"Trata-se de um autêntico genocídio", diz ex-ministra iraquiana sobre a situação dos cristãos

Pascale Ward lamenta o que tem acontecido no Iraque e afirma: "Perseguir aos cristãos significa destruir Iraque"

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Quarta-feira, 5 Novembro de 2014 as 9:06

IraquePascale Ward, ex-ministra de Política Migratória iraquiana, falou sobre a situação dos cristãos de seu país e a classificou de um autêntico genocídio.

"Os cristãos foram perseguidos no Iraque durante décadas. Se viram obrigados a abandonar suas famílias em repetidas ocasiões e perderam tudo o que tinham. Trata-se de um autêntico genocídio", atestou.

Pascale explicou que sua organização, Iraqi Society for Human Rights (Sociedade Iraquiana pelos Direitos Humanos), ainda tenta obter o reconhecimento internacional da situação desses cristãos, e frisou: "perseguir aos cristãos significa destruir Iraque."

"As perseguições não começaram agora, com a chegada do EI. Os cristãos foram reprimidos no Iraque desde 1915", disse a ex-ministra, lembrando que essa perseguição já vem desde o começo do século XX.

A ex-ministra aproveitou a ocasião para pedir ajuda para os cristãos deslocados de seus lares no Iraque e que foram "abandonados a sua sorte" por parte do governo do país, que não prevê nenhum plano para libertá-los da condição de "refugiados".

Em sua apresentação do Relatório 2014 sobre a liberdade religiosa no mundo da internacional Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), Pascale também repudiu o artigo 21 da nova Constituição do país, em que obriga filhos menores de pais divorciados a serem educados no Islã.

"Isso representa que a maioria das conversões não sejam voluntárias. Trata-se de um atentado contra a liberdade religiosa e gera situações de discriminação", ponderou.

Sobre o conteúdo do relatório, a AIS sustenta que a liberdade religiosa registrou um grave declive entre 2012 e 2014 e que em 81 dos 196 países analisados alguns fiéis experimentaram grandes impedimentos para professar seu credo.

A AIS aponta que os cristãos continuam sendo a minoria religiosa mais perseguida, em parte por sua dispersão e por seu número relativamente elevado, mas constata que os muçulmanos experimentam igualmente uma "séria" discriminação.


com informações da EFE/Exame

 

 

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