ONG Cristã é acusada de financiar terroristas e diz estar 'em choque' com a notícia

Segundo investigações, um membro do Hamas teria se infiltrado na ONG Visão Mundial, em Gaza, e acabou desviando milhões de dólares da organização cristã em 'doações' para o grupo terrorista.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Domingo, 7 Agosto de 2016 as 4:50

Terroristas do Hamas. (Foto: Reuters)
Terroristas do Hamas. (Foto: Reuters)

O líder da organização não-governamental cristã Visão Mundial ('World Vision') disse que ele e a ONG estão chocados com as alegações de que um de seus funcionários teria direcionado milhões de dólares do orçamento da organização para o grupo terrorista palestino 'Hamas'.

Em um comunicado publicado em seu site oficial na última quinta-feira (7), a Visão Mundial - que vem operando em Israel e nos territórios palestinos há mais de 40 anos - disse que "entrou em choque" ao saber das acusações contra Mohammed El Halabi, gerente de operações de sua filial, em Gaza.

As autoridades de segurança israelenses prenderam Halabi no dia 15 de Junho, na fronteira de Gaza e o manteve detido na prisão estadual por várias semanas, antes de acusá-lo formalmente pelo fornecimento de apoio financeiro ao Hamas, no dia 4 de agosto.

Um funcionário governamental não identificado do Shin Bet - Serviço de Segurança Interna de Israel - disse ao 'New York Times' que o Hamas tinha recrutado Halabi há 12 anos e o instruiu a infiltrar-se na ONG cristã.

Por volta de 2010, Halabi tornou-se o gerente de operações da base da Visão Mundial em Gaza e tinha sumariamente começado a desviar cerca de 60% do orçamento anual da base para o grupo terrorista. A 'World Vision' disse que patrocina mais de 4,1 milhões de crianças em todo o mundo, incluindo cerca de 40.000 que vivem na Faixa de Gaza e Cisjordânia, informou a revista 'Times'.

O 'Shin Bet' alega ainda que o Hamas usou esse dinheiro desviado para comprar armas e cavar túneis para que os terrorista pudessem transpor barreiras e atacar Israel. Halabi também é acusado de iniciar um duvidoso "projeto de efeito estufa" a fim de ocultar locais de escavação de túneis esses terroristas.

De acordo com o jornal israelense Haaretz, o Shin Bet também afirma que a "contribuição de 80.000 dólares de britânicos para ajudar famílias carentes e apoiar projetos civis em Gaza foram usados para construir uma bae Hamas na cidade de Beit Hanun (Gaza), para pagar os salários dos ativistas do Hamas e bônus para os membros que tinham lutado contra Israel na guerra de 2014".

Halabi está contestando as acusações.

Seu advogado, Mahmoud Mohammed, disse ao Haaretz na última quinta-feira, que seu cliente nega que ele esteja ligado ao Hamas e argumenta que como a investigação já dura tanto tempo, isso demonstra que a prova é questionável.

Desde que o Hamas controla totalmente toda a Faixa de Gaza - sendo que Israel retirou-se completamente em 2005 - "membros armados da organização pegaram o que quiseram para formar seus depósitos de armazenagem da organização terrorista", disse Halabi aos investigadores.

"Israel pode ligar qualquer um que vive na Faixa de Gaza ao Hamas", disse o advogado de Halabi, acrescentando que seu cliente "não pertence à organização nem é afiliado ao Hamas".

O oficial de segurança do Shin Bet declarou enfaticamente que, à luz da seu longo interrogatório com Halabi e as investigações - eles também entraram no escritório da Visão Mundial em Jerusalém - e não existem evidências, sugerindo que a 'World Vision' tinha qualquer conhecimento do mau uso de seus recursos nas mãos de Halabi.

Em seu comunicado à imprensa, a 'World Vision' afirmou que os seus programas em Gaza estão regularmente sujeitos a "auditoria interna e independente, avaliações independentes e uma ampla gama de controles internos, visando assegurar que as doações cheguem aos beneficiários pretendidos e sejam utilizados em conformidade com as leis aplicáveis ​​e exigências dos doadores" e prometeu "analisar cuidadosamente qualquer evidência apresentada e tomará as medidas adequadas com base nas evidências".

"Continuamos a apelar para um processo justo, legal", a organização concluiu.

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