Missionário fala sobre banalização do trabalho humanitário: 'Muitos só querem fotos nas redes'

O Inconformados é um ministério apoiado pela Igreja Batista da Lagoinha e tem a sua sede a poucos metros da Lagoinha Pedreira, igreja pastoreada por Tiago.

fonte: Guiame, com informações da Rede Super

Atualizado: Quarta-feira, 29 Junho de 2016 as 10:13

Tiago Guedes é pastor da Lagoinha em Pedreira. (Foto: Reprodução).
Tiago Guedes é pastor da Lagoinha em Pedreira. (Foto: Reprodução).

O pastor Tiago Guedes, líder do Ministério Inconformados, foi entrevistado pelo programa “De Tudo Um Pouco” da emissora Rede Super e falou sobre o trabalho voluntário realizado pelas igrejas. Para ele, as ações precisam ser realizadas com mais zelo. O Inconformados é um ministério apoiado pela Igreja Batista da Lagoinha e tem a sua sede a poucos metros da Lagoinha Pedreira, igreja pastoreada por Tiago.

“Existe hoje um excesso de muitos trabalhos que levantam voluntários, entregam sopão, caldos para esses lugares. Só que também acabam que as pessoas fazem uma entrega de blusas e cobertores onde elas simplesmente chegam, entregam e eles abrem, pegam lá e jogam no chão. Existe uma negligência dos trabalhos voluntários que quando vão fazer essa ação, eles simplesmente arrecadam, mas quando vão fazer a entrega eles não dialogam com as pessoas, não procuram saber o que está acontecendo ali, não escutam as pessoas. Eles simplesmente jogam”, disse o pastor.

Tiago ainda afirma que além das doações, é importante que haja um reconhecimento tanto das pessoas, quanto do local onde se está fazendo a ação. “As pessoas não estão procurando entender, procurando saber. Não escutam suas histórias, não buscam entender a sua realidade e nem o local. Na Pedreira ou no centro da cidade, hoje se você for lá de noite, você vai ver várias instituições, igrejas evangélicas, católicas, espiritas e ONGs. Todos os dias alguém vai lá entregar uma blusa de frio. A gente hoje não procura fazer um trabalho apenas dessa entrega, mas conversar, procurar entender essas histórias e os moradores reclamam disso também”, pontuou.

O líder ressalta que existem pessoas que só querem publicar fotos nas redes sociais ajudando outras pessoas. “Eles querem as blusas, só que muitos deles já estão começando a rejeitar as blusas. Muitos dizem assim: ‘hoje eu sou católico, amanhã eu sou espírita e depois eu sou evangélico’. Só que eu acho que precisa ter essa negligência, no trabalho. Tem que ter os trabalhos voluntários, mas eu acho que hoje temos visto muitos projetos entregarem por um simples desencargo de consciência. As pessoas só querem ir e tirar uma foto, postar nas redes sociais. Mas, elas não procuram entender a compaixão para com o outro”, disse.

Ministério Inconformados

De acordo com o pastor, O “Inconformados” tem feito a diferença. “O trabalho voluntário acontece do primeiro dia do ano até o último dia do ano. O ‘Inconformados’, um dos nossos trabalhos, é voluntariado o tempo inteiro. E essa força voluntária é muito maravilhosa também nesse período agora”, comentou.

“O nosso foco é muito trabalho. Nós temos uma rede com muitos voluntários. No ‘Ministério Inconformados’ nós temos alguns projetos, principalmente na questão do inverno, com os moradores de rua. Então, a gente tem buscado fazer um trabalho mesmo de campanha do agasalho. Temos um lema que busca trabalhar a generosidade versus a necessidade. Então, Deus levanta pessoas que são generosas. A gente busca acatar a necessidade e nesse momento é a questão do agasalho, pessoas que tem passado frio. Temos um trabalho na Pedreira Lopes bem de perto, porque lidamos com eles 24 horas por dia. Nós vemos a necessidade que eles tem, o frio que eles tem”, completou.

Confira a entrevista na íntegra:

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