Preso por defender igrejas, advogado cristão é "forçado" a confessar crimes em TV da China

Zhang Kai foi detido pela polícia no dia 25 de agosto de 2015 em uma igreja cristã, em Wenzhou, na província de Zhejiang.

fonte: Guiame, com informações de Christian Today

Atualizado: Sexta-feira, 26 Fevereiro de 2016 as 3:02

O advogado cristão Christian Zhang Kai foi detido juntamente com outros líderes religiosos em agosto de 2015. (Foto: SCMP)
O advogado cristão Christian Zhang Kai foi detido juntamente com outros líderes religiosos em agosto de 2015. (Foto: SCMP)

O advogado cristão Zhang Kai apareceu em um programa de TV da China em uma “confissão” supostamente forçada pelo governo. Esta foi a primeira aparição pública do chinês desde que foi preso no ano passado.

Zhang Kai foi detido pela polícia no dia 25 de agosto de 2015 em uma igreja cristã, em Wenzhou, na província de Zhejiang. Advogados chineses confirmaram Zhang que permaneceu confinado por seis meses, em prisão domiciliar, por suspeita de "expor ao perigo a segurança do Estado" e "perturbar a ordem pública".

No programa de televisão, Zhang foi supostamente forçado a admitir os crimes. "Eu também alerto os advogados de direitos humanos para me encararem como um aviso e não pactuarem com estrangeiros, tirando dinheiro de organizações estrangeiras, ou se envolvendo em atividades que violem a lei ou prejudiquem a segurança e os interesses da nação", disse ele no canal Wenzhou.

Zhang prestava assessoria jurídica para as igrejas que eram alvo de perseguição na China. Ele havia representado mais de 100 igrejas que lutavam contra as ordens de remoção de suas cruzes, promovida pelo governo.

Sua "confissão" pública foi recebida com indignação por seus partidários. "É absolutamente terrível ver uma pessoa sendo induzida a confessar na televisão", disse Zhang Lei, um advogado companheiro de direitos humanos. "Confissões televisionadas vão contra a dignidade humana e também são uma violação da lei."

O pesquisador da Anistia Internacional da China, William Nee, acredita que a confissão foi roteirizada. "Não é a defesa dos direitos de Zhang Kai ou a exposição sobre o que está acontecendo na China que ferem a reputação do governo chinês: são as violações do governo chinês sobre a liberdade de religião — derrubando cruzes, destruindo igrejas, lançando pastores à prisão em segredo".

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