Mais de 100 pastores estão presos e correm risco de morte por envenenamento, no Vietnã

Pelo menos 108 pastores estão atualmente presos porque eles se recusaram a registrar ou associar suas igrejas à denominação já reconhecida pelo governo

fonte: Guiame, com informações da Christian Aid

Atualizado: Quarta-feira, 20 Julho de 2016 as 10:50

Cristãos se reúnem em culto no Vietnã. (Foto: Associated Press)
Cristãos se reúnem em culto no Vietnã. (Foto: Associated Press)

Dezenas de pastores vietnamitas que se recusaram a cumprir ordens do governo para registrar suas igrejas domésticas junto a uma única denominação - oficialmente aprovada pelo governo - foram presos e correm o risco de serem envenenados.

De acordo com um relatório da 'Christian Aid Mission', pelo menos 108 pastores estão atualmente presos porque eles se recusaram a registrar ou associar suas igrejas à denominação já reconhecida pelo governo, apesar da pressão das autoridades locais. Igrejas reguladas pelo governo são proibidas de realizar reuniões em grupos menores. Não são permitidas classes de escola dominical para crianças ou adultos, nem reuniões de grupos de jovens ou outros encontros, mas apenas o culto congregacional, que reúne toda igreja no templo.

Além disso, momentos dos cultos, como a santa ceia e a entrega de dízimos e ofertas também são proibidos. Policiais infiltrados asseguram que nada está sendo dito contra o comunismo e a liderança plural não é permitida. O governo aceita que seja nomeado apenas um líder para cada congregação. As crianças também são proibidas de aprender sobre Jesus Cristo, exceto na privacidade de suas casas.

"O governo quer associar todas as igrejas nessa denominação para limitar seu crescimento e ter mais controle", informou um líder cristão, conhecido como 'Su'. "Se os pastores se recusarem a assinar um papel, dizendo que vão se associar e que suas reuniões particulares não irão mais acontecer, eles podem ser presos ou até mesmo espancados".

Na província de Lai Gia, as autoridades forçaram 20 igrejas não registradas - total de 12.000 cristãos - a se associarem à denominação já autorizada e se reunirem em um local que comporta apenas 1.600 pessoas, segundo relatos de Su. Em vez de prender aqueles que resistiram, porém, as autoridades da província aplicaram multas.

"Na última Páscoa, cada igreja que recusou-se a associar-se em congregações da única denominação registrada foi multada em 60 dólares", disse ele, uma quantidade equivalente a mais de metade do rendimento médio mensal de muitos povos tribais das montanhas.

"Na prisão, os pastores estão sujeitos a tortura e condições adversas. O não cumprimento de todas as ordens e regulamentos podem levá-los até mesmo à morte", disse Su, que quase morreu ao passar um total de sete anos e dois meses de prisão entre 1975 e 1985.

"Se você não seguir estritamente as regras, eles podem colocar veneno em sua comida", disse ele. "Então você pega um pouco, e se você sentir algo ou vontade de vomitar, é melhor parar de comer. Algumas pessoas já morreram [envenenadas]".

Cristãos se reúnem clandestinamente em cavernas, evitando a fiscalização do Partido Comunista, no Vietnã. (Foto: oddlysaid)


Contexto
A Lista Mundial de Vigilância Sobre Perseguição Religiosa de 2016 - atualizada anualmente pela Missão Internacional Portas Abertas - colocou o Vietnã na vigésima posição, entre os países onde há menos liberdade religiosa e deu ao país comunista a pontuação máxima na categoria de violência. Os cristãos representam apenas 9,5% da população total do país, que atualmente é de cerca de 92,7 milhões.

Apesar da repressão contínua do governo sobre o cristianismo, a equipe do ministério de Su continuou a ir para várias áreas do país, anunciando Cristo e treinando líderes das igrejas. Há 22 tribos no Planalto Central que não têm nenhuma presença cristã forte e o ministério se estendeu a 10 delas.

Em um esforço para evangelizar as áreas rurais, o ministério envia 10 novos cristãos de várias aldeias à sua base urbana para que estes passem por treinamentos várias vezes por ano, em seguida, os envia de volta para suas comunidades, com o objetivo de pregar o evangelho.

"Isso dificulta o trabalho da polícia de investigar sobre o que eles [missionários] estão fazendo e onde interceptá-los", disse Su.

Os estudos bíblicos evangelísticos chegam a diferentes casas de aldeias para evitar que as autoridades locais descubram sobre estas ações. O ministério também organiza ações para que os convertidos de uma tribo possam chegar a uma tribo vizinha.

"Eles se conhecem como vizinhos e eles podem falar línguas diferentes, mas se entendem bem o suficiente para se comunicar", disse Su.

 

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