Filipe Coelho fala da campanha pela libertação do pastor Saeed, no Irã

Filipe Coelho fala da campanha pela libertação do pastor Saeed, no Irã

Atualizado: Quinta-feira, 20 Fevereiro de 2014 as 8

Filipe CoelhoFilipe Coelho participa do Centro Americano de Lei e Justiça como diretor de operações no Brasil, e é envolvido na proteção de liberdade religiosa em todo o mundo. 
 
Atualmente, Coelho está engajado na campanha pela libertação do pastor Saeed Abedini, que está detido em uma das prisões mais perigosas do Irã.
 
Abedini é um ex-muçulmano nascido no Irã que sofreu discriminação de autoridades islâmicas quando se converteu ao cristianismo em 2000. Ativo nas igrejas cristãs iranianas, mesmo em meio à perseguição, ele começou a ser mais reprimido em 2005, com a chegada de Mahmoud Ahmadinejad no governo, então ele e a esposa foram para os Estados Unidos.
 
Em uma visita anterior ao Irã, Abedini havia sido detido pelas autoridades iranianas e liberado somente depois de assinar uma declaração, dizendo que concordava em interromper as atividades da igreja doméstica no país.
 
No entanto, em uma visita feita em 2012 ele foi formalmente preso, sob a acusação de atentar contra a segurança nacional e condenado a oito anos de prisão.
 
Recentemente, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, se pronunciou publicamente apelando às autoridades do Irã que libertem Saeed.
 
Em entrevista ao GUIAME, Filipe Coelho falou sobre o apelo de Obama, a campanha 'Save Saeed', e o envolvimento da igreja. Confira:
 
GUIAME: O pastor Saeed Abedini foi preso e condenado em 2012 sob a acusação de atentar contra a segurança nacional. Há algum fundo de verdade nessa acusação?
 
Filipe Coelho: Nenhuma verdade nisso. Ele foi preso quando foi visitar o orfanato no qual ele ajuda no Irã. Foi preso por apenas ser um cristão. 
 
GUIAME: Você está engajado na campanha 'Save Saeed'. Que tipo de ação tem sido feita?
 
FC: Nesse caso específico criamos a campanha Save Saeed. Tenho visitado 10 igrejas por mês falando e pedindo ajuda sobre o caso do Pr. Saeed. Pedimos que as pessoas tirem uma foto segurando uma placa ou com a camiseta 'Save Saeed', e, em seguida, que usem suas redes sociais para postar essa foto usando a frase #savesaeed. Assim achamos a foto e enviamos para a mídia internacional. Hoje já temos mais de duas mil fotos de pessoas que participaram na campanha. Temos fotos também de igrejas de até doze mil pessoas segurando uma faixa dizendo Save Saeed, ou seja, já alcançamos dezenas de milhares de pessoas por onde temos passado. Fora as pessoas que tem participado através da internet. 
 
Já tivemos muitas pessoas conhecidas no nosso meio que tiraram a foto e com isso eles influenciam muitos a fazerem o mesmo.
 
Save Saeed
Pastor Saeed Abedini e sua família
 
GUIAME: Por onde passa, a campanha tem sido bem aceita e abraçada? Ou ainda falta engajamento por parte da Igreja?
 
FC: Sim, por onde passo as igrejas abrem o coração, oram e participam da campanha. A luta maior é que a igreja ore sempre até que Pr. Saeed seja liberto, e que não seja apenas no dia em que visito as igrejas.
 
GUIAME: Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, recentemente também fez um apelo ao governo iraniano para que liberte Saeed. Acredita que a fala de Obama tenha gerado algum avanço para a libertação do pastor?
 
FC: Sim, Barack Obama falou nos EUA pedindo a libertação de Saeed. Cremos que isso pode sim ajudar no caso, mas também pode prejudicar, pois ele não tem um bom relacionamento com o Irã. É uma faca de dois lados. 
 
GUIAME: Se até o presidente americano já fez apelo, de que forma ainda é possível apelar, de forma eficaz, ao governo iraniano?
 
FC: No governo estamos tentando agendar uma reunião com o Lula, pois foi ele quem criou um relacionamento com o Irã e a ajuda dele pode fazer uma grande diferença. 
 
Agora, a melhor maneira é através da oração e união do nosso povo. A oração do povo pode sim fazer milagres e com isso cremos que Deus vai libertá-lo em breve. 
 
Temos acesso direto a ele, sua esposa e seus filhos. Cremos que quando ele for liberto, ele virá ao Brasil para poder contar o testemunho de vida.
 
GUIAME: Que mensagem você deixa às pessoas como um incentivo para que elas se interessem por casos como o do pastor Saeed e outros semelhantes a este?
 
FC: Na bíblia diz que devemos orar pelos presos como se fossem nós mesmos, ou ter compaixão pelos que sofrem como se fossemos nós sofrendo. 
 
Peço às pessoas que orem, que participem da campanha, talvez as pessoas achem que uma foto ou uma pequena oração não mude nada, mas com Deus tudo pode mudar. Temos que fazer nossa parte. É um servo de Deus que se negasse sua fé seria solto e estaria de volta nos braços de sua mulher e dois filhos, mas não, ele preferiu ficar longe de sua família, sofrer e até mesmo morrer por Jesus Cristo. Será que nós faríamos o mesmo? Fica aí a pergunta.
 
 
Juliana Simioni
www.guiame.com.br
 
 

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