Lei que proíbe o evangelismo é aprovada pelo presidente Vladimir Putin, na Rússia

O projeto de lei da parlamentar Irina Yarovaya - que acabou sendo apelidado com o sobrenome de sua própria autora - teria como propósito "proteger os cidadãos dos terroristas no país", porém acaba punindo os evangélicos e ameaça sua liberdade religiosa.

fonte: Guiame, com informações do Christian News

Atualizado: Segunda-feira, 11 Julho de 2016 as 12:51

O presidente da Rússia, Vladimir Putin sancionou na última quinta-feira (7), um "pacote de medidas de combate ao terrorismo" que contém várias disposições que levantaram preocupações entre os cristãos, incluindo a exigência de que os evangélicos façam o requerimento de uma "autorização do governo" para compartilhar sua fé com outras pessoas.

O projeto de lei da parlamentar Irina Yarovaya - que acabou sendo apelidado com o sobrenome de sua própria autora - teria como propósito "proteger os cidadãos dos terroristas no país e punir severamente aqueles que estejam financiando ou auxiliando o terrorismo".

No entanto, para além dos requisitos sobre registos telefônicos e criptografia de dados on-line, as medidas também incluem procedimentos que podem afetar a atividade missionária em toda a Rússia. Qualquer pregação, atividade evangelística de quaisquer pessoas que desejam compartilhar sua fé com os outros, deve primeiro receber uma autorização do governo por meio de uma organização religiosa registrada.

"Mesmo em uma casa particular, a adoração e a oração só serão permitidas se não houver incrédulos presentes", descreve a organização cristão 'Fundo Barnabé'. "As igrejas também serão consideradas responsáveis ​​pelas atividades de seus membros. Assim, se, por exemplo, um membro da igreja mencionar sua fé em uma conversa com um colega de trabalho, não só o membro da igreja, mas também a própria igreja dele poderão ser punidos ..."

Os infratores podem ser multados em até 780 dólares (para o indivíduo) ou 15.500 dólares (para uma organização). Os missionários estrangeiros poderão enfrentar a deportação, caso violem a lei e / ou falem em igrejas sem uma autorização do governo.

"Isso pode parar a atividade missionária de qualquer pessoa, exceto os representantes, organizações e grupos registrados. Será necessário que todo missionário tenha documentos com informações específicas, provando ligações a um grupo religioso registrado pelo governo", disse Joel Griffith da Associação Evangelística 'Slavic' à agência 'Mission Network News'.

Vários líderes evangélicos escreveram uma carta a Putin, após a lei ter sido aprovada na Câmara, expressando suas preocupações sobre as possíveis ramificações da legislação, que eles acreditam que é uma violação dos seus direitos de liberdade religiosa.

"[Conforme a lei] É obrigação de cada crente, ter uma autorização especial para compartilhar suas crenças, bem como distribuir literaturas e materiais religiosos fora dos locais de culto e estruturas utilizadas. Isso não é só absurdo e ofensivo, mas também cria uma base para a perseguição em massa de crentes, pela violação dessas disposições", afirma a carta.

O Fundo Barnabé acredita que a lei é simplesmente está "usando a desculpa da legislação anti-terrorista para reprimir quaisquer outras igrejas que não sejam filiadas à Igreja Ortodoxa Russa - que está intimamente ligada ao nacionalismo russo".

Griffith diz que, neste ponto, não há como dizer como a lei será aplicada. Os cristãos estão orando para que o texto da legislação seja alterada ou que ela revogada.

 

veja também