#ViagemaoIraque 3: Um dia repleto de lágrimas e maravilhas

Estou sentada na sala de aula de uma escola primária para ouvir uma história. Não de um professor, mas de uma família que vive aqui. A escola inteira está cheia de pessoas que fugiram de Qaraqosh

fonte: Portas Abertas

Atualizado: Quarta-feira, 3 Setembro de 2014 as 1:23

Iraque _ sérieA jornada pelo Iraque continua. Lídia*, uma colaboradora da Portas Abertas, tem sido os nossos olhos e ouvidos ao relatar o encontro com cristãos que precisaram fugir de suas casas para sobreviver da perseguição. À medida que a história avança, nós ficamos cada vez mais perto de nossos irmãos.

Estou sentada na sala de aula de uma escola primária para ouvir uma história. Não de um professor, mas de uma família que vive aqui. A escola inteira está cheia de pessoas que fugiram de Qaraqosh. Cada sala de aula é um lar temporário para três ou mais famílias. A maioria dos colchões está empilhada no canto e as antigas mesas dos alunos são utilizadas para armazenar alimentos. Isso é tudo o que eles têm. O ventilador que é dado a eles só funciona quando há eletricidade, o que acontece apenas algumas vezes por dia.

A mãe, que tem uns trinta anos, me diz que essa é a terceira vez que tem de fugir. A primeira vez, em 2006, fugiu de Bagdá. Ela e sua família foram ameaçadas por islamitas; “vocês são cristãos, se ficarem, vamos matá-los”. Então eles deixaram Bagdá. Enquanto iam embora, os fanáticos seguiram o carro em que ela e sua família estavam, e o empurrou para fora da estrada em uma ladeira. Após o acidente, ela teve ferimentos graves na cabeça e quase morreu. Ela mostrou fotos horríveis de profundo ferimento no pescoço e no rosto. Dois parentes morreram no acidente. Seus dois filhos estavam com ela no carro, eles foram levemente feridos fisicamente, mas um dos rapazes não conseguiu falar e andar por três dias, por causa do trauma. As cicatrizes em seu rosto me dizem que é um milagre ela ainda estar viva.

Após este episódio horrível, ela e sua família construíram uma nova vida em Qaraqosh, mas em junho de 2014, quando o Estado Islâmico (IS) se aproximou, eles fugiram para Erbil. Depois de três dias, foi dito que ele era seguro voltar para Qaraqosh, e assim o fizeram.

Mas, então, na noite de 6 para 7 de agosto, eles foram avisados: dentro de três horas o IS irá chegar a Qaraqosh. Mais uma vez eles tiveram de fugir para salvar a vida. Não preparados desta vez, eles saíram da cidade bem na hora, apenas com a roupa que tinham no corpo e nada mais.

Há lágrimas nos meus olhos quando eu sinto seu desespero. Ela diz; "Se ficarmos, isso irá acontecer de novo e de novo. Eu queria muito ficar no Iraque, é a nossa casa, nós amamos esta terra, mas é demais. Não podemos mais viver assim”.

Sua sogra, então me surpreende dizendo que, apesar de terem sofrido muito, Deus vai dar-lhes a melhor casa que jamais poderiam imaginar no céu. Ela diz: "Ele enxugará as lágrimas de todos e irá nos recompensar por tudo o que perdermos, no céu. Esta será sempre a nossa esperança e fé!”.

Muito emocionada, procurei incentivá-los e deixá-los saber que são amados por pessoas no mundo inteiro. Nós mostramos fotos que tiramos com pessoas das reuniões de oração em Londres e na Holanda. Também mostrei a camiseta '#WeAreN' e disse-lhes que as pessoas usam isso como forma de apoiar os cristãos no Iraque.

Um sorriso ilumina seu rosto e, apesar da dor e da incerteza sobre o seu futuro, ela está maravilhada e agradecida que as pessoas se preocupam com ela e com os cristãos no Iraque.

Dei-lhe uma camiseta como um lembrete de que estamos unidas em Cristo!

Continua amanhã!

 

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