Refugiados no Oriente Médio - por Asaph Borba

"Eu vi o quanto o amor de Cristo faz a diferença no meio do sofrimento..."

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Segunda-feira, 3 Novembro de 2014 as 3:50

Asaph Borba e refugiados

“Alguém bate na porta no meio da noite em nossa casa em Telkeif, próxima a Erbil no norte do Iraque, e anuncia que chegou a hora de partir. Nos últimos dias já nos haviam dado o ultimato: se converta ao islamismo, ou fique pagando 500 dólares por mês e se resistir, morre. Assim vimos nossa casa e tudo que tínhamos ficar para trás. Só levem documentos e a roupa do corpo. Ordenou o soldado do ISIS”(Estado Islâmico). Esta foi a última vez que Saad (32), sua esposa Rawa (30) e as filhas Sandra (7) e Saviana (3) viram sua casa e a vila de caldeus em que a maioria das famílias são cristãs, aonde nasceram e viveram toda a vida. O mesmo destino tiveram as 5 mil famílias do local. Saíram assim, deserto a fora, sem comida e sem água, na direção da cidade de Erbil, que ainda não havia caído na mão da facção islâmica.

Quando chegaram, na manhã seguinte, foram para um campo de refugiados improvisado aonde ficaram por 23 dias em condições precárias. Um pedaço de pão por dia era tudo que comiam. Mendigavam na rua, mas o número de pessoas na mesma condição é tão grande, que não se consegue muito, narra Saad.

Por terem passaporte, conseguiram vir para Jordânia. Ficaram por dias perambulando nas ruas até encontrarem uma entidade católica que cuida de refugiados. Entretanto, não puderam ficar ali por mais de quatro dias, pois não vieram pelas vias legais da ONU. Voltaram para as ruas e ali ficaram até encontrar a Igrejinha na periferia pobre de Amã, cujo pastor de nome Abu George, os acolhe até hoje em um quartinho.

Estes foram os últimos 50 dias dessa família. Sem futuro e qualquer perspectiva. O casal e suas filhas vivem da misericórdia divina a cada dia. A maior ansiedade é fruto de não saber o que aconteceu com os outros familiares que saíram da terra natal na mesma condição.

Esta narrativa é um exemplo, entre as milhares de histórias que mostram o que está acontecendo hoje no Oriente Médio. Os campos de refugiados de iraquianos e sírios localizados em diferentes lugares da desértica Jordânia, têm hoje um contingente que passa de um milhão e trezentos mil pessoas. Todas com histórias semelhantes. Porém, para minha surpresa, quando perguntada sobre o que tem a dizer sobre sua condição, responde : Deus não nos esqueceu, pelo contrário, nos salvou. Poderia ter sido muito pior, declara Rawa em lágrimas. Um dia antes, ouvi de um outro irmão acerca de um casal, que na saída de uma outra vila na mesma região, lhes foi retirada a filha ainda de colo. Aqui eu vi o quanto o amor de Cristo faz a diferença no meio do sofrimento ao ponto de faltarem-me lágrimas nesse momento.

A Igreja brasileira, e o mundo tem que orar e fazer algo por essa gente. O governo Brasileiro precisa abrir espaço diplomático para receber alguns desses irmãos. “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas." 2 Coríntios 4:17 e 18.

 

- Asaph Borba

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