Cristão finge ser muçulmano para não ser morto pelo Estado Islâmico: ‘tivemos que negar nossa fé’

"Os pistoleiros chegaram perto para procurar os cristãos. Eles disseram que iriam matar os infiéis, então eu cortei a cruz do meu pescoço e joguei fora. Eu falo árabe, então eu fingi que não era cristão, que eu oro para o deus deles, e eles acreditaram em mim", relata Aman, um dos cristãos refugiados.

fonte: Guiame, com informações de The Christian Post

Atualizado: Quinta-feira, 23 Abril de 2015 as 10:06

Migrantes descansam depois de desembarcarem no porto siciliano de Augusta. (Reuters/Antonio Parrinello)
Migrantes descansam depois de desembarcarem no porto siciliano de Augusta. (Reuters/Antonio Parrinello)

 

Cristãos refugiados fugiram da Líbia por uma rota perigosa ao atravessar o Mar Mediterrâneo, onde milhares de pessoas morreram tentando escapar, em barcos, da perseguição religiosa. Mas durante a fuga, alguns foram forçados a negar a Cristo diante das ameaças de militantes do Estado Islâmico (EI).

"Nós somos cristãos, mas tivemos que negar a nossa fé ou então os pistoleiros iriam nos matar, cortar nossas gargantas e as nossas cabeças", disse Haben, um dos refugiados ao jornal britânico Daily Mail. "Eu tenho amigos da Eritreia e do Egito que foram mortos porque eles são cristãos. Os homens o rodeiam segurando [um fuzil] Kalashnikov, pedindo a sua fé. Se você é cristão, o levam para longe e o matam. Eles cortaram sua cabeça ou atiram em você. Isto é o que eles têm feito com centenas de cristãos.”

Haben, de 19 anos, e seu irmão mais novo Samuel, de 14 anos, escaparam da Líbia depois de comprarem assentos em um barco que ia em direção à Mineo, na Grécia. Mineo se tornou um refúgio temporário para milhares de cristãos e membros de outros grupos religiosos minoritários, na tentativa de escapar da perseguição nas mãos dos militantes do EI, que buscam estabelecer um califado em toda a África.

Haben e um amigo de Samuel, Aman, disseram que cada um deles pagou 2 mil dólares para a viagem à barco, mesmo não havendo garantia alguma de liberdade ou proteção. Foi o primeiro passo, no entanto, em um plano para encontrar segurança.

"O barco deixou a Líbia e nós ficamos no mar por dois dias antes de sermos resgatados", disse Aman. "Fomos levados para o porto e, em seguida, para um acampamento com outros refugiados. Mas não vamos ficar aqui. Estamos indo para Roma e depois para outros países. Queremos trabalhar e construir uma boa vida."

Os rapazes, no entanto, estavam entre os ‘sortudos’. Cerca de 1.300 pessoas foram afogadas nas últimas duas semanas, tentando escapar da Líbia. Na semana passada, uma dúzia cristãos que fugiam da África foram atirados ao mar de um barco por migrantes muçulmanos, enquanto tentavam escapar. Cerca de 15 homens foram presos sob suspeita de ‘homicídio agravado múltiplo, motivado por ódio religioso’.

Lançados ao mar

"Cerca de um dia e meio para a passagem [do Mediterrâneo], a um certo ponto, alguns muçulmanos começaram a protestar contra nós, cristãos, só porque praticamos uma religião diferente. Muitos disseram que eles deveriam nos atirar para o mar. Depois das ameaças, nos encontramos em mar aberto e não muito tempo depois, eles começaram a atirar alguns cristãos no mar", disse Yeboah, de Gana à polícia.

"Eles tentaram jogar a mim e outros cristãos que estavam a bordo, mas não conseguiram porque eu segurei no barco, e um se agarrou ao outro. Nós resistimos por uma hora e só paramos quando o barco de resgate chegou", relata Yeboah.

Enquanto Yeboah e outros cristãos conseguiram se salvar, formando uma corrente humana, Aman e seus amigos tiveram que esconder suas verdadeiras identidades no barco.

"Eu tinha uma cruz de madeira, mas eu tive que jogá-la fora para manter a minha vida", disse Aman. "Os pistoleiros chegaram perto para procurar os cristãos. Eles disseram que iriam matar os infiéis, então eu cortei a cruz do meu pescoço e joguei fora. Eu falo árabe, então eu fingi que não era cristão, que eu oro para o deus deles, e eles acreditaram em mim."

A Líbia está atualmente em um estado de agitação, com a tentativa do EI em assumir o governo. Os cristãos e outras minorias religiosas estão sendo mortos em um ritmo cada vez maior, tanto no país como ao tentar fugir para áreas de segurança.

veja também