A motivação de um coração missionário

Por que sou um missionário? Para desbravar florestas? Para conhecer culturas? Para ter uma vida radical? Hoje respondo da mesma maneira que os jovens morávios, no século 18, fizeram ao obedecerem ao chamado de Cristo: “Para que o Cordeiro, que foi imolado, receba a justa recompensa pelo seu sacrifício, através das nossas vidas”

fonte: Ultimato

Atualizado: Sexta-feira, 4 Julho de 2014 as 2:48

Coração missionário imgComecei a assinar uma revista missionária porque, na minha pobre percepção, era a “National Geographic” evangélica! Nessa revista encontrei, ilustrando um artigo, uma foto de um missionário desbravador na África, no meio da floresta e tudo o mais. Deslumbrando aventuras, pensei: eu não sei o que ele faz, mas é isso o que eu quero fazer. Assim, comecei a me envolver em missões.

Eu sei que essa não é a melhor das motivações, por isso eu agradeço a Deus por eu não ter ido ao campo missionário com ela. Foi no longo tempo de preparo que Deus colocou a motivação no lugar. Os livros, as revistas missionárias, as conversas com missionários, os congressos, os cursos e, sobretudo, a rotina de oração e leitura da Bíblia me ajudaram a formar uma visão missionária.

Entretanto, uma viagem missionária que fiz há alguns anos com minha esposa marcou esta mudança. Passaríamos alguns dias entre um povo não alcançado pelo evangelho, em um campo avançado no meio da floresta; eu fiquei muito empolgado. Quando o missionário daquele povo me viu antes de partirmos para a viagem, ele soltou uma gargalhada: eu tinha posto uma roupa que me fazia parecer uma cópia bem barata do Indiana Jones.

Tivemos um tempo proveitoso com esse povo: fomos para a mata com eles, os vimos caçarem, participamos de rodas de histórias à noite — todas as experiências que minha juventude esperava. No entanto, estas memórias ficaram sobrepostas por outras infinitamente melhores, que eu não estava esperando, como aquela de quando acordei durante a noite e vi uma das famílias, em volta de uma fogueira, lendo a Bíblia. Estas memórias marcaram definitivamente a minha vida. Especialmente o que ocorreu meses depois, quando já estávamos na cidade. O missionário daquele povo portava uma grande notícia: o primeiro convertido, um jovem da aldeia havia entregado sua vida a Cristo! Nós nos encontramos com aquele jovem em um acampamento evangélico, onde ele, no último dia, deu um lindo testemunho. Ele disse que agora entendia a Palavra de Deus, pois os missionários o haviam ensinado o evangelho. Na sequência, ele adorou a Deus em sua própria língua, junto com a família missionária que tinha pregado para ele.

Naqueles dias, aquele rapaz, por meio da pregação dos missionários, havia recebido o tesouro que estava reservado para ele, as insondáveis riquezas de Cristo conquistadas na Cruz, e Deus o recebeu como Filho, e Cristo recebeu sua recompensa. Jesus Cristo, na Cruz, comprou para Deus, com o próprio sangue, um povo para si, escolhido de todas as tribos e nações; e Cristo nos envia para levar esta notícia. Será que haveria algo mais incrível que isso?

Por que sou um missionário? Para desbravar florestas? Para conhecer culturas? Para ter uma vida radical? Hoje respondo da mesma maneira que os jovens morávios, no século 18, fizeram ao obedecerem ao chamado de Cristo: “Para que o Cordeiro, que foi imolado, receba a justa recompensa pelo seu sacrifício, através das nossas vidas”.

Naquele dia, naquele acampamento, eu pensei: “Eu não sei o que esses missionários fizeram, nem como fizeram, mas é isso o que eu quero fazer pelo resto da minha vida!”.


• André Filipe

 

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