Ayrton Senna foi para o Céu?

Ayrton Senna foi para o Céu?

fonte: Guiame

Atualizado: Sexta-feira, 2 Maio de 2014 as 12:20

Ayrton Senna foi pro Céu?Segunda-feira, depois da tragédia de Ímola em 1994, o telefone de Atletas de Cristo não parou de tocar o dia inteiro. Todo mundo queria saber se Ayrton foi para o Céu, ou não…

Action Man
Intrépido, impetuoso, corajoso, decidido, valente. Um dicionário só era pouco para definir ou descrever Senna atrás de um volante. Rápido como um raio, é mais fácil de entendê-lo!Andava sempre no limite do carro, da pista, dele mesmo e até acima de tudo, como se não houvesse limite algum! Assumia riscos que faziam Alain Prost arrepiar de medo de andar ao seu lado a 300 Km/h. Nigel Mansel o único maluco de peitar Ayrton em sete duelos roda a roda, empatou um e perdeu seis. Quando não purverizava seus adversários no cronômetro e na pista, resolvia a parada na marra ou no tapa.

O piloto
Técnico, habilidoso, preciso, rápido, auto-confiante, calculista, consistente, superdotado. Também não há dicionário que o qualifique. O Pelé das 4 rodas, é mais fácil de entender.Obcecado pela vitória, pela pole-position e pela quebra de todos os recordes, Ayrton era um mau perdedor. Segundo lugar, para ele sempre foi um péssimo resultado.Quando metia o bico de seu carro por dentro de alguém numa curva, Ayrton passava pelo lado ou por cima, se fosse preciso. Abusar da sorte não era problema nenhum para ele.

O homem
Ao contrário do super-herói ao volante, Ayrton era um homem tímido, introvertido, calado e triste no olhar.Muito sensível, ele era extremamente vulnerável às criticas, aos desapontamentos e amarguras que a vida impõe aos simples mortais. Para ele Prost, Piquet e Mansel eram mais que adversários, eram inimigos odiosos.A enorme diferença entre a estatura do mito e do homem levava Ayrton e sua família a construírem muros de proteção para sua vida íntima. Mas o muro funcionava para os dois lados, e o homem vivia muito solitário porque todos queriam saber apenas do mito.Seu encontro com Cristo foi o grande plus de sua vida. Mas a experiência com os cristãos que viviam atrás dele pedindo coisas que iam de um autografo até dinheiro, passando por algumas propostas de casamento, o deixavam confuso e aborrecido.Generoso por natureza, Senna era um homem caridoso que ajudava muita gente, entidades assistenciais e até igrejas.

A corrida da fé
Em 1988, já era reconhecidamente o melhor piloto do mundo, mas as coisas não andavam dando muito certo para ele na F1. Incomodada com a maré de azar, sua irmã, levou a missionária Neuza Itioka para orar por ele. Neuza diagnosticou a presença de uma grande força maligna atuando na vida de Ayrton e orou por libertação em nome de Jesus.Impressionado com o milagre da série de vitórias que seguiram essa oração, ele voltou querendo saber mais sobre este Deus tão poderoso. Neuza apresentou-lhe Jesus, como único caminho para se chegar a Deus. Falou do plano da salvação e fez o convite para que Ayrton Senna da Silva recebesse a Cristo, como seu único e suficiente salvador. Ele topou na hora. Foi uma decisão muito consciente e sincera.Durante um ano procuramos manter sigilo absoluto, tentando dar a Senna a chance de crescer espiritualmente antes de ser confrontado pelo mundo da F1. Mas ele mesmo começou a sentir dentro de si um desejo enorme de falar das coisas lindas que sentia em seu coração em lua-de-mel espiritual. No GP de Portugal de 1989, ele abriu a boca na coletiva de imprensa e falou quase meia hora sobre seu relacionamento com Deus. Foi uma bomba que repercutiu no mundo inteiro! Daí em diante ele nunca mais teve sossego sobre o assunto. Imprensa, adversários, dirigentes, torcedores, cristãos, ateus e agnósticos passaram a cobrar de Ayrton o estilo de vida de um santo. Mas ele era apenas um bebê espiritual. Uma reportagem infeliz e a pressão do pai, afastou Neuza e outros irmãos que poderiam ter tido uma influência positiva no seu crescimento espiritual.Sem discipulado e disciplina, ele teve uma vida cristã errática entregue à sua própria percepção do Altíssimo. Ninguém se atrevia a confrontá-lo honestamente quando pisava na bola, por medo de perder o freguês.Sem uma boa orientação bíblica, Ayrton continuou levando a vida centrada em si mesmo, ao invés de centrá-la em Deus.Decepcionado com a religião, saiu em busca da autossatisfação nas coisas do mundo. Mas o que ele buscava, o mundo não podia oferecer. E assim foi tornando-se insatisfeito ao ponto de subir ao pódio depois de grandes vitórias e não expressar um sorriso no rosto.

Brincando com a morte
Ayrton nunca escondeu que tinha medo da morte e da dor. Mas, sabia conviver muito bem com o perigo e o medo. Como um menino travesso que se diverte cutucando a onça com vara curta, ele adorava viver perigosamente. Na verdade, a idéia do perigo o fascinava ao ponto de levar a vida no fio da navalha... Até que a morte o ceifou na curva mais veloz do mundo. Morreu em grande estilo. Morreu fazendo o que gostava. Morreu no primeiro lugar, andando na frente de todo mundo. Daqui pra frente, nem Schumacher que vinha logo atrás, nem ninguém mais neste planeta, conseguirá ultrapassá-lo nas pistas.

Morre o homem fica o mito.
Foi o maior funeral da história do Brasil! O mito vira herói nacional e internacional. Seu nome vai para o livro dos recordes. O mito entra para a história. - Morre o mito fica o homem?

Daqui há cem anos, o mito já era. E o homem?

Cristo entregou Sua vida na cruz para salvar pecadores. A eternidade não tem lugar para mitos. Mesmo não vivendo como manda o figurino cristão, Ayrton tomou em vida a decisão de receber a Cristo como seu salvador. Depois da morte segue-se o juízo (Hb.9:27). O juiz é Deus e sua justiça é Cristo morrendo por nossos pecados. Juntando essas premissas ao incondicional amor de Deus por pecadores perdoados; eu creio que Ayrton Senna da Silva vai pro Céu...

Por Alex Dias Ribeiro - Ex piloto de Formula-1, palestrante, escritor, radialista, capelão, mentor, comentarista esportivo, test driver.

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