Será que a gente consegue?

Será que a gente consegue deixar a alienação gospel que toma conta de nossas igrejas e se engajar no que realmente importa à nossa geração? Será que essa juventude vai se mostrar mais nobre que a de minha geração e assumir o protagonismo histórico de Voz pela Justiça?

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Quinta-feira, 22 Maio de 2014 as 11:14

injustiçaAlgumas pessoas têm aberto nossos olhos para verdades muito inconvenientes. Há poucos anos eu jamais poderia imaginar que a escravidão é tão presente e tão próxima. Eu era um ignorante, conhecia apenas dos livros de história. Hoje, sempre que abro minhas redes sociais sou informado de alguma empresa famosa que pratica a escravidão em seu processo produtivo.

Posso escolher. Talvez seja melhor ler menos notícias, para que possa continuar consumindo e mantendo meu conforto sem me preocupar em lidar com minha consciência. Posso assumir o discurso cômodo e cínico de quem diz que a vida é mesmo assim, se eu for levar à ferro e fogo tudo, não vou poder mais comprar nada. Mas posso também praticar o boicote militante e consciente.

Impossível não lembrar do Ghandi, que propôs à Índia o boicote aos produtos importados como resistência à ocupação inglesa. Sua lógica era que se não queremos ser oprimidos, precisamos também abrir mão do conforto oferecido pelo opressor.

E se ao invés de fazer "rolezinho" a gente parasse de comprar produtos "de marca" para ostentar uma igualdade social a partir da capacidade de consumo desnecessário? E se ao invés de queimar ônibus em protestos contra preços de pesagens a gente começar a andar a pé até causar prejuízo financeiro à quem não se importa com o próprio serviço que presta? E se a gente não comprasse ingressos pros jogos da copa?

Impossível não lembrar de Rosa Parks que discriminada no ônibus por ser negra, boicotou o sistema deixando de usar os ônibus e incentivando um movimento em que milhares de negros fizeram o mesmo e forçaram os EUA a rever suas políticas de segregação racial.

Mas será que a gente consegue abrir mão do próprio conforto e prejudicar de modo deliberado as grandes corporações nocivas? Será que a gente consegue abrir mão por causa da justiça?

Sempre que os oprimidos boicotaram os opressores, houve mudança. A questão é se a gente é capaz de se incluir entre os oprimidos, escravizados, violentados em seus direitos. Ou a gente vai ser contado como cúmplice entre os opressores?

Será que a gente consegue? Quando sou convocado por políticos, como o Carlos Alberto Bezerra Jr, deputado estadual de São Paulo, a abrir meus olhos para as injustiças que acontecem, volto a crer no sistema político, valorizo meu voto e divulgo claramente algo de bom que está sendo feito.

Será que a gente consegue deixar a alienação gospel que toma conta de nossas igrejas e se engajar no que realmente importa à nossa geração? Será que essa juventude vai se mostrar mais nobre que a de minha geração e assumir o protagonismo histórico de Voz pela Justiça?

Será que a gente consegue? Eu creio.


- Alexandre Robles

 

veja também