presidente diz e aquilo que ele implementa no poder executivo", disse Macário. "Temos sido pacientes e compreensivos, mas muitos coptas sentem cada vez mais que ele tem de tomar um posicionamento mais forte".

 

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