Pelo menos 13 cristãos são assassinados em sequência de ataques de islâmicos na Nigéria

Três igrejas evangélicas de uma mesma vila também estão impossibilitadas de continuar a realizar seus cultos, devido à tensão e insegurança diante dos ataques.

fonte: Guiame, com informações do Morning Star News

Atualizado: Quinta-feira, 11 Agosto de 2016 as 9:30

Durante três dias seguidos, extremistas islâmicos Fulani mataram pelo menos 13 cristãos em duas vilas. (Foto: Reuters)
Durante três dias seguidos, extremistas islâmicos Fulani mataram pelo menos 13 cristãos em duas vilas. (Foto: Reuters)

Conhecidos como 'pastores Fulani', muçulmanos extremistas da Nigéria atacaram um grupo de aldeias predominantemente cristãs no estado de Kaduna, na semana passada, matando pelo menos 13 cristãos e dispersando membros de três igrejas, segundo informaram fontes da área.
 
Uma sobrevivente dos ataques contou ao site internacional de notícias sobre missões, 'Morning Star News', que os pastores mataram duas mulheres cristãs na vila Ninte na Área de Jema'a, Governo Local (LGA) do estado norte-central no dia 1º de agosto. Ela também informou que oito cristãos foram mortos em Gada Biyu, no dia seguinte (2 de agosto). Os jornais locais relataram que nove pessoas foram mortas em Gada Biyu e mais dois homens foram mortos em Akwa'a no dia 3 de agosto.
 
Sendo uma entre as centenas de cristãos expulsos da área, Martha Yohanna, da Igreja Batista Alheri, na aldeia de Gada Biyu, disse ao 'Morning Star News' que os ataques contra as aldeias de Ninte e Gada Biyu foram realizados por pastores muçulmanos Fulani de 1 a 3 de agosto.
 
"No dia 1º de agosto, por volta de meio-dia, em Ninte, os pastores Fulani atacaram duas mulheres cristãs e um homem, enquanto eles estavam em sua fazenda", disse ela. "Eles as feriram com facões. Uma mulher e sua nora foram mortas pelos pastores Fulani, enquanto o homem ainda está no hospital".
 
No dia seguinte, os pastores Fulani mataram oito cristãos em Gada Biyu, incluindo cinco identificados apenas como Friday, Akoro, Mamman, Danladi e Jerry, segundo informações da moradora.
 
Ela ainda contou que seu cunhado Joseph, de 25 anos, ainda está desaparecido e acredita-se que ele tenha sido assassinado pelos Fulani.
 
"Há mais de uma semana que ele não foi mais visto e não se ouviu mais nada sobre ele", disse ela.

O número de cristãos mortos este ano na Nigéria já é quase igual ao total de 2015. (Foto: Reuters)


 
No dia 03 de agosto, as forças de segurança expulsaram os Fulani, mas esses atacantes voltaram para Gada Biyu cerca de seis horas depois, e queimaram as casas da vila.
 
"Eles destruíram quase tudo em três horas", disse Yohanna. "Eu escapei de Gada Biyu para Gidan Waya na segunda-feira [1º de agosto], quando os Fulani vieram para atacar a aldeia ao meio-dia, e voltei na quarta-feira à tarde para recuperar algumas das nossas roupas. Na noite desta quarta-feira, os pastores Fulani voltaram para a minha aldeia e destruíram nossas casas. Eles atearam fogo em algumas casas, antes que os policiais e soldados os expulsassem dali".
 
Gada Biyu, perto da Kafanchan, tem três congregações cristãs que foram deslocadas como resultado do ataque. São elas: Igreja Batista Alheri, Igreja Batista Sabon Rai e a Igreja Evangélica Winning All (ECWA).
 
"Os três pastores [líderes das igrejas] escaparam da aldeia durante o ataque e não voltaram para lá", disse ela. "Meu pastor, o Rev. Nathan Jaweson, da Igreja Batista Alheri fugiu na segunda-feira, após o assassinato das duas mulheres na vila Ninte, com sua família e voltou para Gada Biyu. No entanto, ele escapou por pouco de ser morto na terça-feira [2 de agosto], porque ele nadou pelo rio de Gada Biyu. Ele está atualmente a vivendo como refugiado em outra vila".
 
O pastor da igreja ECWA fugiu para uma vila próxima, enquanto o paradeiro do pastor da Igreja Batista Sabon Rai ainda é desconhecido. Por causa dos ataques, nenhuma das igrejas de Gada Biyu realizaram cultos no último domingo (07 de agosto). A Igreja Batista Alheri normalmente tem cerca de 300 membros em suas programações.
 
O ataque à vila Gada Biyu marca quarto ataque dos muçulmanos Fulani contra comunidades cristãs neste ano, na região, disseram fontes à 'Morning Star News' em Gidan Waya, a poucos quilômetros do Gada Biyu. Funcionários do governo pediram na terça-feira (09 de agosto) que as pessoas não voltem a Gidan Biyu, enquanto os Fulani ainda estão fazendo da vila, um local inseguro.

veja também