"Há no espiritismo um apelo emocional muito forte", diz Bruno dos Santos

O teólogo falou com exclusividade ao GUIAME e comentou as discordâncias entre o espiritismo e a bíblia.

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Quarta-feira, 3 Dezembro de 2014 as 10:47

Bruno dos Santos: "Há no espiritismo um apelo emocional muito forte"Recentemente lançado por pais de vítimas do trágico incêndio na boate Kiss - ocorrido na cidade de Santa Maria - o livro "Nossa Nova Caminhada" traria em seu conteúdo, supostas cartas "psicografadas" pelas vítimas do trágico incêndio. A obra foi lançada quase dois anos após a ocorrência do fato que chocou o mundo e vem levantando suspeitas de fraudes até mesmo dentro de próprios grupos espíritas.

Tendo já comentado o fato anteriormente, o Pr. Bruno dos Santos (teólogo e líder da Igreja Apostólica Vida Nova) falou com exclusividade ao GUIAME e comentou as discordâncias do espiritismo com relação à bíblia.

Confira a entrevista na íntegra, logo abaixo:

Portal Guiame: A recente notícia de que foram encontradas cartas "escritas por espíritos de jovens que morreram na boate Kiss" levanta questionamentos, tanto entre cristãos, como nos mais diversos tipos de pessoas. Em sua opinião, por que o ser humano tem buscado este contato com espíritos de pessoas que já morreram?

Pr. Bruno dos Santos: Há no espiritismo um apelo emocional muito forte. É quase unânime o fato de que as pessoas que passam por experiências como estas se sentem reféns de uma última palavra dos entes que morreram, ainda mais, uma tragédia como a de Santa Maria. Na verdade esta prática é um anzol, uma espécie de “armadilha”, pois não existe nenhuma garantia de que os espíritos que possuem os médiuns são de fato os espíritos daqueles que morreram. E é natural que as emoções abaladas retiram dos assistentes toda possibilidade de julgamento e critério para saber realmente se estão se comunicando com seus filhos já falecidos. Tudo é muito subjetivo nestas sessões espíritas, e todos são levados à um estado de expectativa e manipulação enormes. Como teólogo afirmo que esta é uma prática comum em inúmeras religiões. Todos querem ouvir ou sentir a presença daqueles que nos deixaram de maneira trágica uma última vez, e este desejo é suficiente para aceitar uma ilusão como sendo verdadeira, ou uma experiência destas como sendo verídica!

Guiame: Em um comentário recente sobre a notícia, você afirmou que "a retórica amorosa de paz e caridade do espiritismo é o anzol do engano". Porém muitos cristãos apontam a caridade promovida por este grupo como uma atitude da qual se deve "tirar uma lição". Até onde esta iniciativa pode ser uma "lição" e a partir de quando pode tornar-se um simples recurso para enganar as pessoas?

Pr. Bruno: A caridade desacompanhada de compreensão bíblica é um grande engano. Eu explico! Fazer o bem não é uma virtude em muitas situações. Podemos fazer o bem porBruno dos Santos: "Há no espiritismo um apelo emocional muito forte" motivos ruins. Por exemplo: um traficante faz o bem pela comunidade para nunca ser entregue pela mesma aos policiais. Qualquer pessoa está apta para fazer o bem, ela não precisa ser necessariamente boa. Ladrões possuem ética dentro das cadeias, eles possuem seus códigos de moralidade. Já a bondade pregada pela bíblia tem a ver com justiça. De acordo com as Escrituras bondade não é dar aquilo que eu tenho sobrando, não é repartir uma esmola, não é distribuir presentes no fim do ano. Bondade é dar o que o outro tem falta. Bondade é considerar o outro igual a você, é fazer do outro o seu próximo, como na parábola do Bom Samaritano. O Bom Samaritano não deu do que tinha sobrando, mas fez tudo que era necessário para que o outro se restaurasse completamente. Essa bondade alardeada pelos espíritas gera muito mais orgulho em quem faz, do que justiça em quem recebe. Afinal, qual é a coisa que eles mais se gabam? De que são verdadeiros cristãos porque fazem “boas obras”. O cristão verdadeiro não faz boas obras para ser salvo, como pregam os espíritas, mas as faz porque já é salvo.

Guiame: Em seu comentário também, você afirmou que tais cartas são resultados de tentativas realizadas por uma seita, para conseguir mais adeptos. O que poderia diferenciar uma seita de uma religião?

Pr. Bruno: Inúmeras pessoas me fazem esta pergunta, mas é difícil definir uma diferença, na verdade toda crença que é preservada por inúmeras gerações se transformam numa religião, por exemplo. O cristianismo, o judaismo, o islamismo, são consideradas religiões por terem séculos de existência e serem monoteístas, sem nenhum tipo de interlocutor direto e adendos para a prática de suas crenças. Já as seitas são relativamente novas, muitas não possuem nem um século de existência e estão diretamente atreladas ao seu líder carismático ou interlocutor do divino. No caso do Espiritismo, eles se consideram a terceira revelação, isto é, estão acima da Bíblia. Afinal só é possível ler a Bíblia no espiritismo segundo Alan Kardec. Uma seita sempre depende de adendos e escritos para validar suas crenças e práticas.

Guiame: Como os cristãos podem se posicionar diante de fatos como estes, sem que suas atitudes venham a soar como qualquer tipo de preconceito ou int/olerância religiosa?

Pr. Bruno: Não existe a possibilidade de tomarmos um posicionamento religioso sem ferir as afirmações de alguém. Creio que estamos chegando num tempo em que o relativismo tomou conta de quase tudo, por isso é necessário deixar claro nossas convicções e princípios. Agora precisamos saber separar a pessoa do discurso. Não tenho absolutamente nada contra os espíritas como indivíduos, mas o discurso daquilo que eles representam fere as Escrituras Sagradas. Não conheço nenhuma outra seita mais anti-cristã do que o espiritismo por diversos motivos. Aliás, um dos ícones brasileiros do espiritismo chamado Chico Xavier disse algo completamente anti-bíblico quando afirmou: “É melhor uma mentira consoladora, do que uma verdade que gera dor”. Creio que esta máxima define a doutrina dos “espíritos”, eles pregam a ilusão ao invés do encaramento da dor e da verdade da vida e da existência humana.

Por João Neto - www.guiame.com.br 

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