Pr. Antônio C. Costa fala sobre o que o perturba diante da Copa do Mundo

"Isso que causa espanto e ira, ver tanta riqueza mal utilizada em pleno regime democrático. Ditadores não ousariam fazer com o povo o que os nossos governantes fazem em plena democracia", diz o pastor

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Terça-feira, 10 Junho de 2014 as 4:28

Antônio Carlos Costa

Fundador e presidente da ONG Rio de Paz, o pastor Antônio Carlos Costa não esconde a decepção com as condições com as quais a Copa do Mundo está sendo realizada no Brasil.

Conhecido por organizar atos pacíficos que protestam contra a violência, a miséria, e outros fatores, ele não deixou de promover atos pacíficos a respeito da Copa.

Nas comunidades e nas praias, a ONG Rio de Paz denuncia o descaso dos órgãos públicos com a desigualde e a miséria do povo, já que milhões do dinheiro público foram investidos em estrutura para a Copa do Mundo e nada para oferecer melhor condição de vida à população.

Embora não seja contra o futebol ou contra eventos esportivos, Antônio C. Costa deixa claro que não assistirá aos jogos da Copa e nem torcerá pela seleção brasileira. Apesar de manter firme sua opinião, o pastor incentiva que todos que farão a mesma escolha respeitem aqueles que irão vestir verde e amarelo, assistir aos jogos e torcer pelo Brasil.

Em entrevista ao GUIAME, ele explica melhor o que o incomoda e o desanima diante da realização da Copa no país. Confira:

GUIAME: Diante de tantos fatores, o que mais o deixa inquieto quanto a Copa do Mundo?
O que mais me deixa perturbado é perceber que a riqueza do país não é socializada. E quanto falo de socialização da riqueza, não estou falando apenas de bolsa família, que tem seu valor, a pessoa está com fome, é bonito o governo fazer chegar comida à sua mesa. Falo daquela socialização da riqueza que eleva o índice IDH das cidades, dos bairros e favelas, que faz com que pessoas tenham acesso à água potável, à rede de esgoto, que facilite a mobilidade urbana, que dá condições para o homem ser condutor de sua própria história, com acesso à educação de qualidade, mercado de trabalho, bom salário. Isso que causa espanto e ira, ver tanta riqueza mal utilizada em pleno regime democrático. Ditadores não ousariam fazer com o povo o que os nossos governantes fazem em plena democracia.

GUIAME: Acredito que o senhor goste de futebol e não seja contra eventos esportivos, mas o que o faz ser contra essa edição da Copa?
Gosto de futebol e gosto da Copa do Mundo, embora goste mais dos jogos do Botafogo do que dos da seleção brasileira. O meu problema é Copa do Mundo com dinheiro público, quando foi prometido que seria com dinheiro privado, quando foi prometido que os preços seriam menores do que os que foram cobrados. Meu problema é o uso do dinheiro público e as obras superfaturadas: Maracanã 70 milhões, segundo o Tribunal de Contas do Estado.

GUIAME: Diante de tantos problemas sociais e da pouca influência da Igreja, acredita que o conceito de Evangelho esteja deturpado?
A leitura que os pastores fazem da Bíblia é uma leitura culturalmente condicionada, eles ainda dependem da interpretação do texto bíblico que é feita por uma única nação. Estamos importando problemas que não são nossos e deixando de tratar dos nossos. Algumas questões que essa leitura não tem conseguido responder é ‘O que significa ser cristão em um país de miséria? O que significa ser cristão em um dos países mais desiguais do planeta? E soma-se a isso a falta de amor, a falta de avivamento. Também temos uma relação pessimista com a história, achando que o mundo não tem jeito, só que se compararmos a vida que vivemos hoje com a vida que nossos avós viveram, nós vivemos muito melhor, isso porque algumas pessoas lutaram por um mundo melhor. É isso que eu acho que as igrejas não estão sabendo ensinar, por isso temos 45 milhões que podem mudar a história desse país e que não agem. Num país onde os movimentos sociais não têm povo e a Igreja tem. Essa é uma péssima mordomia dos recursos de Deus, um desperdício.


por Juliana Simioni
GUIAME.COM.BR

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