Reforço escolar em comunidade do Paraná se transforma em evangelismo para crianças

Se antes as aulas se resguardavam apenas às segundas-feiras pela tarde, hoje as crianças tem quatro dias de aulas para atender a demanda de crianças que procuram o reforço escolar.

fonte: Guiame, com informações do site Notícias Adventistas

Atualizado: Terça-feira, 12 Julho de 2016 as 12:12

Para além de um projeto social, a iniciativa acabou se tornando um ministério. (Foto: Jéssica Guidolin).
Para além de um projeto social, a iniciativa acabou se tornando um ministério. (Foto: Jéssica Guidolin).

No início desse ano, a única escola municipal de mais fácil acesso da pequena comunidade de Cachoeira esteve em greve por três meses. A localidade fica em meio à natureza, a 33 quilômetros do centro da cidade de Antonina, no litoral paranaense. Por esse motivo, professoras cristãs e voluntárias da região criaram um projeto de reforço escolar, que inicialmente pretendia ajudar as crianças da Igreja Adventista, mas que tomou proporções maiores beneficiando as famílias da localidade.

Marcella Viel é uma das idealizadoras do projeto. Ela explica como se deu o crescimento do projeto. “Os pais da nossa igreja começaram a ficar preocupados com os filhos porque as crianças apresentavam muitas dificuldades. Nós percebíamos, como líderes de Aventureiros, que as crianças não sabiam nem ler e nem escrever. Então resolvemos nos reunir às segundas-feiras à tarde para ajudar essas crianças. Começamos com cinco. Mas depois as crianças da vizinhança souberam, pediram para participar e sempre traziam mais alguém”, relata.

Sem entender ao certo os planos de Deus, a pedagoga que trabalhava em um Colégio Adventista de Curitiba mudou-se para o vilarejo. Com o tempo os propósitos ficaram claros. “Ia ser muito frustrante morar aqui e não conseguir ajudar ninguém nesse lugar. Pensei: ‘Agora eu vou pra um lugar que não tem escola, o que eu vou fazer?` E olha só, Deus tinha uma escola me esperando aqui”, pontua a professora, que realiza o trabalho sem receber nenhum dinheiro.

O projeto cresceu

Se antes as aulas se resguardavam apenas às segundas-feiras pela tarde, hoje as crianças tem quatro dias de aulas para atender a demanda de crianças que procuram o reforço escolar. Com o retorno delas para as escolas, os horários ficaram mais flexíveis. Os que estudam de manhã têm aulas de reforço à tarde e os que estudam à tarde vão ao reforço pela manhã.

São três professoras que se revezam para ensinar Língua Portuguesa – alfabetização e letramento – e Matemática. A escolha dessas matérias se deu pelo fato de serem as mais cobradas dos alunos e as quais eles têm mais dificuldades, de acordo com Marcella.

Evangelismo

Para além de um projeto social, a iniciativa acabou se tornando um ministério. Isso porque as crianças aprendem a orar, ouvem histórias bíblicas antes de iniciarem as aulas do reforço e até frequentam a igreja. Segundo Marcella, a maioria delas se dirige à igreja sozinha, chega pontualmente às 9 horas, e participa da Escola Sabatina, do culto, do almoço com os fiéis e também dos Clubes de Aventureiros ou Desbravadores.

O projeto tem quebrado preconceitos e aproximado os fiéis dos vizinhos. “Algumas crianças vão regularmente à igreja. Nós visitamos as famílias, oramos por elas, para que se sintam acolhidas também. Amamos a comunidade com força porque assim eles verão a nossa doutrina em ação. Esse é o maior ministério. Foi a forma que Deus encontrou para alcançá-los, pois eles eram muito fechados. Quando começamos a oferecer algo que eles precisavam, eles começaram a ver o que é a Igreja Adventista de verdade”, ressalta Marcella.

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