Pastor que estava preso por protestar contra perseguição religiosa é liberto na China

O pastor Zhang Chongzhu estava preso desde setembro de 2015 e chegou a ser dado como desaparecido, por causa da ausência de notícias sobre ele.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Terça-feira, 10 Maio de 2016 as 3:07

Pasto Zhang Chongzhu lidera uma das igrejas sancionadas pelo Partido Comunista na China. (Foto: China Aid)
Pasto Zhang Chongzhu lidera uma das igrejas sancionadas pelo Partido Comunista na China. (Foto: China Aid)

Zhang Chongzhu, o pastor da Igreja legalizada pelo Estado "Três Autonomias Patrióticas", na província de Zhejiang (China), foi liberto na última segunda-feira, após oito meses de prisão. A detenção do líder cristão teve como causa, seu protesto contra a remoção de cruzes dos templos e a demolição de igrejas cristãs na região.

A organização de Direitos Humanos 'China Aid' informou que Zhang se manifestou frequentemente contra a contínua perseguição sofrida pelos cristãos no país, com centenas de cruzes sendo removidas dos telhados dos templos e igrejas sendo demolidas por grupos de oficiais, que cumpriam ordens do Partido Comunista. O governo argumentou que ele tem como alvo, os locais que violam seus códigos de construção, considerando que as cruzes instaladas nos telhados das igrejas violam este código.

Zhang foi levado sob custódia do Partido Comunista em 08 de setembro de 2015, acusado de "roubo, espionagem e fornecimento ilegal de segredos de Estado ou de inteligência para entidades de fora da China". As acusações feitas contra o pastor também já foram feitas anteriormente contra outras pessoas que desafiaram o regime comunista.

Alguns fiéis também sugeriram que Zhang poderia ter sido "escolhido e preso" pelo Partido Comunista, por causa uma reunião com um diplomata dos EUA em Xangai, no ano passado.

Após meses sem terem notícias do pastor Zhang, organizações de Direitos Humanos, como a 'China Aid', chegaram a chamar a atenção para o "desaparecimento" do líder cristão.

Embora a China permita que igrejas estatais possam operar no país, nem mesmo os pastores que têm autorização do Estado para atuarem em suas igrejas são poupados quando contestam ordens do Governo - como no caso da remoção de cruzes dos templos e demolição de igrejas.


Caso semelhante
No início deste ano, as autoridades chinesas também prenderam o Pastor Gu Yuese, da Igreja Chongyi de Hangzhou, a maior igreja sancionada pelo governo da China. Enquanto Gu foi formalmente acusado de desvio de fundos da igreja, a 'China Aid' e outros grupos de vigilância de perseguição religiosa disseram que as ações contra ele têm mais a ver com o seu protesto contra a campanha de demolição.

Já estando na prisão, pastor Gu enviou uma carta à sua congregação, pedindo aos fiéis que "cumpram as exigências do governo". Apesar da mensagem do líder cristão, a China Aid disse que há suspeitas de que o pastor poderia ter sido "forçado pelas autoridades governamentais a escrever o comunicado".

"Isso vai abalar o espírito dos líderes das igrejas sancionadas pelo governo e as congregações em toda a China. Todos estes fatores irão ter um efeito cascata", disse o presidente da 'China Aid', Bob Fu ao 'Christian Post', em fevereiro (2016).

Ele acrescentou que a razão para a repressão em curso seria o crescimento exponencial do cristianismo e de sua influência no país.

"A liderança do país está cada vez mais preocupada com o rápido crescimento da fé cristã, sua presença pública e sua influência social", disse Fu. "Há um medo político do Partido Comunista, enquanto o número de cristãos no país supera em muito o de membros do partido".

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