Vingança ou justiça?

O Cristianismo também tem seus fanáticos. Eu os temo como a estes terroristas. Que Deus nos limpe de fanatismos que legitimam intolerâncias, violências e guerras. E que Deus nos livre do Mal, especialmente da Maldade de chamar Vingança de Justiça

fonte: Guiame, Alexandre Robles

Atualizado: Quinta-feira, 15 Janeiro de 2015 as 2:05

ataque à Charlie Hebdo
ataque à Charlie Hebdo

Ninguém consegue trilhar as pegadas de Jesus com suas próprias pernas. E ninguém consegue sequer tentar, sem antes, de joelhos, prestar adoração que declara impotência e temor. O apóstolo Paulo, que tantas vezes foi agredido, xingado, tratado sob todas as formas de desrespeito por causa de sua Fé, que antes de se converter perseguiu e matou os que criam em Jesus, disse que o caminho de Jesus é de uma obediência ao Pai capaz de levá-lo da condição de Deus à condição de homem, humilhado, morto.

É certo que os terroristas que disseram matar 12 pessoas em nome de Alá, não representam a Religião Islã. Infelizmente alguns desavisados irão generalizar e alimentar um ódio estereotipado. Mas isso acontece com todas religiões que sofrem ataques de fanáticos que dizem representá-la.

O Cristianismo também tem seus fanáticos. Eu os temo como a estes terroristas. Haverá aqueles que dirão que os jornalistas são culpados deste ataque porque desrespeitaram o símbolo religioso. Esse mesmo motivo servirá de base para outros fanáticos ajam para defender seus próprios símbolos.

O que deveria agredir um verdadeiro religioso não é uma charge de um de seus símbolos, mas a injustiça, a fome, a escravidão. Será que isso os agride?

O fundamento de tudo isso é a intolerância que se aloja na alma e determina que todos os que pensam diferente ou que de algum modo tocam ou afetam nossas crenças, devem ser eliminados. A intolerância cria a noção de direito de matar quem pensa e vive diferente.

E a intolerância é mais sutil que as agressões terroristas. Muitas vezes não permitimos que as pessoas que mais amamos sejam elas mesmas e pensem diferente de nós. Achamos que as funções familiares nos dão direitos. Pai tem direito de determinar como os filhos jovens e adultos devem viver e caso não cumpram suas leis, mesmo que não declaradamente, transmitem a impressão de que não são aceitos como filhos. Cônjuges fazem assim um com o outro, etc.

Tudo gira em torno dos direitos que definimos ter sobre os outros, seja na crença, seja no comportamento, seja na família, seja na sociedade.

Jesus abriu mão do direito. Tolerou. Viveu junto. Entregou-se em sacrifício e morreu para não matar.

Paulo disse que devemos ter a mesma atitude que Jesus.

Cabe-nos orar, em adoração reverente, assumindo que nos agarramos aos nossos direitos; que temos preconceitos e fobias dos diferentes; assumindo nossos corações armados para agredir quem desrespeita as regras que definimos.

Que Deus nos limpe de fanatismos que legitimam intolerâncias, violências e guerras. Que Deus nos desarme para aceitarmos quem pensa e vive diferentemente de nós, especialmente os de nossa própria casa. E que Deus nos livre do Mal, especialmente da Maldade de chamar Vingança de Justiça.

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