O Estado Islâmico (ISIS) e a Igreja de Cristo: Dez motivos contra um

A guerra da história da humanidade já possui um vencedor!

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Sexta-feira, 14 Novembro de 2014 as 10:35

isisEsse texto ainda não consiste num estudo minucioso sobre o grupo terrorista ISIS ou Estado Islâmico, embora esse seja um objetivo meu para as próximas semanas (um material maior está sendo preparado com as devidas citações e conteúdo mais sólido). Mas esse primeiro artigo é uma “pincelada” que visa emergencialmente nos alertar acerca dessa ameaça veemente.
A comunidade internacional mostra-se estarrecida com os acontecimentos dos últimos quatro meses no Iraque e na Síria, quando homicídios contra cristãos, yazidis e mesmo muçulmanos menos radicais têm sido cometidos com dose de brutalidade talvez maior do que qualquer ação despótica já registrada na história.
No que tange à igreja de Cristo, o ISIS é sim um inimigo direto, que tem buscado eliminar a presença cristã em cada movimento e na conquista de cada novo território. Não deveríamos nos surpreender, mas mostrar-nos prontos para a batalha em oração e para o socorro às vítimas. Mas é inegavelmente assustador.
Assim, passo a listar dez razões acerca das quais devemos prestar atenção ao ISIS (Islamic State of Iraq and Syria), conhecer suas intenções, orar pela proteção dos territórios pretendidos e cobrir com amor e graça a igreja que sofre em toda a região. Por fim, registro somente uma, uma única e suficiente razão pela qual o ISIS é quem deve temer a igreja de Cristo.

1. O ISIS resume DOUTRINARIAMENTE as intenções sunitas jihadistas – Você já deve ter ouvido falar que esse grupo pretende estabelecer no Oriente Médio um califado. O que nem todos sabem é que essa é uma proposta doutrinária do islamismo sunita, principalmente em sua configuração jihadista radical. Enquanto os xiitas creem que somente uma liderança oriunda da linhagem genealógica do profeta Maomé (a qual denominam o Mahdi)poderia estabelecer-se globalmente entre a comunidade islâmica, os sunitas crêem que o ummah, a comunidade islâmica integral, deve ser unificada sobre um líder supremo, o califa, que representa Allah sem precisar ter com o profeta qualquer vínculo familiar. Os xiitas esperam messianicamente por seu Mahdi, enquanto os sunitas (alguns com maior violência) procuram estabelecer o califado.

2. O ISIS representa HISTORICAMENTE mais uma tentativa de estabelecer um califado – O império islâmico, de acordo com o pensamento sunita jihadista, precisa ter uma base, que é o califado. Isso foi tentado na história outras vezes, por exemplo em Damasco, Bagdá e Istambul (esse último trata-se do califado regido pelos sultões otomanos por 500 anos, durante o império otomano). Dessas localidades, o movimento islâmico dominaria o mundo, segundo suas intenções. É um sonho milenar, oriundo de uma cosmovisão doutrinária, e não de um fanatismo passageiro.

3. O ISIS possui um poder de RECRUTAMENTO maior que qualquer outro grupo terrorista – Não é possível afirmar com precisão, mas estima-se que o exército do Estado Islâmico passe de 40 mil militantes, sendo que muitos desses são estrangeiros. Países europeus como a Inglaterra têm sido um dos principais alvos desse tenebroso recrutamento. Estima-se que, dentre os jovens muçulmanos britânicos (que são muitos, considerando a esmagadora colônia árabe do país e de outras nações européias), haja mais jovens que tenham se candidatado a lutar pelo Estado Islâmico do que pelo exército britânico.

4. O ISIS é LIDERADO por um homem que se auto-proclama autoridade islâmica máxima sobre o mundo atual – Em 4 de julho de 2014, na mesquita central de Mosul (segunda maior cidade do Iraque, hoje completamente dominada pelo ISIS), o líder Abu Bakr al-Baghdadi proferiu um sermão que convocou a comunidade islâmica a obedecer sua liderança tal qual precisam obedecer a Allah e Maomé. Em dado momento do discurso, ele chegou a afirmar que mesmo aqueles que não reconhecessem sua autoridade, que viessem como conselheiros e orientadores, mas que o obedecessem da mesma maneira. Ali, al-Baghdadi tornava-se reconhecidamente o Califa Ibrahim.

5. O ISIS é liderado por um ESTRATEGISTA que nenhum outro grupo conheceu – Não é à toa que o ISIS faz tantos adeptos, os quais não questionam o “messianismo” de um homem auto-proclamado líder espiritual: é que esse homem, de fato, sabe o que está fazendo. Estima-se que Mosul foi conquistada numa luta entre 30 mil soldados do exército iraquiano contra somente 800 do Estado Islâmico. A média é 40 contra 1! Ainda assim, a cidade foi conquistada e o exército bateu em retirada, sem contar que muitos militares foram capturados e trucidados sem piedade. Na Síria, aproveitando-se da fragilidade do país, al-Baghdadi dominou recentemente o norte. O dito califa, que já foi prisioneiro do exército americano (estima-se que por 4 anos, a partir de 2005) na base de Bucca, no sul do Iraque, teria dito aos seus próprios captores momentos antes de sua libertação: “Vejo vocês em New York”.

