O discurso de abertura da Copa do Mundo

Fico a imaginar como seria se o poder público brasileiro - União, Estados e Municípios-, desse as seguintes respostas aos milhares de cidadãos indignados

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Quarta-feira, 21 Maio de 2014 as 4:21

Copa do MundoRealizar a Copa com dinheiro público foi uma violência à consciência do povo brasileiro. Em todo o país pessoas demonstram indignação. A população não merecia isso. O dinheiro do trabalhador contribuinte foi usado para o descartável.

Fico a imaginar como seria se o poder público brasileiro - União, Estados e Municípios-, desse as seguintes respostas aos milhares de cidadãos indignados:

1. Pedir perdão.
2. Assumir o compromisso de consultar o povo da próxima vez.
3. Fazer retornar aos cofres públicos toda a fortuna do superfaturamento que houve nas obras para a Copa, e punir os culpados.
4. Cobrar da Fifa a divisão do lucro astronômico da Copa, a fim de que haja investimento nas áreas carentes do Brasil.
5. Ouvir o povo brasileiro tal como ouve os dirigentes da Fifa, que livre e publicamente cobram das autoridades públicas o cumprimento do que foi combinado.
6. Estabelecer a meta mensurável, que possa ser acompanhada passo a passo pela sociedade, de construir nos próximos anos escolas e hospitais no padrão de excelência dos estádios de futebol da Copa.
7. Recusar gastar tempo com o que não é prioritário.
8. Aprender a cumprir o que promete.
9. Prezar pela comunicação rápida e franca, que evita chegarmos ao ponto em que chegamos, com um país dividido e receoso de que o pior aconteça na Copa.

Um gesto de humildade como esse, contudo, é pouco provável. Marqueteiros profissionais dirão que isso é loucura e tiro no pé.

Quando o povo voltar às ruas, contudo, protestando contra a crise de representação política, dizendo que não se sente representado por ninguém; que nossos governantes preparem-se novamente para a cena patética do ano passado; sumindo, ou aparecendo apavorados na televisão, brancos, tendo que ler o que vão falar, ao se depararem com a justa indignação daquele que pode destituí-los dos seus cargos -o povo.


- Antônio Carlos Costa
ONG Rio de Paz

 

 

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