Por não cobrirem o rosto com véu, 15 mulheres tem a face desfigurada com ácido pelo Estado Islâmico

Este tipo de punição é bastante comum em países muçulmanos mais rigorosos, como o Paquistão.

Atualizado: Quarta-feira, 11 Fevereiro de 2015 as 3:19

 

O policiamento do Estado Islâmico desfigurou os rostos de 15 mulheres iraquianas com um ácido, como uma forma de punição, na semana passada. O motivo é que as mulheres não estavam com os rostos cobertos de forma adequada, para os padrões do EI.

As mulheres foram punidas de maneira cruel simplesmente porque não estavam usando o Niqab, um tipo de véu muçulmano que cobre totalmente o rosto – exceto a região dos olhos.

"Eles implementaram esta punição como lição, para que outras mulheres da cidade não deixem de usar o niqab", disse Saed Mamuzini, funcionário do Partido Democrático do Curdistão em Mosul.

Aviso dado

O Estado Islâmico emitiu um aviso em julho do ano passado, alertando que as mulheres de Mosul que fossem pegas sem niqab seriam severamente punidas. O grupo argumentou que a restrição serve para proteger as mulheres e a religião de deboche.

"Esta não é uma restrição à liberdade, mas é para impedir a mulher de cair em humilhação e vulgaridade, ou que seja um teatro aos olhos dos que estão procurando", disse o Estado Islâmico. "Qualquer uma que não esteja comprometida com este dever, e é motivada pelo glamour, estará sujeita à responsabilização e punição severa, para proteger a sociedade do mal e para proteger a religião de deboche".

Regra do Alcorão

Embora derramar ácido sobre o rosto de uma mulher possa parecer uma brutalidade exclusiva do Estado Islâmico, este tipo de punição é bastante comum em países muçulmanos mais rigorosos, como o Paquistão.

"O Alcorão orienta os homens a bater nas mulheres que forem desobedientes. Vimos mulheres que não cumprem as restrições da Sharia (lei islâmica) e foram desfiguradas com ácido no Paquistão e em outros lugares", escreve o crítico do Islã Robert Spencer. "Esta é apenas mais uma manifestação do império do medo que a Sharia cria: a virtude é imposta pelo terror, o que significa que não é realmente uma virtude".

Casos de brutalidade

Embora as torturas por violação da lei Sharia sejam muito comuns no Paquistão, as mulheres também têm sido submetidas a ataques com ácido, apenas porque estão em desacordo com seu marido ou outros homens.

Este foi o caso de um homem em Lahore que, com a ajuda de seu pai, bateu em sua esposa e, em seguida, derramou ácido em sua garganta por causa de questões internas do casal, em novembro do ano passado. 

Em setembro, uma menina de 16 anos foi atacada com ácido depois que sua família rejeitou o pedido de casamento de um homem. Os médicos disseram que ela perdeu 95% de sua visão.

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