Missionário distribui livros evangelísticos a ciganos e vê grupo se converter, na Bahia

Tradições como ler as mãos e o envolvimento em rituais foram deixadas de lado pela comunidade cigana do município de Monte Gordo, após atuação de missionário.

fonte: Guiame, com informações de Revista Adventista

Atualizado: Sexta-feira, 28 Abril de 2017 as 3:41

Cristãos ciganos realizam culto em tenda nômade, em São Paulo. (Foto: Reprodução/Junta de Missões Nacionais)
Cristãos ciganos realizam culto em tenda nômade, em São Paulo. (Foto: Reprodução/Junta de Missões Nacionais)

Tradições como ler as mãos e envolvimento em rituais tribais foram deixadas de lado pela comunidade cigana do Beco da Cebola, no município de Monte Gordo, na Bahia. A mudança começou há pouco mais de dois anos, depois que missionários passaram a ensiná-los os princípios do Evangelho de Cristo.

Certo dia, Lucas Bispo da Silva, de 30 anos, resolveu entrar na comunidade formada por 60 ciganos para distribuir exemplar do livro “A Grande Esperança”, onde a autora Ellen G. White explora alguns princípios da Bíblia.

A moradora Roberta Adriana de Lima, mãe de três filhos, foi uma das pessoas que receberam o livro. Ela teve contato com uma igreja evangélica quando morava no Rio de Janeiro, mas perdeu o vínculo com a fé após a morte de sua irmã.

No entanto, alguns anos depois, ela passou a acompanhar a programação da Rádio Novo Tempo, que é vinculada à Igreja Adventista, e iniciou uma busca por um templo próximo de sua comunidade.

Roberta descobriu que havia uma igreja em um bairro distante e passou a frequentá-la. Mas para isso, ela teve que enfrentar alguns dilemas e quebrar paradigmas. “Em uma comunidade cigana, as mulheres não podem sair sozinhas, principalmente à noite”, explica.

Algumas mulheres ciganas ficaram curiosas em saber aonde Roberta ia e passaram a acompanhá-la. Todas iam a pé para a igreja, mesmo  com o receio de chamar a atenção de assaltantes — já que os ciganos são conhecidos por usar adornos de ouro.

Percebendo o interesse das mulheres pelo Evangelho, os membros da igreja se ofereceram para abrir um pequeno grupo na comunidade cigana. Porém, a mudança de comportamento do grupo causou uma forte reação por parte de alguns integrantes da comunidade.

Os cultos feitos na comunidade cigana passaram a ser motivo de questionamento por parte de seus líderes. Para encontrar uma saída, os membros resolveram abrir um templo fora da comunidade, mas que ficasse próximo à região. Uma Igreja Adventista foi construída e inaugurada em agosto de 2015.

Provação

Embora tudo parecesse ter saído bem, a situação mais desafiadora na vida de Roberta ainda estava por vir. Seu sogro, João dos Santos, de 80 anos, foi diagnosticado com câncer na próstata e tinha pouco tempo de vida.

“Na tradição cigana, quando alguém morre, o local é desocupado. Por conta disso, meu marido e seus irmãos já tinham decidido que, se o pai morresse, todos iriam embora para outra cidade. Diante disso, eu reunia as demais mulheres, me ajoelhava com elas e pedia a Deus que curasse meu sogro. Depois de tanto esforço para construir uma igreja, não seria justo ir embora e deixar tudo para trás”, conta Roberta.

Com o apoio de Vânia, uma farmacêutica que também frequentava a igreja, João foi encaminhado a um hospital de Salvador e iniciou o tratamento oncológico. Apesar do estágio avançado da doença e dos prognósticos nada animadores, a saúde dele foi milagrosamente restaurada.

Depois de receber alta, o idoso surpreendeu a todos com a decisão de caminhar com Jesus. “Sua vida mudou radicalmente e ele foi batizado. Aquele que antes fumava, consumia bebidas ­alcoólicas, comia coisas que prejudicam a saúde e não gostava de crente se tornou uma nova pessoa”, revela a nora.

Atualmente, mais de 20 ciganos são membros da Igreja Adventista de Monte Gordo.

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