6. As ações do ISIS configuram CRIME de guerra – Talvez esta seja a mais óbvia de todas as constatações. Mas a brutalidade, a veemência e a absoluta negativa a qualquer forma de negociação constam de um formato de combate auto-proclamado como justo, mas que talvez nem os mais bárbaros conquistadores da antiguidade fossem capazes de executar. Essa brutalidade tem sido comumente usada para comunicar ao mundo, intencionalmente, a postura de que o ISIS não chegou com intenções de negociar.

7. As ações do ISIS configuram QUEBRA DA PRÓPRIA LEI ISLÂMICA – Um elemento inegociável para qualquer linha doutrinária islâmica, respeitado inclusive por sunitas não-jihadistas, é que um muçulmano não pode ferir outro muçulmano. Mesmo um jihadista, em sua essência, crê que sua guerra é contra os infiéis, os não islâmicos, jamais contra os de sua própria fé. É comum que seus radicais dividam o mundo em duas esferas: o dar-al-Islam, que é a casa do Islam, e o dar-al-harb, que é a casa da guerra. Quem não pertence à primeira deve ser visto como um pertenecente à segunda. Mas a guerra é contra os de fora da casa do Islam, jamais contra os de dentro. O ISIS, porém, tem estabelecido sua carnificina também contra muçulmanos xiitas, por exemplo.

8. O ISIS é o grupo terrorista mais RICO que já existiu – Além de contar com o suporte financeiro de indivíduos e corporações de países do Golfo (o que é comum no Oriente Médio), principalmente com foco no conflito da Síria, e além de saquear bancos, metais preciosos e todo tipo de riquezas das cidades conquistadas, especialmente Mosul, o grupo de al-Baghdadi controlou regiões produtoras de petróleo e tem comercializado artigos de antiguidade da região, com valor quase inestimável no mercado negro. A fortuna acumulada passa de US$ 2 bilhões, considerando o que foi contabilizado nos saques e tomadas de controle, fora os armamentos saqueados à medida que os inimigos vão sucumbindo.

9. O ISIS é um grupo que trabalha com mecanismos de SURPRESA E SIGILO, pois mantém estratégias valores não revelados – A verdade é que quanto mais se sabe sobre o Estado Islâmico, menos se parece saber. Não é um novo movimento, mas um movimento que se estabeleceu e se fortaleceu ao longo dos anos. Mas não se sabe ao certo quanto recurso possuem, quão bem conhecem os territórios ocupados, quanto armamento detém, quantos militantes foram agregados e quantos ainda estão por chegar. Tudo o que se sabe é que um califado jihadista está sendo estabelecido, como uma tentativa de constituir um império islâmico que se imprimirá para exterminar toda força que se parecer oposta à sua suposta verdade.

10. O ISIS choca até mesmo o mundo árabe, inclusive OUTRAS FACÇÕES E MOVIMENTOS TERRORISTAS – Anos atrás, pareceria piada dizer que um grupo terrorista seria tão cruel que assustaria a própria Al-Qaeda. Mas esse, na verdade, é o currículo do ISIS: trata-se de um grupo rechaçado pela Al-Qaeda por esta não reconhecer a crueldade de seu modus operandi. O grupo, inicialmente, era um desdobramento regional da própria Al-Qaeda, denominado simplesmente AQI – Al Qaeda in Iraq. Sua organização “mãe”, no entanto, criticava e não reconhecia seus métodos, nem apresentava tanto afinco na intenção de estabelecer um califado (embora a Al-Qaeda também seja sunita), mas concentrava-se na erradicação dos infiéis. A violência da AQI distanciou-a de sua organização original, e com a cisão surgiu inicialmente o ISI (Islamic State of Iraq), que por razões de expansão tornou-se o ISIS (Islamic State of Iraq and Syria).

E QUANTO À IGREJA? UM ÚNICO MOTIVO!

Como cristão, não quero parecer simplista em minha abordagem bíblica, mas é incontestável que nada disso deveria nos surpreender, pois tanto foi biblicamente previsto quanto resume as tendências do mundo onde estamos inseridos.

No entanto, há algo ainda maior que também é biblicamente previsto. Se apresentei 10 razões pelas quais a comunidade internacional e a igreja de Cristo devem estar em alerta acerca do advento e das intenções do ISIS, apresento agora uma única razão pela qual o ISIS deveria desesperar-se acerca da existência da igreja de Cristo e da soberania do Deus que servimos. Trata-se da mais importante constatação escatológica das Escrituras Sagradas, a razão pela qual a igreja de Cristo é orientada biblicamente a crer que deve perseverar: a verdade de que A GUERRA DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE JÁ POSSUI UM VENCEDOR!

Como igreja, não podemos achar que estamos empatados, ou que a guerra possa ser vencida por qualquer dos lados, como num clássico de futebol. Já tem vencedor! É verdade que temos a obrigação de apascentar “as ovelhas que foram destinadas para a matança” (Zacarias 11:4). A matança é prenunciada e inevitável. Mas não há nada que o ISIS ou que qualquer outro grupo possa fazer efetivamente para mudar a história prescrita. Ao Filho do Homem foi dado “domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído” (Daniel 8:14).

A cada cristão da igreja sofredora do Iraque e Síria, por quem tanto oramos, choramos e trabalhamos, quero reafirmar: “Tu, porém, segue o teu caminho até o fim; pois descansarás e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança” (Daniel 12:13). No fim das contas, fique claro que é impossível matar um cristão. O máximo que o ISIS pode fazer é antecipar que nossos irmãos cheguem onde já chegariam de qualquer maneira. A Deus toda a glória!


- Mário Freitas
Missionário da MAIS - Missão em Apoio à Igreja Sofredora

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