Mesmo sofrendo, cristãos iraquianos preferem ficar no Líbano

"Nos tiraram tudo. Viemos em busca de paz e meus filhos seguem traumatizados pelo que viveram", comenta um camponês que fugiu do Iraque com a mulher e três filhos

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Segunda-feira, 1 Setembro de 2014 as 10:19

cristãosMorando no Líbano após fugir do Iraque, muitos cristãos sobrevivem com pouca ajuda e com medo de ser detidos, mas, ainda assim, não pensam na hipótese de voltar ao Iraque.

Em frente a uma igreja em Sad el Baouchryeh, perto de Beirute, alguns iraquianos permanecem debaixo de um sol forte aguardando a repartição de produtos não-perecíveis que o arcebispado conseguiu para ele, em cooperação com ONGs locais.

Zena, que tem cerca de 40 anos e é secretária, reconhece à Agência Efe que sua vida no Líbano é "muito difícil", enquanto tenta pegar uma das 1,6 mil bolsas de ajuda distribuídas. "Meu filho e eu não encontramos trabalho e temos que viver da ajuda que nos dão, enquanto em Bagdá nada nos faltava", lamenta-se.

Nauras, mãe de dois filhos, duvida que a situação em seu país volte à normalidade após o avanço dos jihadistas do Estado Islâmico (IE). "Quem nos assegura que não voltará a acontecer o mesmo. O que vivemos eu não desejo para ninguém", afirma.

Embora a emigração de iraquianos aconteça desde 2003, se intensificou depois que as cidades de Mossul e Qaraqosh foram tomadas pelos radicais. O problema é que no Líbano eles são considerados turistas e não refugiados. Alguns já foram detidos por trabalhar de forma ilegal no país.

"Vivem com o temor de ser detidas, caso encontrem trabalho, e posteriormente repatriadas", dia Ron Merheb, coordenador da ajuda para os cristãos iraquianos no arcebispado caldeu, sobre esses iraquianos.

O bispo caldeu de Beirute, ue supervisiona a entrega da ajuda em Sad el Baouchryeh, assegura à Efe que sua maior preocupação é garantir aos refugiados iraquianos atendimento médico e a escolarização das crianças. Outro desafio também é ajudá-los a pagar aluguel.

No domínio das cidades do Iraque, os jihadistas marcaram as casas das famílias cristãs com um símbolo da letra 'N', que se refere à 'Nazareno'. "Nos tiraram tudo. Viemos em busca de paz e meus filhos seguem traumatizados pelo que viveram", comenta à Efe o camponês Youssef, que fugiu de Mossul com sua mulher e seus três filhos.


com informações da EFE / R7

 

 

 

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