Irã exige fiança abusiva para que pastor seja absolvido de falsas acusações

A cobrança sobre o pastor Yousef Nadarkhani vem somar mais um capítulo à complexa história de luta contra perseguição religiosa que o líder cristão tem vivido no Irã.

fonte: Guiame, com informações da CSW

Atualizado: Terça-feira, 26 Julho de 2016 as 3:20

Pastor Yousef Nadarkhani foi preso pela quarta vez no Irã. (Foto: CSW)
Pastor Yousef Nadarkhani foi preso pela quarta vez no Irã. (Foto: CSW)

A agência 'Christian Solidarity Worldwide' ('CSW') - que apoia a Igreja Perseguida em todo o mundo - informou na última segunda-feira (25), que Yousef Nadarkhani - já absolvido da acusação de apostasia em 2012 - está sendo novamente cobrado pelo para que pague uma fiança abusiva se quiser se livrar de falsas acusações contra ele.

De acordo com fontes da 'CSW', Pastor Nadarkhani foi convocado para o depor no 13º Tribunal Revolucionário em Rasht (Irã), no dia 24 de julho, novamente acusado e condenado a pagar uma fiança de 100 milhões de Touman (aproximadamente 33.000 dólares). Caso ele não pague a quantia até o dia 31 de julho, ele poderá ser preso novamente.

O pastor Yousef também foi acusado de ser sionista e foi informado de que ele não tinha o direito de evangelizar no país.

No dia 13 de maio, o pastor e sua esposa, Tina Pasandide Nadarkhani, foram presos depois que policiais do Serviço Iraniano de Segurança (VEVAK) invadiram sua casa em Rasht. A ação policial foi somada a parte de uma série de ataques que visaram aproximadamente 10 famílias cristãs.

Yousef e sua esposa foram libertos pouco tempo depois de sua prisão, mas três membros de sua congregação, Mohammadreza Omidi (Youhan), Yasser Mossayebzadeh e Saheb Fadaie, permaneceram detidos na prisão de Lakan, perto de Rasht.

Os membros da igreja de Yousef só foram liberados após pagar fianças no valor aproximado de 33.000 dólares. Apesar de terem sido libertos, os homens ainda estão sendo acusados pelas autoridades iranianas.

Pastor Yousef Nadarkhani, com esposa e filhos. (Foto: Christian Post)


Histórico de lutas
Com uma saga composta por prisões e libertações repetidamente ao longo de cerca de 10 anos, pastor Yousef é um exemplo do que a CSW tem apontado como estratégia de intimidação do governo iraniano contra o cristianismo no país.

2009: Yousef Nadarkhani é preso pela primeira vez em outubro, por ter protestado contra um dever de casa que exaltava princípios islâmicos e havia sido recebido por seus filhos na escola e também por tentar registrar formalmente a sua igreja perante as autoridaes do país.

2010: Pastor Yousef é condenado à morte por enforcamento, sob acusação de 'apostasia'. No entanto, o Supremo Tribunal do Irã pediu um novo julgamento do seu caso, em Rasht. Apesar do pedido do Tribunal, o pastor aguarda o julgamento na prisão.

No mês de junho, as autoridades também prendem sua esposa para pressionar Yousef a se converter ao islamismo. Nadarkhani e sua esposa também são ameaçados de que ambos perderiam a guarda de seus filhos e as crianças seriam entregues a uma família muçulmana, mas ambos se mantiveram firmes em sua fé cristã. Pasandide foi liberta posteriormente.

2011: Durante audiências realizadas em setembro, Nadarkhani é informado pelas autoridades iranianas de que ele teria três oportunidades de se converter ao islamismo e renunciar a sua fé cristã, tendo assim todas as acusações contra ele retiradas. Mas ele novamente recusou a proposta.

2012: Yousef foi absolvido das acusações de apostasia pelo tribunal de Rasht e foi liberto da prisão em setembro de 2013. O tribunal, no entanto, o condenou a permanecer por três anos sem evangelizar muçulmanos.

2013: No dia de Natal, Yousef é preso novamente sob as ordens de autoridades iranianas.

2014: Pastor Yousef é liberto no dia 7 de janeiro, dias depois de ter sido preso pela segunda vez.

2016: No dia 13 de maio, pastor Yousef é preso novamente - junto com sua esposa - sem qualquer acusação formal da polícia iraniana.

Segundo a 'CSW', essa repetição de ordens de prisão, lançadas contra os mesmos indivíduos (especificamente cristãos) tem, na verdade, o objetivo de intimidar o crescimento do cristianismo no país.


Liberdade religiosa
O chefe executivo da CSW, Mervyn Thomas, disse: "É profundamente preocupante ouvir sobre o assédio constante contra o Pastor Nardarkhani. As acusações feitas contra ele são falsas e dão uma indicação de que as autoridades insistem em criminalizar a comunidade cristã, por simplesmente exercerem o seu direito à liberdade de religião ou crença".

"Instamos o governo iraniano a retirar as acusações contra ele e cancelar também quaisquer acusações pendentes contra Mohammadreza Omidi, Yasser Mossayebzadeh e Saheb Fadaie. A comunidade internacional deve pressionar o Governo do Irã para que cumpra com as suas obrigações de respeitar o direito dos seus cidadãos à liberdade de religião ou crença, conforme descrito no Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, do qual o país signatário e também conforme artigo presente na própria constituição do Irã", finalizou

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