O grande benefício do Estado Islâmico ao mundo

O Alcorão é no mínimo ambíguo. Nele se acham bizarrices que justificam a crueldade do EI, mas também se lê mensagens de paz e luz. Alguns mal intencionados podem dizer que a Bíblia nos confunde da mesma maneira. Engano. A Bíblia é costurada pela mensagem de amor do Deus Jeová-Jesus pela humanidade

fonte: Ultimato, Braulia Ribeiro

Atualizado: Quarta-feira, 18 Fevereiro de 2015 as 12:02

Estado islâmico
Estado islâmico

Nos últimos dias o mundo assiste a um espetáculo horrendo que antes da Internet seria impossível. Fomos levados pelo Youtube para dentro de uma realidade que antes só conhecíamos em livros de história medieval. Ali as pessoas são condenadas à morte sem julgamento prévio apenas por serem “infiéis” à religião dos líderes. Homossexuais, prisioneiros políticos, reféns de guerra são todos executados com requintes de crueldade. Os vídeos mais recentes mostram homens atirados de cima de prédios altos e um piloto jordaniano queimado vivo dentro de uma jaula na frente de soldados fardados impassíveis.

O Estado Islâmico estabelece seu domínio de força pelo Iraque e Síria sem pedir desculpas e sem tentar se explicar. Eles são o que são. Se guiam pelas palavras e ações de seu profeta Maomé e pelo seu livro sagrado o Alcorão. Quem estudou história sabe que a inspiração que eles recebem do profeta não é equivocada. Maomé estava longe de ser um pacifista. Conquistou à força da espada toda a península Arábica e ainda apavorou o norte da África. Combateu os infiéis, colecionou escravas sexuais, extorquiu e dominou tribos inteiras.

O Alcorão é no mínimo ambíguo. Nele se acham bizarrices que justificam a crueldade do EI, mas também se lê mensagens de paz e luz. Alguns mal intencionados podem dizer que a Bíblia nos confunde da mesma maneira. Engano. A Bíblia é costurada pela mensagem de amor do Deus Jeová-Jesus pela humanidade. Alá ao contrário só nos pede submissão. O Alcorão não descreve o amor de Alá por seus servos. Em poucos versos se refere a amor e a maioria são sobre o amor que os servos devem a Alá. Existem 27 referências ao que Alá não ama. São 20 referências sobre o que e quem ele ama, todas condicionais. Ele ama quem o ama, ama quem faz o bem, ama quem faz guerra em seu nome. Não, me permitam dizer, não há como dizer que a Bíblia e o Alcorão são semelhantes.

Você já se perguntou por que o Estado Islâmico é tão preciso em promover as imagens dos atos cruéis que comete? Por que o EI não tem pudores em divulgar imagens do inferno que geram? Por que não esconde as atrocidades que comete como a SS nazista fez quase até o fim de seu reino de terror? O que ganham eles em exibir para o mundo o seu arsenal de impiedades?

Se nós conhecêssemos melhor a cultura muçulmana saberíamos que eles ganham pontos com todos que lhes interessam. Só chocam a nós. Aos seus, impressionam. A disputa por status entre eles não se dá na área do amor, da integridade moral, caráter, nem dinheiro, mas na capacidade de conquista, e na crueldade com os infiéis. Altamente equipados, tecnologicamente avançados eles sabem o que lhes rende prestígio entre seu público alvo. Grupos radicais se espelham neles, líderes de movimentos radicais aspiram chegar até o padrão estabelecido pelo EI. No mundo inteiro jovens muçulmanos ou até ocidentais os veem como heróis modernos, ícones de masculinidade e poder.

E agora Iraque? E agora Síria? O Estado Islâmico apresentou a estes países um dilema. O problema não é mais a América, a OTAN, os países ocidentais. A linguagem vitimizada cultivada pelas esquerdas não explica e não lhes resolve o problema real que estão enfrentando. Um Iraque dividido e incapaz de se organizar não pode resistir contra a força imperialista implacável do EI. O Iraque e o que resta da Síria fora do controle deles sabem que combate-los é imperativo.

O Iraque agora tem que optar pelo reino de terror do EI ou organizar-se num estado democrático que vai lhes dar o poder de reagir. Sabem que com eles não há solução diplomática ou negociação possível. Se entender no meio de sua diversidade multi-étnica, se organizar num estado civil forte, escolher uma constituição que agrade a todos não é tarefa fácil. Mas foi o que todos os outros estados organizados do mundo lograram fazer. Eles não tem mais tempo para chorar como um bebê. É tempo de crescer se quiserem salvar sua pele.

O grande benefício do Estado Islâmico foi mostrar ao mundo muçulmano que o problema são eles mesmos. Todos os países islâmicos do mundo hoje sabem quem seu verdadeiro inimigo é. Existem agora para os países árabes ainda de pé e organizados, dois caminhos claros. Se eles continuam permitindo e financiando o terror e grupos radicais perdem “face” se pedirem ajuda ao ocidente para combater o EI. Se proclamam que o Estado Islâmico é uma anomalia e não uma expressão fiel do islamismo terão de parar de fazer vista grossa ao extremismo comum em seus territórios da Palestina ao norte da África. Terão de se alinhar com valores ocidentais e convencer ao mundo e a si mesmos que não são o EI. Estas decisões são tanto de natureza prática quanto ideológica. Agora a porca vai torcer o rabo.

Se você ora pelo mundo árabe é um bom momento de por seus joelhos no chão.

 

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