Cristã egípcia pede que as pessoas não orem pelo fim da perseguição religiosa

A cristã egípcia Maryam disse que a perseguição religiosa está fortalecendo a fé dos cristãos. "Não ore para que a perseguição acabe. Mas ore para que os cristãos lá, tenham ousadia, coragem e para que sua fé seja testemunhada".

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Quarta-feira, 10 Agosto de 2016 as 11:20

Há mais de 1 milhão de cristãos no Egito que vieram de uma "tradição islâmica", segundo a Maryam informou. (Foto: Comentator)
Há mais de 1 milhão de cristãos no Egito que vieram de uma "tradição islâmica", segundo a Maryam informou. (Foto: Comentator)

O plano de Deus para o Egito e o Oriente Médio está "funcionando perfeitamente", mesmo que os cristãos da região estejam sendo cada vez mais perseguidos. A afirmação foi feita por uma cristã do Egito aos fiéis de uma igreja dos EUA, no último domingo (7).

A mulher cristã - que é conhecida pelo pseudônimo de "Maryam" por motivos de segurança - foi encorajada por um grupo de seis pastores e líderes ministeriais dos Estados Unidos a viajar aos EUA e compartilhar a história de perseguição religiosa que ela e sua família sofreram e falar sobre a fé dedicada, expressa frequentemente pelos cristãos no Oriente Médio.

No domingo passado, Maryam visitou a Igreja Batista, em Gadsden, Alabama (EUA) e compartilhou a história de como seu pai foi condenado a seis meses de prisão, depois que ele se queixou à polícia sobre um homem muçulmano, que estava bloqueando a entrada de sua loja e ameaçando matá-lo, além de dizer que iria desfigurar suas filhas com ácido.

"Eu vou deixar você e sua irmã ser órfãos", disse Maryam, recordando as palavras do homem muçulmano.

Embora seu pai tenha tentado registrar uma queixa contra o homem na polícia, ele foi mandado embora e as autoridades 'aconselharam' que ele devia "perdoar o homem muçulmano". Mas depois que o pai de Maryam foi agredido fisicamente, ele voltou à polícia pela segunda vez e um boletim de ocorrência foi finalmente registrado. No entanto, o extremista islâmico alegou que o pai de Maryam também o havia ferido.

Em vez de o homem muçulmano ser preso pelas ameaças de morte e pela agressão física, ele foi libertado, enquanto o juiz sentenciou o pai de Maryam à prisão.


Superação
Como um todo, a perseguição e o assédio são lutas diárias na vida dos cristãos egípcios e de países do Oriente Médio, segundo relatou a mulher.

Maryam também falou sobre a agressão física que sofreu no Cairo, em seu caminho para o aeroporto, pouco antes de viajar para os EUA, Ela disse que foi agredida por homens muçulmanos, porque ela não se curvou aos padrões fundamentalistas estritos e deixou de cobrir seu cabelo.

"Eu estava andando pela rua e atrás de mim havia três rapazes. Eles começaram a me insultar e fazer outras coisas do tipo. Eu apenas continuei andando. Eles seguravam pequenas pedras e começaram a atirá-las em mim", disse ela. "Eles gritaram em voz alta: 'Cubra seu cabelo!'. Essa é a vida diária. Todos os dias estamos diante de situações como essas e é muito difícil".

Embora os cristãos no Ocidente possam ver a perseguição como uma algo ruim, Maryam e muitos outros cristãos do Oriente Médio visualizam a perseguição como um fator importante para ajudar a Igreja a se manter crescendo em uma parte do mundo que é hostil ao evangelho.

Cristãos Egípcios protestam contra a perseguição relgiosa. (Foto: Reuters)

"A perseguição está ficando cada vez pior", disse Maryam. "Mas, por outro lado, na verdade, isto que me incentivou, incentivou a minha fé, incentivou a minha igreja, encorajou todos os cristãos no Egito e a Igreja está crescendo".

Maryam explicou que, enquanto alguns muçulmanos radicais estão brutalmente matando, perseguindo os chamados 'infiéis' e afirmam estar agindo em nome de Alá, muitos outros muçulmanos no Oriente Médio estão começando a abrir os olhos e se questionarem sobre a religião que eles defendem.

"Muitos muçulmanos agora estão confusos sobre o que está acontecendo. Muitos deles estão se perguntando: 'Quem é esse Deus, cujo nome é Alé e ordena que as pessoas matem em seu nome?", disse ela. "Eles estão confusos e eles estão pedindo e perguntando agora sobre o Estado Islâmico e sobre o que está acontecendo".

"Estamos conversando com eles e pedindo-lhes: 'Por favor, abra o Corão e pesquisar o que está escrito", Maryam continuou.


Contexto

Maryam disse que agora há mais de 1 milhão de cristãos no Egito que vieram de uma "tradição islâmica". Ela disse que conheceu um padre, que sozinho, evangelizou mais de 6.000 muçulmanos nos últimos cinco anos.

"Não temos medo nem estamos preocupados com aumento da perseguição religiosa. Estamos apenas sentindo que este é o tempo de Deus", disse Maryam. "Deus está trabalhando perfeitamente agora no Egito e no Oriente Médio. Mesmo com todas essas coisas loucas acontecendo, Deus está realmente trabalhando agora".

"Então, eu quero encorajá-lo: é claro, você precisa orar por nossos irmãos e irmãs no Egito e em todo o Oriente Médio, que sofrem por serem cristãos, mas eu estou pedindo para vocês façam uma oração diferente", propôs Maryam aos que estavam presentes naquela igreja do Alabama. "Não ore para que a perseguição acabe. ... Mas ore para que os cristãos lá, tenham ousadia, coragem e para que sua fé seja testemunhada, para o crescimento da obra de Deus".

O pastor sênior da Igreja Batistya Meadowbrook, Randy Gunter, que já havia visitado o Egito e conheceu Maryam em abril, disse ao 'Christian Post' na última terça-feira, que ele também se reuniu com um líder cristão egípcio muito respeitado chamado "Amir" durante sua viagem.

Amir disse a Gunter que as experiências que os cristãos têm enfrentado desde a revolução egípcia de 2011 são "incríveis".

"Não ore para que a perseguição religiosa acabe. Isto é orar na direção errada da Bíblia", disse Gunter lembrando as palavras de Amir. "O que Deus nos permitiu enfrentar nos últimos cinco anos foi incrível".

"Nós poderíamos ver a face de Jesus em meio a todo o caos", acrescentou Amir. "Os cristãos estão mantendo esperança, ao passo que os muçulmanos em torno de nós não o fazem, se questionam".

 

veja também