Lei que proíbe evangelismo passa a valer na Rússia e especialistas avaliam: "Retrocesso"

Advogados de liberdade religiosa acreditam que a "lei de combate ao terrorismo" faz pouco para impedir a ação dos jihadistas islâmicos e coloca como alvo, denominações cristãs minoritárias.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Sexta-feira, 22 Julho de 2016 as 9:20

Presidente russo, Vladimir Putin (direita), primeiro-ministro Dmitry Medvedev (esquerda) e sua esposa Svetlana (centro) participam de uma missa de Páscoa da Igreja Ortodoxa, realizada pelo Patriarcado de Moscou, em maio de 2013. (Foto: Reuters)
Presidente russo, Vladimir Putin (direita), primeiro-ministro Dmitry Medvedev (esquerda) e sua esposa Svetlana (centro) participam de uma missa de Páscoa da Igreja Ortodoxa, realizada pelo Patriarcado de Moscou, em maio de 2013. (Foto: Reuters)


A chamada lei "anti-extremismo" da Rússia, que restringe atividades evangelísticas e missionárias no país entrou em vigor na última quarta-feira e grupos de defesa da liberdade religiosa dizem que estão começando a avaliar o impacto que ela terá sobre os cristãos no país.

"Para os defensores cristãos do interior do país, existem desafios e riscos", disse Gene Kapp, do Centro Americano de Direito e Justiça (ACLJ), em uma declaração ao 'Christian Post', na última quinta-feira.

"Nossa equipe do Centro Eslavo Direito e Justiça [filial de Moscou da ACLJ, que argumentou contra a lei] está em processo de avaliação e análise do impacto das novas diretivas. Eles também estão preparando um material online para fornecer aconselhamento e ferramentas de análise crítica para a comunidade cristã, sobre esta questão vital. Detalhes e o prazo para divulgação deste material ainda estão sendo trabalhados. Vamos ficar com eles e ajudar como for possível".

A lei que está sendo contestada pelo grupo de advogados cristãos teria sido trabalhada em um esforço para combater o Estado Islâmico, de acordo com a revista 'Economist', após o o grupo terrorista ter assumido a responsabilidade pela derrubada de voo russo Metrojet 9268, que caiu na Península do Sinai, no Egito, no ano passado e matou todos os 224 passageiros a bordo.

Muitos advogados de liberdade religiosa, no entanto, acreditam que a lei faz pouco para impedir a ação dos jihadistas islâmicos radicais e, em vez disso, coloca como alvo, minoritárias denominações cristãs não afiliadas ao Patriarcado de Moscou, que é uma das ramificações da Igreja Ortodoxa Russa.

Faith McDonnell, diretor de programas de liberdade religiosa no Instituto de Religião e Democracia, em Washington, DC, disse em uma entrevista ao DailySignal na quarta-feira que "a lei não faz muito a defender a sociedade do terrorismo e apenas impede que os cristãos e outros que não ortodoxos de pregar suas mensagens".

"A Rússia está retrocedendo, voltando a ser o que era antes", acrescentou McDonnell.

O Patriarcado de Moscou (ramificação da Igreja Ortodoxa Russa) tem forte influência no governo de Putin. (Foto: Reuters)


Contexto
Existem dois ramos da Igreja Ortodoxa Russa: o Patriarcado de Moscou e a Igreja Ortodoxa Autônoma da Rússia. O Patriarcado de Moscou é protegido pela nova lei, porque está alinhado com o governo russo há décadas. A Igreja Ortodoxa Autônoma da Rússia, no entanto, é independente e não está isenta da lei.

Em um e-mail enviado para o DailySignal, o administrador da Igreja Autônoma Ortodoxa Russa da América, Dom Andrew Maklakov disse: "Como a Federação da Rússia tem se voltado cada vez mais às suas raízes soviéticas, ao longo dos últimos 25 anos, tem procurado assediar, perseguir e destruir qualquer organização religiosa que possa considerar uma competição com a 'igreja do estado' (Patriarcado de Moscou)".

O Christian Post informou na semana passada, que conforme a nova lei, missionários estrangeiros não serão autorizados a pregar em igrejas, a menos que tenham uma autorização de trabalho por parte das autoridades russas. Da mesma forma, qualquer tipo de discussão sobre Deus com descrentes agora é considerada uma atividade missionária e punível por lei. Outras atividades religiosas, como pequenas reuniões nas casas também não são mais permitidas.

Em um eco estranho da sua era soviética do passado, marcada pela 'KGB', a Rússia também afirma com seu novo "pacote de medidas contra o terrorismo", que "cada cidadão é obrigado a informar às autoridades sobre atividades religiosas ou enfrentará punição para si mesmo".

Sendo apelidada com o sobrenome de sua autora - a parlamentar Irina Yarovaya - a "lei Yarovaya" contém medidas policiais e de "combate ao terrorismo" que concedem às agências de segurança do Estado, a autoridade para acessar as comunicações privadas, regular o proselitismo cristão na internet e exigir que as empresas de telecomunicações armazenem conversas telefônicas, mensagens de texto e vídeos durante até seis meses, para fornecer esses dados ao governo.

A 'Electronic Frontier Foundation', um grupo sem fins lucrativos que tem como objetivo defender as liberdades civis no mundo digital, observou na última terça-feira que Mikhail Fedotov, chefe dos Direitos Humanos de Putin, pediu aos senadores do Conselho Federal da Rússia, que não apoiassem o projeto de lei quando ele estava sendo considerado para possível aprovação.

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