Em carta, pastor agradece por estar preso na China: "Me trouxe para mais perto de Deus"

"Este é um bom lugar para descansar, onde estou isolado do resto do mundo. Isso me trouxe para mais perto de Deus", escreveu o pastor Yang Hua, que está preso desde dezembro de 2015, na China.

fonte: Guiame, com informações do Gospel Herald

Atualizado: Quinta-feira, 28 Julho de 2016 as 10:17

Pastor Yang Hua está preso desde dezembro de 2015, na China. (Foto: Free Yang Hua)
Pastor Yang Hua está preso desde dezembro de 2015, na China. (Foto: Free Yang Hua)

Um pastor que está preso na província central de Guizhou (China) por causa de sua fé cristã, revelou que ele se sente grato por seu tempo na prisão, porque isso permitiu que ele se aproximasse ainda mais de Deus e "ouvisse melhor a voz do Senhor".

Li Guozhi, um pastor que atende pelo pseudônimo de Yang Hua e lidera a Igreja Huoshi, foi levado sob custódia da polícia no dia 09 de dezembro de 2015, depois que ele tentou impedir os oficiais de confiscarem arquivos da igreja, de acordo com um relatório da China Aid.

Meio ano depois, o pastor escreveu uma carta à sua esposa, descrevendo como Deus está usando este momento de dor e incerteza para a Sua glória.

"Este é um bom lugar para descansar, onde estou isolado do resto do mundo. Isso me trouxe para mais perto de Deus", escreveu o pastor na carta. "Eu não posso mais ouvir o som do clamor, mas posso ouvir melhor a voz do Senhor."

O pastor acrescentou: "descanso genuíno não tem nada a ver com o ambiente. Não importa se as ondas são silenciosas ou se há rugidos do mar, nossos corações descansam em [Deus], ​​assim como uma criança que acabou de mamar dorme nos braços de sua mãe. Quero agradecer Deus para usar este método especial para presentear nossa casa. Vamos aceitar e nos alegrar com um coração agradecido".


Prisão
As autoridades chinesas condenaram Yang a cinco dias em detenção administrativa, um dia depois dele cometer "o crime de obstrução da justiça" e mais tarde o acusaram de "reunir uma multidão para perturbar a ordem social". Sua sentença foi estendida para mais cinco dias.

O pastor deveria ter sido liberto no dia 20 de Dezembro (2015), porém quando sua esposa foi buscá-lo na prisão, viu funcionários colocando-o em um veículo não licenciado e o vestindo com uma capa preta.

Posteriormente, ela soube que a pena do pastor havia mudado e que ele estava sendo transferido para a casa de detenção criminal por "posse ilegal de segredos de Estado". A prisão de Yang foi oficialmente registrada no dia 22 de janeiro.

Em uma reunião posterior com os seus advogados, Chen Jiangang e Zhao Yonglin, Yang contou como os oficiais o torturavam quando ele se recusava a confessar os crimes dos quais era acusado, incluindo esmagar seus dedos do pé e ameaçar matá-lo, além fazer ameaças à sua família. Como resultado, Chen e Zhao processaram os oficiais por "usarem de métodos de tortura para extorquir uma confissão" e pediram que a lei seja aplicada corretamente sobre eles.

Estima-se que até 2030, a China possa ter a maior população cristã do mundo, com 200 milhões de cristãos. (Foto: Reuters)



Apesar das suas circunstâncias sombrias, Yang incentivou sua esposa a se manter firme no Espírito Santo e continuar a orar por seus perseguidores.

"Após este tempo, minha vida espiritual será ainda mais diferente da canção que diz: 'Uma multidão inundou o meu Reino, mas eles não queriam a carregar a cruz'. Você poderá cantar essa música", escreveu ele.

"Que as palavras de Deus a tornem mais forte", acrescentou o pastor. "Você deve orar sempre. Não viva na fraqueza e na confusão. Este é o plano de Satanás. Seja cheia do Espírito Santo e deixe os impasses espirituais. Buscque [cumprir] todos os decretos do Senhor. Remova todos os pensamentos e vozes negativas de sua vida".


Repressão
Em um esforço para impedir o crescimento do cristianismo na China, o governo lançou uma campanha em 2013, que já implicou na remoção de mais de 1.500 cruzes de igrejas no país, além das diversas demolições de templos.

De Julho a Setembro de 2015, a China deteve ou prendeu mais de 250 advogados, pastores e ativistas de Direitos Humanos por protestarem contra as remoções das cruzes e as demolições dos templos.

O país comunista é colocado na posição de número 33 da lista de perseguição religiosa da Missão Portas Abertas.

A organização cristã 'China Aid' lançou uma campanha para libertar o pastor Yang Hua.

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