Cristão que escreveu cartas da prisão com seu próprio sangue é homenageado nos EUA

Armando Valladares passou 22 anos na prisão, em Cuba, por se recusar a colocar em sua mesa de trabalho, uma placa que dizia 'Estou com Fidel Castro'. "Para mim, dizer essas palavras teriam constituído uma espécie de suicídio espiritual", disse.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Sábado, 14 Maio de 2016 as 8:14

Armando Valladares (esquerda) e sua esposa Martha (direita), durante o recebimento do prêmio Medalha de Canterbury, pela perseguição religiosa que sofreu por 22 anos em Cuba. (Foto: Christian Post)
Armando Valladares (esquerda) e sua esposa Martha (direita), durante o recebimento do prêmio Medalha de Canterbury, pela perseguição religiosa que sofreu por 22 anos em Cuba. (Foto: Christian Post)

O artista e poeta cubano Armando Valladares, que passou 22 anos na prisão ("gulag") sob o regime de Fidel Castro por se recusar a colocar uma placa em sua mesa no trabalho, que dizia: "Eu estou com Fidel", foi premiado com a Medalha de Canterbury na última quinta-feira (12), em Nova York. O prêmio é a mais alta honraria concedida pelo Fundo Becket para a Liberdade Religiosa.

Valladares pintou e escreveu poesias durante seu tempo na prisão, usando todos os materiais disponíveis a ele, tais como medicamentos, nylon queimado, e até mesmo o seu próprio sangue.

Na última quinta-feira à noite, no jantar oficial do Prêmio Medalha de Canterbury, algumas das pinturas originais de Valladares estiveram em exibição no 'Pierre Hotel', onde ele foi homenageado.

As pinturas, juntamente com alguns das cartas / poesias de Valladares, foram levadas clandestinamente para fora da prisão e depois para fora de Cuba por sua esposa, Martha, que as publicou, alcançando a aclamação da crítica. Este ano marca o 30º aniversário do livro de memórias de um homem de 78 anos, reconhecido como um best-seller pelo New York Times, "Contra Toda a Esperança: Uma Memória de Vida na Gulag de Castro".

Em oito dos 22 anos que passou na prisão, Valadares foi deixado nu em confinamento solitário. Ele também foi torturado com espancamentos implacáveis ​​e passou por 16 greves de fome, uma das quais o deixaram de cadeira de rodas por anos. Ele também vivia em constante medo de ser executado no paredão de fuzilamento.

Sua esposa lançou uma campanha internacional por sua libertação e a Anistia Internacional o adotou como 'prisioneiro de consciência'. Ele foi liberto em 1982.

Ao receber o prêmio na última quinta-feira, ele disse que acreditava que Deus o escolheu para empreender o movimento extraordinário de desafio.

"Eu não sou um homem extraordinário. Na verdade, sou bastante comum, mas Deus me escolheu para ser algo bastante extraordinário", disse Valladares ao público presente, com a ajuda de um intérprete.

"Quando eu tinha 23 anos, me recusei a fazer algo que parecia muito pequeno na época. Eu me recusei a dizer as palavras: 'Estou com Fidel Castro'. Em primeiro lugar, eu rejeitei a ordem de colocar uma placa na minha mesa. Depois de anos de tortura e vendo muitos dos meus companheiros de cela morrerem, eu ainda me recusei a dizer essas palavras", disse ele.

Armando Valladares tornou-se um dos símbolos da luta pela liberdade religiosa em Cuba, após passar 22 anos preso, por se recusar a apoiar o governo de Fidel Castro. (Foto: Fundo Becket)

"Se eu tivesse dito aquelas palavras, a tortura teria terminado e eu teria sido imediatamente liberto da prisão. Minha história tem demonstrado que um pequeno ato de desafio pode significar tudo para os amigos da liberdade. Eles não me deixaram na prisão por 22 anos por causa da minha recusa em dizer essas palavras que, aparentemente não significavam nada. Na realidade, essas palavras significavam tudo. Para mim, dizer essas palavras teriam constituído uma espécie de suicídio espiritual. Mesmo que meu corpo estivesse na prisão, sendo torturado minha alma estava livre e florescendo", continuou ele.

Valladares convidou o grupo de influentes advogados de liberdade religiosa para defenderem suas consciências em todos os momentos.

"Mesmo quando não temos nada, cada pessoa possui a chave para a sua própria consciência, o seu próprio castelo sagrado. Sendo assim, cada um de nós que nós não podemos ter um castelo terreno ou mesmo uma casa, cada um de nós é mais rico que um rei ou rainha", disse.

"Eu estou aqui para dizer-lhe que cada pequeno ato conta. Nenhum homem ou mulher é muito pequeno ou muito simples demais que não possa ser chamado a dar testemunho da verdade. Eu estou aqui para lembrá-los que cada um de vocês possui uma grande riqueza no sagrado domínio de sua própria consciência. Eu estou aqui para dizer-lhes que cada um de vocês é chamado a permanecer fiel a essa consciência", disse ele.

"Eu também estou aqui para dizer que, quando você faz essa escolha, não desista, mesmo que seja como aconteceu comigo, ficando oito anos em confinamento solitário. Oito anos com baldes de excremento e urina atirado em mim. Estou aqui para dizer-lhes que vocês nunca estarão sozinhos, porque Deus estará com vocês", acrescentou ele, seguido de mais aplausos.

 

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