Mulher cristã relata que orou pelos assassinos de seu marido, no Quênia: "Não foi fácil"

Educadora no Quênia, uma mulher cristã identificada como Gladys, falou dos ataques horríveis em uma faculdade, em Garissa, no mês de abril, onde militantes islâmicos mataram perto de 150 estudantes cristãos.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Terça-feira, 3 Novembro de 2015 as 9:14

Estudantes universitários de Garissa (Quênia) lamentam a morte de amigos e parentes, após massacre, ocorrido em abril / 2015. (Foto: REUTERS/THOMAS MUKOYA)
Estudantes universitários de Garissa (Quênia) lamentam a morte de amigos e parentes, após massacre, ocorrido em abril / 2015. (Foto: REUTERS/THOMAS MUKOYA)

No domingo (1), cristãos de todo o mundo compartilharam suas histórias de perseguição durante o 'Dia Internacional de Oração' (IDOP), oferecendo orações pelas vítimas e também pelos perpetradores de terrorismo.

A Vigilância de Perseguição da Missão Portas Abertas Internacional trouxe uma série de testemunhos de cristãos em seu webcast ao vivo, do IDOP e respondeu a perguntas pelas mídias sociais sobre estes participantes.

O Presidente da Portas Abertas, David Curry disse que a perseguição aos cristãos em todo o mundo aumentou este ano, com crises internacionais que vão desde as conquistas contínuas do grupo terrorista Estado Islâmico no Iraque e na Síria, passando pela tumulto do Boko Haram na Nigéria, até a opressão das minorias religiosas na Coreia do Norte e uma série de outros casos.

Educadora no Quênia, uma mulher cristã identificada como Gladys, falou dos ataques horríveis em uma faculdade, em Garissa, no mês de abril, onde militantes islâmicos mataram perto de 150 estudantes cristãos.

Gladys morava na cidade e disse que, após o massacre "não havia raiva, mas havia medo". Ela ajudou muitas pessoas a saírem de Garissa. Ela também tinha sofrido a perda de seu marido, Benjamin, que foi morto em um ataque separado por uma multidão muçulmana. Ainda não se sabe quem foram os agressores, mas acredita-se que tenham sido ligados ao grupo terrorista Al-Shabaab - o mesmo que matou os estudantes cristãos.

Benjamin e um pastor cristão com quem ele estava andando foram atacados pela multidão, agredidos até a morte com facões e tiveram seus corpos queimados pelos agressores, para dificultar o reconhecimento.

Depois de saber sobre o que aconteceu com seu marido, Gladys revelou: "A primeira coisa que eu fiz, foi entrar na sala da minha casa, ajoelhar-me à mesa de café e chorar. 'Deus, perdoa-lhes'. Essa foi a primeira coisa que eu disse e eu continuei insistindo: 'Perdoa-lhes, Pai, perdoa-lhes".

Ela disse que orar a Deus para perdoar aqueles que mataram seu marido "foi difícil, não foi fácil".

"Mas uma coisa eu tinha que me permitir fazer: eu tinha que permitir que Deus lidasse comigo em minha dor. A única coisa que eu senti chegando a mim, foi amor. E amo essas pessoas que fizeram isso. Eu tentei com muita força, pensar sobre isso em minha mente, mas meu coração estava me levando totalmente em direção ao amor", acrescentou.

Gladys observou que há uma divisão entre cristãos e muçulmanos no Quênia, mas disse que os cristãos são incentivados a se aproximar dos outros, porque "Cristo é o amor".

"Se você ficar quieto, as pessoas não vão ouvir sobre esse amor", disse ela.

A educadora queniana disse que há muitas maneiras pelas quais os cristãos do Ocidente podem ajudar outros povos durante essas tragédias, como por exemplo, doar dinheiro para causas ou escrever cartas de encorajamento para as pessoas que estão sofrendo. Ela também disse que algumas pessoas se sentem chamadas por Deus para se tornarem missionárias e vão ajudar nestas terras, mas enfatizou que a oração é necessária para uma decisão tão grande.

"A primeira coisa a se fazer é buscar ao Senhor. Pergunte onde Ele quer que você vá".

Quanto às relações entre cristãos e muçulmanos, Gladys disse: "Nós não precisamos temer os muçulmanos. O que é tão diferente entre mim e um muçulmano? O sangue que eu tenho é da mesma cor que o de um muçulmano".

Ela acrescentou que os cristãos e os muçulmanos não acreditam nas mesmas coisas, mas disse que a barreira pode ser quebrada.

"Você quer que uma pessoa para venha a compreender quem é Jesus? Comece orando. Deus rompe as barreiras que estão fazendo com que essa pessoa não veja, realmente. Você não precisa temer um muçulmano", afirmou.

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