Igrejas africanas se preocupam com a "medicalização" da mutilação genital feminina

Na África, meninas colocam sua vida em risco retirando parte de suas genitálias como ritual para arranjar um casamento, e a igreja tem lutado contra isso.

fonte: Guiame, com informações de Religion News Service

Atualizado: Sábado, 10 Janeiro de 2015 as 3:20

 

A igreja tem se envolvido em campanhas contra a Mutilação Genital Feminina (MGF) na África, um procedimento realizado por hospitais para a remoção parcial da genitália externa da mulher como parte do rito tradicional de passagem da infância para a vida adulta.

Médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde estão secretamente realizando os procedimentos, a pedido das famílias. De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS), os profissionais de saúde tem realizado cerca de 18% dos casos de MGF.

"Assim como o aborto, os hospitais estão realizando o MGF por dinheiro", disse o Reverendo Richard Nyangoto. "Os hospitais não fazem o procedimento corretamente", acrescentou Nyangoto. "Esse é o mal."

Os hospitais querem melhorar a higiene e evitar a infecção, segundo Grace Uwizeye, oficial do programa MGF e Igualdade Agora, uma organização global de direitos das mulheres.

Circuncisadores tradicionais têm sido frequentemente acusados de utilizarem ferramentas não esterilizadas. As consequências imediatas incluem dores intensas e sangramentos, choques, dificuldade em urinar, infecções e até mesmo a morte.

Casos Fatais

Em 2014, de um pai egípcio e um médico foram absolvidos pelo assassinato de Soheir al-Batea, uma jovem garota que morreu na mesa de operação ao se submeter a MGF.

No Quênia, pelo menos, três mortes foram atribuídas à MGF em 2014. Eles incluem Raima Ntagusa, de 13 anos, que sangrou até a morte depois de sofrer o corte, e Alivina Noel, de 16 anos, que sangrou até a morte depois de dar à luz, porque seu corpo não tinha curado do corte.

Em alguns casos, as meninas se submetem involuntariamente ao MGF para se conformar às exigências da família e da comunidade. Algumas meninas se preocupam se não serão capazes de se casar, a menos que se submetam ao procedimento.

A luta da igreja

O MGF causou atritos entre cristãos e culturas africanas nativas, disseram os líderes da igreja. "As comunidades afirmam que é difícil parar uma vez que a prática está profundamente enraizada", disse Judith Nyaata, coordenadora dos Projetos da FGM na Igreja Evangélica Luterana do Quênia.

Nyaata disse que a circuncisão é tratada como parte do casamento – mulheres que sofreram o rito podem ser trocadas por mais vacas como parte de seu dote. Durante o processo de mutilação genital feminina, as mulheres ficam em reclusão e são ensinadas sobre a vida como esposas e mães. Quando retornam para a sociedade, há uma grande celebração.

Políticas Públicas

Os governos africanos têm revelado novas leis que proíbem o MGF, ao lado de estratégias que protegem as meninas contra a prática nociva. Mais de 20 países africanos têm tais leis em suas constituições.

Mas pouco progresso foi alcançado desde 1997, quando a pressão para acabar com o procedimento começou a diminuir, de acordo com a OMS. A organização estima que mais de 125 milhões de meninas e mulheres em 29 países da África e do Oriente Médio foram submetidas a alguma forma de mutilação genital feminina.

"Eu acho que nós ainda precisamos de mais estratégias e medidas para impedir isso", disse Adama Faye, um líder da Igreja Luterana no Senegal, onde o corte é praticado.

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