Igrejas evangélicas brasileiras se expandem e alcançam multidões em Moçambique

Os evangélicos representam 10% da população moçambicana. É a quarta religião mais praticada no país, que tem se popularizado ainda mais, principalmente por causa da forte presença das igrejas evangélicas brasileiras.

fonte: Guiame, com informações de RFI

Atualizado: Segunda-feira, 4 Janeiro de 2016 as 4:45

Casal de missionários brasileiros, do Mato Grosso do Sul, semeiam a Palavra de Deus em Moçambique. (Foto: Igreja Evangélica Assembleia de Deus)
Casal de missionários brasileiros, do Mato Grosso do Sul, semeiam a Palavra de Deus em Moçambique. (Foto: Igreja Evangélica Assembleia de Deus)
As igrejas evangélicas estão formando um novo cenário em Moçambique — e um de seus grandes promotores tem sido a atuação dos missionários brasileiros.

O último censo, divulgado em 2007, revelou que os evangélicos representam 10% da população moçambicana. É a quarta religião mais praticada no país, que tem se popularizado ainda mais, principalmente por causa da forte presença das igrejas evangélicas brasileiras. 

A Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, é uma das mais influentes em Moçambique, no qual está instalada há pouco mais de 20 anos. Tem uma estação de rádio, TV e um templo construído numa das principais avenidas de Maputo, capital do país — sem falar nas pequenas igrejas espalhadas pelas províncias.

A cozinheira Rosa Sumbana é uma das que fazem parte desse grupo que tem se expandido, e garante que vai aos cultos todos os dias. “Tenho motivo para ficar em casa, sem essa paz que eu achei aqui? Não há comparação”, afirma Rosa.

A popularidade das igrejas evangélicas brasileiras em Moçambique poderia até mesmo ser atribuída ao português, uma língua em comum entre os dois países. Mas para o sociólogo moçambicano João Colaço, a pobreza e a vulnerabilidade têm contribuído para a expansão dessas igrejas.

“Apesar de termos saído da guerra há mais de 20 anos, isso não significa, necessariamente, o fim do sofrimento das pessoas. Conseguimos superar alguns problemas, mas surgiram outros: a exclusão social, a pobreza — não somente no meio rural, mas também ao nível urbano — e muitas vezes as pessoas procuram as igrejas quando têm problemas”, explica o sociólogo.

O problema da vida de Rosa Sumbana era a doença do marido. Ela conta que, antes de ser curado, “ele tinha os membros todos atrofiados, o braço, o pé e a boca virada”.

Depois que o marido foi procurar trabalho na África do Sul e nunca mais deu notícias, a empregada doméstica Cristência Sebastião começou a frequentar uma igreja evangélica brasileira. Mãe de duas filhas, ela tem fé que pode ter uma vida feliz, promessa que sempre é ressaltada nos cultos.

Cristência sempre vai à igreja nas horas vagas. Foi o jeito que encontrou para não perder a esperança. “Cada vez que venho aqui, o meu coração se acalma”, conta ela.

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